sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O insulto e a redenção
Fim de semana fui a uma grande loja de artigos esportivos em Colônia. Adoro aquela loja. A única coisa que não gosto é a dificuldade de transitar pelos andares, porque as escadas são escondidas, então sobra apenas um elevador panorâmico.
Corri para dentro quando o elevador abriu a porta, semi-lotado, e só então notei o senhor japonês que estava esperando na minha frente. Ele ficou parado me olhando sério, segurando a mão de um menino de uns seis anos.
Senti a maior vergonha do mundo e me ofereci pra sair e dar lugar a eles, mas ele disse que não precisava - além do mais eu já estava causando tumulto suficiente entre os passageiros (se diz passageiro pra elevador?).
Saí da loja uma meia hora depois ainda me martirizando por ter passado na frente do senhor e do menino. Pra amenizar a vergonha, e na esperança de ser perdoada, comentei com meu namorado quando já estávamos no meio da rua:
"Ah, tudo bem, eles eram japoneses. Eles são um povo nobre."
Foi quando um jovem japonês que caminhava à nossa frente - e que eu não tinha visto - se virou, sorriu pra mim e acenou com a cabeça.
Me redimi.
Corri para dentro quando o elevador abriu a porta, semi-lotado, e só então notei o senhor japonês que estava esperando na minha frente. Ele ficou parado me olhando sério, segurando a mão de um menino de uns seis anos.
Senti a maior vergonha do mundo e me ofereci pra sair e dar lugar a eles, mas ele disse que não precisava - além do mais eu já estava causando tumulto suficiente entre os passageiros (se diz passageiro pra elevador?).
Saí da loja uma meia hora depois ainda me martirizando por ter passado na frente do senhor e do menino. Pra amenizar a vergonha, e na esperança de ser perdoada, comentei com meu namorado quando já estávamos no meio da rua:
"Ah, tudo bem, eles eram japoneses. Eles são um povo nobre."
Foi quando um jovem japonês que caminhava à nossa frente - e que eu não tinha visto - se virou, sorriu pra mim e acenou com a cabeça.
Me redimi.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Glossário para o cabeleireiro
Eu moro na Alemanha há quase três anos e nunca fui ao cabeleireiro. Primeiro porque não confio muito nos alemães quando o assunto é beleza (pronto, falei). Segundo porque é caro. Terceiro porque as tesouras são baratas e eu corto em casa.
E principalmente porque eu não saberia explicar o que eu quero que eles façam no meu cabelo. Se você também tem esse problema, vai gostar deste post. Aqui vai um glossário de termos para o cabeleireiro:
Alinhar = angleichen
Arredondar = abrunden
Corte em camadas =Stufenschnitt, Stumpfschnitt (mais suave)
Cortar na diagonal = schräg schneiden
Cortar, lavar e secar = schneiden, waschen und fönen
Dar mais volume = den Haaren mehr Volumen geben
Deixar do mesmo comprimento = auf gleiche Länge bringen
Desbastar = ausdünnen
Fazer escova lisa = glätten, glattbürsten, glattkämmen
Fazer luzes = Strähnchen
Pintar = sich die Haare färben lassen
Repartir do lado esquerdo/direito = Den Scheitel bitte links/rechts
Virar o cabelo pra dentro ou pra fora = außenrollen, innenrollen
Brilho = Glanz
Cachos = Hängelocken
Franja = Pony
Franja oblíqua