terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Câmera indiscreta (frustrada)

Passei a manhã toda de butuca pra filmar o tio da batata e ele não apareceu. Ele passa toda terça de manhã aqui na rua, berrando a pulmões de tenor:

"Kartofeeeeeeeln, oooobst, ái oooooooobst"
"Batataaaaaaaaa, vegetais, ái vegetaaaaaaais"

Dá pra ouvir claramente com as janelas fechadas, aquelas de vidro com isolante térmico. Hoje ouvi a sineta e me preparei: câmera no parapeito da janela, modo vídeo selecionado, eu naquela expectativa.

Depois, silêncio. Foi só para eu encarangar com a janela aberta ao frio de -8ºC (a propósito, lembra da previsão do tempo no post anterior? Esquece).

Te espero terça que vem, tio da batata, me aguarde...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

E quando a gente acha que vai começar a esquentar...

O dia amanhece assim:

De Mais inverno

De Mais inverno

De Mais inverno

De Mais inverno

p.s.: Para a próxima semana, previsão de temperatura positiva todos os dias!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Imersão para TOEFL

Como aconteceu com o TestDaF, tenho prova do TOEFL no dia 13/2 e vou mergulhar nos livros.

Reconheço que este blog está meio chatinho... por enquanto vai indo assim, aos trancos, mas prometo que a partir do dia 14/2 a coisa engrena de novo.

Ah... e vá preparando seu coração para um evento inesquecível: O carnaval de Colônia!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Boletins na DW-Rádio em Janeiro

14 de janeiro - manhã
Estudo do Ipea indica que Brasil pode erradicar pobreza extrema em 2016 - aos 18'40''

17 de janeiro - noite
Programa Juventude em Foco - O programa começa aos 13'12''. Fiz a locução e uma matéria que começa aos 16'25'' sobre o ensino obrigatório de História da África nas escolas brasileiras .

19 de janeiro - manhã
Organizações internacionais denunciam danos da GDF Suez no Rio Madeira - aos 24'00''

21 de janeiro - noite
Pescadores da Baía de Sepetiba vão à Alemanha protestar contra ThyssenKrupp - aos 13'35''

24 de janeiro - noite
Programa Juventude em Foco, locução. O programa começa aos 14'38''

25 de janeiro - manhã
Fórum Social Mundial mudou a mentalidade do mundo, dizem líderes sociais, aos 10'30''

26 de janeiro - noite
Entrevista com Leonardo Boff sobre Fórum Social Mundial, aos 20'31''

27 de janeiro - manhã
Justiça Federal dá sentenças favoráveis à construção das usinas do Rio Madeira, aos 19'29''

27 de janeiro - noite
Manuel Zelaya deixa embaixada brasileira em Tegucigalpa, aos 23'40''

28 de janeiro - noite
Brasil compra 83 milhões de vacinas contra vírus da Gripe A, aos 19'15''

31 de janeiro - Noite

domingo, 31 de janeiro de 2010

O fenômeno do inverno em Brühl

Nunca vi tantos vizinhos como agora em Brühl. Por uma razão misteriosa as pessoas parecem ficar mais ativas no frio. Várias luzes de janelas acesas, gente na rua, crianças, jovens fazendo festinhas, gente vendo TV. É uma alegria.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Arroz, feijão e bife acebolado

Trá-lalá... como sou feliz.

A consulta no médico

Segunda-feira passada chegou pelo correio a minha krankenversicherungskarte, que nada mais é do que o cartão-do-seguro-de-saúde.

Aqui na Alemanha, o seguro de saúde é obrigatório para quem ganha até 5 mil e poucos euros por mês. Acima disso, a Cristina estava me explicando, é facultativo, mas a maioria das pessoas têm.

O meu é obrigatório, naturalmente. E como não é barato, resolvi marcar exames de rotina.
Cheguei na hora marcada e fiquei 45 minutos na sala de espera - algo lhe soa familiar? A vantagem é que a médica morou em São Paulo e fala português, bem querida.

Marquei os exames e descobri que estou na faixa etária mais cara da Alemanha. Não sou jovem o suficiente para ter desconto no transporte, nem velha o suficiente para fazer exames gratuitos.

Mensch...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Barzinho com música ao vivo: o conceito alemão

Em outubro fui num bar bem bacaninha com uns amigos do couchsurfing. Tinha coquetel, o ambiente era legal, mas a música vinha de caixas de som. Aí a Francis pensou alto: "ah, bem que podia ter música ao vivo aqui, né, ainda não vi ninguém tocando em bares em Colônia."

Foi o suficiente para a experiência "música ao vivo" virar um acontecimento. Depois de dois meses planejando, quando voltei, o pessoal me convidou pra ir no tal bar. De fato era um bar com música ao vivo, só que o bar ficava de um lado e a música do outro, em uma sala de espetáculos separada, onde a gente ficava em pé ouvindo, como um show. Quem estava tocando era um brasileiro.

Foi bizarro. O cara tinha uma guitarra com todas as cordas desafinadas de propósito. Ele cantava samba e MPB à Caetano Veloso e, nas pausas dos compassos, chacoalhava as cordas da guitarra fazendo ruídos ensurdecedores - imagine um menino de 5 anos brincando de ACDC com uma guitarra de verdade. Meus amigos alemães definiram como música impressionista.

Eu achei uma droga.

Na pausa, fomos para o subsolo, onde uma banda inglesa estava tocando baladinhas de comédia romântica. Bem melhor, mas ainda em pé. Antes das 22h30, o show acabou.

Fim.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ok. Tá frio.

Ontem saí com uns amigos em Colônia e cheguei em Brühl às 23h.
Na frente do castelo Augustusburg, o catavento colorido girava insandecido com a ventania, que veio graciosamente acompanhada de uma garoa, ora de neve, ora de chuva. Como perdi as minhas luvas em Basel, ao longo do caminho precisava escolher entre manter a mão no bolso ou segurar o capuz. O nariz, a mão do capuz e as pernas ficaram dormentes.

Em casa, o Weather Channel confirmou: -7ºC
E pensar que em Berlim esta semana fez -21ºC...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

português versus português

Sabe como chama trem em Portugal? Comboio.
E ônibus? Autocarro.
E xícara? Xávena.
E talvez? Se calhar - se calhar a gente se encontra hoje à noite.
E se uma coisa foi muito bacana ela é...? Gira. Esse CD é muito giro, o pá.
Esse "o pá" eles usam pra tudo, mesmo.

E hoje o moçambicano Daniel veio me perguntar o que é "baque".

Estás a ver?

sábado, 23 de janeiro de 2010

Olimpíadas domésticas de inverno: o aquecedor

Todo mundo faz cara de apavorado quando os termômetros marcam -10ºC, mas na verdade aqui a gente só sente frio quando está na rua, porque dentro de casa, no trabalho, no supermercado ou no restaurante, é sempre 20ºC.

No meu apê, em cada cômodo tem um aquecedor de ferro branco em forma de sanfona que dá pra regular a temperatura de 6ºC a 24ºC.

Mas como tudo mais na Alemanha, manter a casa quentinha exige um método. A Anne-Rose me deu um cursinho de capacitação em operação de aquecedores quando cheguei. As regras são simples:

1) Todas as portas de todos os cômodos devem ficar fechadas para economizar energia (particularmente, acho um saco).

2) Ao sair de casa, devo ajustar os aquecedores para a temperatura mínima - para economizar energia.

3) Depois de tomar banho, tenho que abrir totalmente a janela e passar o rodinho nas paredes para tirar o excesso de água, senão cria mofo. Sem esquecer de desligar previamente o aquecedor, é claro, para economizar energia.

4) Quando chego em casa à noite, devo desligar todos os aquecedores e abrir as janelas para arejar a casa por cinco minutos. A Anne-Rose me sugeriu usar o timer do fogão para controlar os cinco minutos (!). E eu uso (!).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Piadinha verídica

A brasileira e a portuguesa estavam no trem para Wuppertal (elas me pediram para não revelar seus nomes... risos). Conversando para se conhecerem, a brasileira disse:

- Ah, no Brasil eu vivia de bicos.
- Não fales isso! - disse a portuguesa apavorada, olhando em volta.

Aí a brasileira descobriu que em Portugal fazer bico é fazer sexo oral.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Imagens do inverno

Inverno


Tirei essas fotos na primeira semana que cheguei. Final de semana passado a neve derreteu toda e o mundo voltou a ter cores... risos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Escorregou na sua calçada, a culpa é sua.

Saiu na página da DW em Português semana passada. Achei genial. Destaque para os trechos:

Ao amanhecer, depois de uma nevasca noturna, os alemães vão para as ruas com suas pás coloridas e começam a retirar a camada branca e congelada que cobre as calçadas e as trilhas. A ação é para impedir que alguém escorregue.

(...) se alguém escorregar numa calçada, quem paga a conta é o dono do imóvel. E não é pouco: principalmente se ficar provado que houve desacato às normas que regulamentam a retirada da neve e do gelo.

Caso alguém escorregue no gelo, nem sempre o dono do imóvel precisa indenizar a vítima. Se o tombo for às três da manhã, por exemplo, o custo fica exclusivamente a cargo do convênio médico. (...) em geral a obrigação de manter a calçada livre da neve vai das sete da manhã às oito da noite.

E quando o proprietário está de férias, ou tenha ele mesmo escorregado numa calçada e esteja de cama? As leis alemãs chegam a este nível de detalhe: nesse caso, o dono do imóvel tem que incumbir outra pessoa de cuidar da calçada em seu lugar.

Risos...

Leia a matéria completa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fátima Tchumá Camará, de Guiné-Bissau para o mundo

Minha colega de estágio chegou na DW dois meses antes de mim e foi embora 13 dias depois de eu chegar. Conversamos, de fato, umas duas vezes, mas a história de vida da Fátima me impressionou.

Aos 32 anos, casada e mãe de três filhos, o mais novo de 7 meses, o mais velho de 7 anos, ela saiu de casa no dia 16 de novembro e só deve voltar no dia 4 de fevereiro.

A Fátima mora com o marido, os filhos e uma sobrinha em Bissau, capital da Guiné-Bissau, na costa leste africana. O país tem mais ou menos 1,5 milhão de habitantes e sérios problemas de infra-estrutura. Na casa da Fátima não tem energia elétrica, a televisão e a geladeira funcionam com gerador a diesel.

Ela trabalha na Rádio Nacional há sete anos. Faz reportagem e grava boletins sem acesso a internet, e quem edita as matérias são técnicos em máquinas analógicas. A média de salário de um jornalista lá, ela me contou, é de 70 euros. Começou há pouco o curso de Comunicacao Organizacional e Marketing na Universidade de Bissau, onde o marido, jurista, tornou-se reitor no ano passado.

Pertencente à etnia Fula, muçulmana praticante, mas não fundamentalista, como ela própria se define, é casada por amor com um homem da etnia Cassanga, animista não praticante. Na Guiné-Bissau não temos conflitos entre etnias nem religiões, diz ela.

Seu pai morreu em 1998, no último dia da guerra civil com uma bala perdida, quando levava o café da manhã para a família que estava refugiada em um bunker do Ministério da Saúde. A mãe mora com seus outro cinco irmãos. Eram seis, mas uma irmã morreu aos 29 anos de uma doença repentina.

A primeira vez que Fátima veio à Alemanha foi no ano passado, para fazer um curso sobre jornalismo ambiental na DW Akademie. Além do trabalho na Rádio Nacional, ela também colabora com a Televisão Pública de Angola, TPA, e é membro da Associalção dos Jornalistas da África Ocidental.

Ela já esteve em Portugal, Senegal, Gâmbia, Níger, Burquina Fasso, Abidjã e Líbia. Este ano ainda vai a Cabo Verde e em janeiro a Brasília, como membro da Comissão da Conferência Internacional Infanto-Juvenil, Vamos Cuidar do Planeta - Brasil 2010.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Olimpíadas domésticas de inverno: lavar a roupa

Se você lavar a roupa e estender na rua a -2ºC ela vira pedra, me explicou a Anne-Rose, dona do apartamento que eu alugo. O que fazer? Calma, você está na Alemanha, e eles têm um plano detalhado para tudo.

A minha máquina de lavar não fica dentro de casa, como no Brasil, fica no porão, junto com todas as máquinas do prédio - são nove apartamentos -, e nesse porão existe um varal. Mas não pense que você pode ir simplesmente estendendo a sua roupa onde bem entender.

Existe uma tabela para conhecimento de todos, dividindo o uso do varal interno. Uma semana para cada dois moradores. A minha foi a semana passada. Vou poder estender lá embaixo de novo daqui duas semanas. O horário vai de uma segunda-feira à tarde até a segunda seguinte pela manhã.

E nesse meio tempo? Melhor não lavar roupa. Lave só as peças pequenas e estenda dentro do apartamento.

A Anne-Rose me disse que se eu lavasse as roupas no sábado, na segunda de manhã estariam secas - olha a situação. Assim fiz, e como eles tem produtos especiais para lavar as roupas de inverno, sempre orgânicos, a roupa não ficou com cheiro ruim.

Ah, die Deutsche...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Matéria no programa Juventude em Foco de 10 de janeiro

Meu boletim foi sobre o programa de incentivo do time de futebol FC Köln para que os jovens jogadores não deixem os estudos. Está aos 18'45''


Primeira matéria na DW-Rádio!

Meu primeiro boletim na DW-Radio em Português saiu no programa matutino do dia 8 de janeiro. A matéria começa aos 19 minutos e 50 segundos.

Clínica de recuperação de Verbos

Quando fui morar em Florianópolis, em 2001, para me integrar na nova cultura comecei a usar o "você", coisa que no Rio Grande do Sul ninguém fala e, se fala, soa estranhíssimo. Lá usamos o tu mal conjugado na fala informal - tu viu, tu fez -, e bem conjugado na fala e em textos formais - tu viste, tu fizeste. Ainda tem gente que quer falar bonito e conjuga errado: tu fizestes.

Enfim, quando o "você" entrou na minha vida, o meu português virou uma salada. Um pouco de tu bem conjugado, um pouco de tu mal conjugado e outro tanto de você, não conjugado - isso na língua falada, claro, e na internet. Textos de verdade eu escrevo direitinho, risos.

Agora entre portugueses, guineenses, moçambicanos e cabo-verdianos, para quem o você é ainda mais entranho do que para os gaúchos, tenho voltado a usar o tu e a conjugar os verbos direitinho. E nada de comer o início das palavras: é "estou" e não "tô".

Se o alemão vai melhorar nessa nova temporada, eu não sei, mas o português, vai.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cortes de carne na Alemanha

Ano passado eu entrevistei István Wessel, da Wessel Culinária & Carnes, e ele me falou que carne é a coisa mais difícil de se comprar no exterior. É verdade, porque além dos nomes, os cortes são diferentes. Procurei os nomes alemães para as carnes que eu costumo comprar no Brasil. Como os cortes são diferentes, a correspondência é aproximada, tá, gente. Este blog está virando um livro de receitas... risos.

Alcatra = Kugel/Nuß
Cochão-mole = Oberschale
Contrafilé = Roastbeef
Filé mignon = Filet/Lende
Maminha = Unterschale/Kluft
Paleta = Schulter/Blatt mit dickem Blattstück, falschem Filet
Picanha = Hüfte

Para conferir, dá uma olhada nas fotos:


p.s.: Este post é um oferecimento da série "O que fazer sozinha em casa quando o voo do seu namorado foi cancelado por causa da neve."

Strogonoff - 2ª tentativa

Eu trouxe a batata palha do Brasil desta vez, mas acabei esquecendo o creme de leite. Não sei como aconteceu, eu comprei creme de leite especialmente para trazer. Cheguei a cogitar uma conspiração, alguém abriu a minha mala e tirou o creme de leite de lá - é proibido transportar carne, leite e respectivos derivados no avião - mas o leite condensado veio, então não sei o que houve.

Lá vai a Francis ao supermercado de novo procurar um similar. Em vez de comprar às cegas, aluguei a funcionária. Disse que queria uma "Schlagsahne" (nata batida), mas sólida, não líquida, para fazer strogonoff - ela tinha uma vaga noção do que fosse.

Ela primeiro me sugeriu "Saure Sahne" (nata azeda), definitivamente não. Depois a Schmand, que pela tradução era creme de leite. Ok, levei pra casa. O gosto não é exatamente igual, é meio puxado pro de iogurte natural, o pote é igual ao de iogurte, mas no fim deu certo.

Resultado: Schmand substitui o nosso creme de leite (na comida, não recomendo para doces). A batata palha tem que importar, não tem jeito. E a carne tem que ser de bife rolê (Roulade) mesmo.

Missão strogonoff cumprida!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Brigadeiro de fogão elétrico

Escaldada com os desastres culinários da temporada passada na Alemanha, resolvi pesquisar no Google como fazer brigadeiro no fogão elétrico. Pelos relatos do Blog da Lu e Oi Toronto, as perspectivas não eram nada animadoras.

Paciência, bora pro fogão. Escolhi o bico onde sempre esquento o leite e liguei no número 2 (teoricamente o "fogo" médio). Coloquei lá uma colher de sopa de manteiga, uma lata de leite condensado e sete colheres de sopa de chocolate em pó Milka (foi a coisa mais parecida com Nescau que encontrei no supermercado Rewe).

Mexe, mexe, mexe... depois de uns 20 minutos ele começou a desgrudar do fundo - opa, tá dando certo. Fiquei na dúvida se estava no ponto, tive medo de queimar e desliguei. Cinco minutos na sacada pra congelar e uma noite na geladeira (na sacada viraria pedra).

Hoje de manhã, meu brigadeiro estava no ponto de meleca. Nem duro o suficiente para fazer bolinha, nem mole para comer como mingau. Estava esticando, que nem puxa-puxa de melado, sabe? Achei melhor colocar em taças.

O gosto e a textura ficaram ok. Mais 5 minutos cozinhando e ele teria ficado perfeito, acho. Na próxima eu acerto!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Considerações sobre o frio

Essa semana a temperatura média em Bonn e Brühl foi de -5ºC. Pra dizer a verdade, não notei muita diferença entre o zero grau e os -5. E também não passei mais frio do que já senti na caçamba de uma camionete em São José dos Ausentes, na Serra Gaúcha - pelo menos duas pessoas no mundo sabem do que eu estou falando -, ou seja, é um "muito frio" tolerável.

Os alemães costumam dizer que não existe tempo ruim, apenas roupa inadequada. Meu figurino diário tem sido: meia calça fio 40, meia grossa, calça jeans, camiseta de algodão, blusa segunda pele, blusa de lã de gola alta, casaco até o joelho, cachecol e botas.

Os pés ficam sempre gelados, isso é um fato que a pessoa tem que aceitar. A parte da perna entre a bota e o casaco, idem. Em compensação, o peito e o pescoço ficam quentinhos, até debaixo de neve, como peguei pela primeira vez hoje em Bonn.

A neve, aliás, é um parágrafo à parte. Ela não é comportada que nem a chuva, que cai de cima para baixo e respeita o guarda-chuva. Não. Os flocos são como plumas, voam na horizontal e parecem que escaneiam a gente em busca de frestas no casaco. Quando tocam na pele são tão gelados que chega a dar um choque.

O pessoal hoje estava comentando que vem uma nevasca forte no domingo. Eu vou estar em casa, bem quentinha...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Supermercado - uma nova abordagem

Pela primeira vez fui de carro ao supermercado na Alemanha. A Ute se ofereceu para me levar em casa, então achei melhor já fazer meu ranchinho. Me dei ao luxo de pegar um carrinho - sim, porque quando estou a pé vou só de cestinha, para não perder a noção do peso que vou ter que carregar. E pra melhorar ainda fui com apoio técnico. O marido da Ute precisava comprar umas coisas também e me ajudou a escolher a carne e a achar as coisas nas prateleiras.

Na hora de passar no caixa não existem sacolas. As compras vão do carrinho para a esteira e de volta para o carrinho. No carro há dois cestos modulados no porta-malas, os produtos vão ali pra dentro e dali pra casa.

Bah! Meu trauma de supermercado até passou.

Ano novo, bolsa nova

Daqui a pouco começo meu estágio na Rádio Deutsche Welle para os países de Língua Portuguesa. Se o meu português já ficou meio esquisito por causa do alemão - quando cheguei em casa eu conseguia falar tudo tão fácil e rápido que comecei a engolir os plurais, à Lula -, não vou me admirar se daqui a pouco começar a falaire cmo se stivess em Prtgal.

E ainda têm as histórias verídicas. A Regina, da redação online, contou que estava conversando com uma portuguesa sobre seus respectivos filhos até que ela, nascida no Nordeste, perdeu a paciência:

"Ocê pare de chamar o meu bichinho de puto!"

E a portuguesa:

"E tu vês se paras de chamar meu puto de bichinho!"

Piadinhas à parte, tenho muito a aprender sobre Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Portugal. É melhor apertar os cintos, porque o mundo vai ficar maior!

Você está a ouvir a Rádio Deutsche Welle - A voz da Alemanha.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Chega de férias

A partir de hoje o blog volta à ativa. E de cara nova pra receber 2010! Espero que o novo layout agrade... a foto mostra a Catedral de Colônia e a ponte sobre o Rio Reno. Não moro nem trabalho em Colônia, mas por ser a minha cidade do coração (e ter fotos melhores do que Bonn e Brühl), foi a eleita para o título do Denke Ich...

Minha passagem pelo Brasil foi agridoce. Matei as saudades da minha família, comi arroz, feijão e bife até saltar pelos olhos, fui à praia e vi muitas pessoas importantes pra mim.

Por outro lado, tive a tristeza de perder um primo muito querido. Em menos de dois meses ainda perdi meus dois gatos e não consegui estar com todas as pessoas que eu queria.

Não consegui ver o pessoal do Aikido, nem meu amigo Carlos Rosasse. Não tomei cerveja com o Mariano no Mercado Público, nem com o Juliano na Trindade. Não consegui me reunir com o pessoal da faculdade, não joguei vôlei de praia com a Simone no Riozinho nem sinuca com a Bell.

A todos os amigos que "deixei na mão", peço desculpas. Não tive exatamente férias nesse tempo. Trabalhei nas três primeiras semanas (culpa da Deborinha) e depois acompanhei meu primo no hospital.

Quando me dei conta, 2009 se foi e eu estava em Congonhas, esperando pelo voo outra vez. Aquele aeroporto é como um rito de passagem, uma transição entre a realidade no Brasil e na Alemanha. Passo tanto tempo em trânsito que quando chego é como se tivesse saído do limbo.

Buenas, cá estamos novamente. A Alemanha nos recebeu a -1ºC, monocromática e coberta de neve.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

The best of...

Como a galeria está com mais de 3.000 fotos, resolvi fazer uma coletânea:
Alemanha 2009 - Melhores momentos

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tá, e daí?

O Denke ich... está entrando em férias. Fico no Brasil até o Ano Novo e depois volto para mais três meses de estágio na Deutsche Welle em Bonn, desta vez na redação da rádio em português para a África.

Depois desses quatro meses na Alemanha, cheguei à conclusão de que a primeira impressão não é a que fica. Apesar de no início a adaptação ter sido difícil, acabei me acostumando com a minha casa, minha rotina, fiz amigos e, quando voltei da Espanha primeiro para Düsseldorf e depois para o Brasil, tive a sensação de estar duplamente em casa.

Por outro lado, sinto que nunca mais vou me sentir 100% em casa outra vez. Quando estiver lá vou sentir saudades das coisas daqui e vice-versa. Outras pessoas me disseram que sentem o mesmo, e, ao que parece, esse é um processo sem volta. Mas essa não é uma sensação ruim, é só diferente. No voo da Tam para Floripa vi uma propaganda que dizia "Não é o lugar que nos faz sentir em casa. São as pessoas."

Minha casa ficou maior.

Bis bald!

O blog bombou!

Estou me organizando para deixar o Denke ich... de férias até eu voltar para a Alemanha, depois do Ano Novo. Fiz um balanço de encerramento com as estatísticas do Google Analytics e o blog, que foi criado como um hobby, acabou se tornando um projeto muito bem sucedido.

Desde 1º de julho, quando cheguei na Alemanha, até hoje, 18/11, o Denke ich... recebeu 6.151 visitas em 46 países!

Tudo bem que tem blogueiro que recebe mais visitas do que isso por dia, mas pra um blog pessoal e amador, fiquei toda faceira.

Muito obrigada aos que me leram de vez em quando por aqui. Espero que vocês tenham se divertido com o Denke ich... tanto quanto eu!

Um pouquinho de Brasil, ia-iá...

Cheguei em casa. O Brasil me recebeu com uma fila colossal na alfândega e oito horas de espera pela minha conexão para Florianópolis. E daí? Pelo menos tem pão de queijo. Comi dois.

Jornada ao fim da Terra

Cheguei ao Cabo Finisterre, na costa atlântica da Espanha, com três objetivos claros:

1) Queimar uma blusa que usei na peregrinação em 2002 - ritual de renovação executado por todos os peregrinos que decidem terminar seu Caminho em Finisterre.

2) Encontrar uma concha vieira - símbolo do Caminho de Santiago.

3) Assistir ao pôr-do-sol.

As coisas não saíram exatamente como o programado.

Antes do descobrimento da América, no tempo em que se achava que a Terra era plana, o Cabo de Finisterre era o ponto mais ocidental da Europa, e o mais longe que se podia chegar no mundo conhecido. No horizonte, estava o fim da terra, um penhasco infinito por onde o mar derramava e onde o sol morria todos os dias.

Muitos séculos antes de ser uma rota católica, o caminho que leva a Santiago de Compostela já era percorrido pelos celtas, que vinham até a costa espanhola para assistir ao sol mergulhar nas águas do Atlântico.

O Sol deve ter achado o fim do mundo muito longe para me acompanhar, pois desembarquei em Finisterre sob um céu de nuvens cinzentas e gorduchas. Não era o azul que eu esperava, mas também não era nada da tempestade que tinham me prevenido. E o mar que batiza a região de Costa da Morte, por causa das ondas que chegam a 8 metros de altura e jogam navios contra os rochedos, era um manso lago azul. Sorte média, vai...

Passei no supermercado para comprar um bocadillo de jamón para o almoço e fósforos para o ritual de renovação. Fui a pé até o farol e olhei para o fim do mundo. O vento estava de arrastar a gente. Encontrei uma pedra mais ou menos protegida, tirei a blusa da mochila e me preparei para a fogueira.

Sonho meu. Risquei uma caixa de fósforos inteira e o máximo que consegui foi um furinho de 2mm na blusa. Uma das coisas que aprendi durante o Caminho era a não me queixar e ficar feliz por as coisas serem exatamente como são. Já que a blusa não quer pegar fogo, continuo eu mesma. Paciência.

O pessoal que trabalha no farol disse que seria quase impossível eu encontrar uma concha vieira nos dias de hoje, melhor seria comprá-la em uma das lojinhas do povoado. Decidida a não falhar na missão número 2 de jeito nenhum, fui a pé até a praia do outro lado do pueblo, a uns 7 km do farol e vi pessoas colhendo conchas. Há muitas, me disse uma mulher. As pessoas no farol me disseram que não existiam por costume. Às vezes as pessoas têm tanto medo de falhar que colocam o “não” como pressuposto e deixam de tentar qualquer coisa.

Trouxe três vieiras comigo.

Última parte da missão: pôr-do-sol. Antes das seis da tarde o tempo evoluiu para um “parcialmente nublado” e me toquei para o farol de novo. Cheguei a tempo de ver frestas alaranjadas nas nuvens, mas era óbvio que não seria possível ver o sol. Fazer o quê? Fiquei feliz de não ter pego a tempestade.

Estava feliz de ter chegado ao Km Zero do Caminho de Santiago, mas ainda volto a Finisterre para ver o sol.

Veja as fotos:
Finisterre

Santiago de Compostela 7 anos depois

Bastou pisar na Praça do Obradoiro para perceber que eu continuo no mesmo Caminho. A última vez que estive em Santiago de Compostela foi no dia 5 de julho de 2002, depois de caminhar mais de 800 km desde a França. Dessa vez cheguei de avião, mas o Caminho era o mesmo.

Eu estava com as mesmas botas e a mesma mochila da minha peregrinação, então as pessoas achavam que eu tinha recém terminado o Caminho de Santiago. Se diz que depois de percorrer o Caminho uma vez, somos para sempre peregrinos, então não me constrangi de ser confundida com um.

Fiquei mais de uma hora dentro da catedral e tirei todas as fotos que tive vontade - na última vez vim com câmera de filme. O pórtico onde os peregrinos colocam a mão e dizem “Senhor, eu creio”, como símbolo do final do Caminho, estava interditado. Tirei fotos dos cinco buracos profundos que peregrinos desde mil anos esculpiram no mármore. Somos como água que bate na pedra, pensei...

Em Madrid soube que o Seminário Menor, onde eu tinha dormido da última vez estava fechado desde 1 de novembro. Fiquei preocupada de não encontrar lugar para dormir e cheguei até a pensar em cancelar a viagem. Aí me lembrei que sou peregrina, botei a mochila nas costas e o pé na estrada. Tudo sempre dá certo.

Ainda hoje Santiago me apronta das dele. Eu já ia para a saída da cidade em busca de outro albergue quando achei melhor voltar até o centro de informações turísticas. Uma peregrina estava lá para saber como chegar à Corunha. Ela era alemã e está no Caminho há cinco meses. Começou na porta de casa, perto de Colônia, conheceu os picos a Europa, foi a Finisterre e agora está voltando para casa, quer chegar até o Natal.

Eu já ia saindo quando ela me convidou para o jantar dos peregrinos no Parador dos Reis Católicos. Eu tinha lido no livro do Máqui - que fez o Caminho em 1990 - que todas as noites os primeiros 10 peregrinos a chegar tinham direito a uma refeição gratuita no hotel de luxo. Em 2002 eu nem tentei, porque a chance de ser uma dos dez primeiros era remota. Dessa vez, fui de penetra e jantei de graça no parador.

Sete anos depois eu estava em uma mesa com seis peregrinos, dormi no refúgio do Monte do Gozo e até ganhei um sello (carimbo) no meu livrinho de anotações, já que não tinha a minha credencial. Foi como se o tempo não tivesse passado.

Gracias, Santiago.

Veja as fotos:
Santiago de Compostela

“Ay me voy otra vez, ay te dejo Madrid...”

Madrid continuava vermelha como em 2002, mas eu não lembrava que era tão árida. A região é cortada por uma serra pedregosa que vai de Portugal até o Mediterrâneo, segundo me contou o Nas. É linda.

Fiquei na casa de um casal de velhos amigos, a Ana e o Nas, (a amizade é velha, eles, não... eheh). Eles me levaram para conhecer toda a cidade, o que foi muito intenso, porque o Nas é uma enciclopédia ambulante, e aprendi muito sobre Madrid. (Obrigada, queridos!). Visitei o Museu do Prado, conheci o parque onde os madrilenhos passam as tardes de domingo e almocei em um restaurante brasileiro com churrasco, arroz, feijão e farofa. Foi a glória.

Algumas coisas mudaram por lá. No aeroporto de Barajas agora é proibido fumar (ainda bem que não fumo mais), mas tem área reservada para fumantes, e por toda a Espanha bares e restaurantes penduram na janela a plaquinha: “Se permite fumar”. Lei é lei, cultura é cultura.

Veja as fotos:

Madrid

Um sofá em Paris

Quando aterrissei no aeroporto Paris Orly recebi um SMS da Mailys, couchsurfer que me hospedou durante quatro dias. A mensagem veio com o endereço, a senha para entrar no condomínio e os clássicos dizeres “as chaves estão debaixo do capacho”. Eu ri.

Ela é amiga do François, então cheguei com uma espécie de salvo conduto, mesmo assim a confiança me surpreendeu. Na verdade a Mailys me deu muito mais do que um sofá, deu um quarto só para mim, me emprestou um notebook com internet e – pasme – tinha um carregador para o celular que o Roby me emprestou em Roma (só me dei conta de que não tinha como carregar o aparelho quando já estava no avião).

Paris é uma das cidades mais bonitas que já conheci. A maioria dos pontos turísticos está ao longo do Rio Sena, então se pode ver desde o Arco do Triunfo até a Catedral de Notre Dame – passando pelo Museu do Louvre – de uma das dezenas de pontes que existem no centro da cidade. E a torre, linda, se vê praticamente de qualquer lugar.

A previsão do tempo marcava chuva para os quatro dias que estive em Paris, e para os dias em Roma também, mas se eu tive uma hora de chuva ao todo foi muito (sortuda de uma figa). O François diz que eu carrego o sol comigo, porque o tempo sempre melhora quando eu chego, diz ele. Verdade ou não, o fato é que o sol me acompanhou na maior parte da viagem, a despeito dos institutos de meteorologia.

As fotos já estão na galeria. Vou tentar colocar todas as legendas este ano ainda... eheh

Paris

Como ele sabia?

Eu perdida, pra variar, entrei num café para perguntar o caminho para o Pantheon em Paris. Falei a única coisa que consigo dizer em francês sem gaguejar:

- Pardon, je ne parle pas français, parlez vous anglais?

O tio do bar:

- Brésil?

Eu:

- Ja!

Ele me mostrou o caminho e andei os 500 metros até o Pantheon com duas perguntas martelando na cabeça: Como ele sabia que eu era brasileira? E por que eu respondi em alemão?

Mitos e verdades sobre Paris

Mito: Os parisienses são mal educados. Eu pedi informação para muitas pessoas e todas me trataram muito bem. E não tive dificuldade para falar inglês com ninguém.

Verdade: Paris é cara. Eu paguei 7,5 euros por quatro pilhas, uma facada. As benditas duraram só um dia e acabaram no exato momento em que eu cheguei à Torre Eifel. A Coca-Cola de 200 ml custa 4 euros, assim como o café. E é como na Itália, se você toma no balcão, é um preço, mas se senta à mesa, pode sair bem mais caro. As velas – que na Alemanha custam 0,50 centavos e no supermercado 0,05 – em Notre Dame saem por 2 euros, com a provocativa plaquinha: “pratique a sua devoção”. Sei... aí eu tava lá economizando cada centavo, quando me chega um menino da Unicef com uma lista para assinar. Assinei e, quando vi, tinha que pagar. Gastei mais com a Unicef do que com o meu almoço. Scheisse...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Passei no TestDaF!!

AAAAAAAAAAAAAAA!!!

Passei!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ir a Roma e não ver o Papa

Já que estar em Roma e não visitar o Bento XVI é como ir a Roma e não ver o Papa, levantamos cedo no domingo (depois da festa de Haloween) e nos tocamos pro Vaticano. chegamos lá 5 minutos depois que o Papa tinha ido embora. A bênção dura só 20 minutos, a maior mordomia...

Falando honestamente, eu não gosto muito desse papa, entao foi bom chegar atrasada, assim me poupou um gesto de hipocrisia. Sem contar que no final daquele dia vi coisa muito melhor.

Fomos ao Giardino degli Aranci, jardim no alto de um morro com vista panorâmica de Roma
. Três ou quatro bandos de pássaros faziam a maior algazarra para encontrar um galho para dormir. Eles voavam em ondas, ora mergulhando, ora formando bolhas gigantescas de pontinhos pretos no ar. O barulho eu imagino que se podia ouvir a quilômetros. O sol estava se pondo, e fiquei uma boa meia hora assistindo ao voo sincronizado contra o céu cor-de-laranja.

Aí pensei: Quem precisa do Papa quando se pode ver Deus?

Veja as fotos:
Roma

Siciliano maledeto!

Às vezes eu me sinto constrangida por ter tanta sorte. Em Roma tive a alegria de conhecer, através do portal CouchSurfing, um siciliano chamado Roby Sorte. Uma semana antes de viajar, depois de mandar algumas mensagens sem sucesso pedindo sofás, escrevi para a comunidade "CS Roma - SOS Last Minute" e recebi mais de uma dezena de mensagens de pessoas se oferecendo para me hospedar.

Escolhi o Roby Sorte, porque ele ia estar com outros amigos e foi um dos poucos que me escreveu sem uma cantada intrínseca. E também porque o sobrenome dele me pareceu um sinal. O Roby foi meu anjo da guarda em Roma. Me buscou no aeroporto, me levou pra conhecer a cidade inteira, pra comer massa e pizza baratinhas, me apresentou um escritor e me fez perder uns dois quilos de tanto dar risada. Sem ele meus dias em Roma não teriam sido tão fantásticos. E o sofá nem era dele, pousamos um dia na casa de uma amiga dele e outros dois na casa de outra amiga. Todo mundo muito gente boa.

O siciliano era hilário, assim, do tipo Jim Carey (ele levava uma bisnaga com apito no bolso pra dar susto nas pessoas). Ele é coordenador de grupos de intercâmbio do Programa Erasmus Mundus e da AIESEC. E como bom siciliano, a primeira coisa que fez foi me dar uma carteirinha falsa da Erasmus pra eu entrar de graça em uma festa de Halloween - aliás, uma das melhores festas que já fui na vida. Eta povo que sabe se divertir, esse.

Aí como eu tinha esquecido meu celular na Alemanha, o Roby me emprestou o segundo dele - com crédito - para eu levar até o final da minha viagem. Agora me diz, quando alguém que te conheceu anteontem vai te emprestar o próprio celular por duas semanas para você mandar depois de volta pelo correio para a Sicília? Ele falou: "Pode levar, você precisa mais do que eu".

Grazie mille, amico!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Última matéria na DW... foi pra capa!

Fechei meu estágio na redação brasileira online da Deutsche Welle de uma forma muito especial. Hoje à tarde minha entrevista com a ex-ministra do Meio Ambiente e provável futura candidata à presidência Marina Silva entrou na página como artigo principal do dia.

















Viva!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Preparativos para a Eurotrip

Já estou de malas prontas. Amanhã é meu último dia aqui na redação Online da Deutsche Welle. Quinta vou para a Ute e sábado embarco para a Itália. Consegui lugar para ficar em Roma e em Paris pelo CouchSurfing, com um pessoal muuuito gente boa.

Ah, tenho uma ressalva sobra as companhias aéreas baratas. Meu voo pra Roma é pela Ryanair, e o aeroporto fica a 150 km da minha casa, então vou ter despesas extras para ir até lá, fora a mão-de-obra. Não sei se o preço compensou...

Dia 14 de novembro embarco para o Brasil. Chego na Ilha Mágica às 17h do dia 15/11. Aí serão seis semanas de férias e em janeiro volto para cá.

Mas antes disso espero ter muita coisa boa pra contar!

Próxima parada: Halloween em Roma!

Neve no topo da Alemanha!

Neste final de semana estivemos em Munique, na tradicional Baviera, que é algo como o Rio Grande do Sul da Alemanha. A cidade é linda de tirar o fôlego.

Mas o MAIS FENOMENAL de tudo foi irmos ao Zugspitze, o ponto culminante da Alemanha, nos Alpes, com 2.963 m de altitude. Vi neve pela primeira vez, tava que nem criança.

Foi em um dos dias mais bonitos do ano, segundo nos contaram uns tios que moram lá perto. Sol, pouco vento, tudo branco... e nem tava tão frio assim. Acho que fez -1ºC, mas a sensação térmica era de um inverno normal. Foi também o primeiro dia da temporada de esqui deste ano. Eu até que tentei...

Tem zilhões de fotos no álbum.

Antes de voltarmos pra casa, fizemos uma visita à Nova Pinacoteca, com obras de arte do século 18 ao século 20. Vi originais de Monet, Manet, van Gogh, Cezàne, Rembrant, Goya, Picasso... ah, fala sério.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bom dia, Berlim

As pessoas me falavam que quando eu conhecesse Berlim, não ia querer mais saber de nenhuma outra cidade na Alemanha. Er... Berlim é bem grande, bonita, tem muitos museus, parques, História, gente de todo tipo e tal. Mas também achei meio underground demais pro meu gosto, meio cinza, suja.

Dizem que lá é bom porque tem de tudo. Bem, eu não preciso de tudo, então os berlinenses que me desculpem, mas meu coração ainda bate por Colônia... eheh.

Estive lá no final de semana passado, fiquei na casa do Gabriel. Foi muito legal, andamos o centro todo de bicicleta, comemos Bratwurst na banquinha da calçada, tirei quase 300 fotos (aliás, já estão no álbum). Sábado à noite ainda encontrei o Mariano Senna, meu ex-chefe na agência de notícias AmbienteJA, e tomamos uma cerveja num barzinho de música brasileira.

Fui e voltei com aquele site de caronas que eu tinha falado, o Mitfahrgelegenheit. Na ida fui com outras três meninas num Golf. Andamos a maior parte do tempo seguramente acima dos 200 km/h.

Na volta, um momento de tensão. A carona que eu tinha combinado furou e tive que achar outra em cima da hora. Depois de uns dez "desculpe, já está lotado", consegui um lugar.

Só que o motorista tinha nome turco - me falaram que os turcos em Berlim são meio estranhos, totalmente diferentes dos turcos da Turquia ou de outras partes da Alemanha -, aí o Gabriel pra mim: "Se tiverem três turcos no carro, não te deixo entrar." Risos.

Passamos o dia naquela agonia e, quando chegamos, o motorista era super gente boa, de origem turca - mas acho que nasceu na Alemanha, porque falava alemão perfeitamente -, estava viajando com a irmã e levando mais um guri alemão de carona. O carro era um Mercedes Classe Não-sei-o-quê que só faltava levantar voo. Banco de couro, painel de mogno, uns 30 metros quadrados de espaço interno, luzinhas nos frisos das portas, era o ICE das caronas. O Gabriel pra mim: "tu tens mais sorte do que juízo mesmo."

Eu: "Eu sei."

Missão dada é missão cumprida

Só fui terminar o relatório, lógico, na terça-feira, prazo final. Acordei às 4h da manhã e trabalhei direto sem pausa pro almoço até 19h30.

Mandei pra Ute e ela me respondeu dizendo que ficou "maravilhosamente inspirado" e que os erros de ortografia e gramática - que devem ser zilhões, porque não deu tempo de pedir pra ninguém revisar - são bem simples de resolver.

Ufa.

Pra eu ficar completamente feliz, agora só falta uma resposta positiva do TesDaF semana que vem. rezarezarezareza...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O relatório

Tenho que escrever um relatório sobre a minha experiência na Alemanha para o livro da Fundação Heinz-Kühn. São dez páginas em alemão. Sorte que eu já escrevi praticamente tudo no blog, fica mais fácil de lembrar. Tenho que entregar até terça-feira. Desejem-me sorte.

p.s.: E neste final de semana... Berlim! (+ previsão de chuva e frio)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Conclusões sobre -2ºC

Não foi tão ruim quanto eu esperava. Notas:

1) Meia calça de malha + meia de algodão + bota = pés gelados
2) Meia calça de malha + calça jeans = pernas geladas
3) Camiseta de algodão + segunda pele + básica de lã + casaco de pêlo + cachecol = peito, costas e pescoço quentinhos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CouchSurfing, o paraíso dos mochileiros

É muito simples, você coloca seu sofá à disposição de viajantes do mundo inteiro e pode "surfar" no sofá deles também.

Me registrei há algumas semanas no CouchSurfing e achei o projeto muito, muito bacana. A idéia da rede de intercâmbio de mochileiros não e só se hospedar de graça na casa dos outros, mas fazer turismo de verdade, estar na casa de alguém que mora lá, conhecer realmente o lugar.

Não é obrigatório oferecer um sofá para surfar em um, e também não precisa necessariamente se hospedar na casa de alguém para fazer parte do projeto.

Semana passada, por exemplo, eu fui em um encontro semanal do pessoal do CS em Colônia. Tinha umas 40 pessoas, alemães e estrangeiros, todo mundo super bacana, com espírito de viajante. Conheci umas meninas alemãs muito gente boa.

Achei mais uma tribo.

Não estou rindo, estou sorrindo

Aconteceu no sábado, em um bar típico alemão em Colônia. Fui no banheiro e na saída sorri pro tio da limpeza. Ele se indignou:

- Qual é a graça?
- Como?
- Qual é a graça? Do que você tá rindo?
- (!?) Eu não estou rindo, estou sorrindo para o senhor...
- Ah, obrigado - ele baixou a cabeça e respondeu baixinho.

Essa é a prova de que não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. Fiquei com pena do velhinho.

Para entrar em uma discoteca em Bonn você tem que implorar

Fomos na última sexta-feira e foi bem estressante. Só conseguimos entrar na terceira que tentamos, e isso porque eu perdi a paciência e discuti com o cara.

Em Bonn eles olham pra você e decidem se vão deixar entrar ou não. O problema é que geralmente estamos em grandes grupos, e eles não gostam.

Na sexta saímos do happy hour do Goethe pra ir dançar, éramos pelo menos 15 pessoas, a maioria homens e com cara de árabe, aí já viu. Na terceira tentativa, o cara disse que estava lotado. Falamos que a maioria era estudande, aque aquilo era um absurdo e tal, aí o cara: "Ah, vocês são estudantes? Então podem entrar."

Entramos e estava vazio, só nós lá dentro. Pagamos caro e saí de lá fedendo a cigarro.

Não, não, muito obrigada. Da próxima vez fico no bar tomando a minha Kölsch.

Adoradora do Sol

Comecei a desenvolver um costume estranho aqui. Como é tão comum o tempo estar nublado e chuvoso, cada vez que abre uma fresta na nuvem eu corro para a janela, pra ganhar um beijo do sol.

Essa semana acho que ele vem nos visitar todos os dias. Viva!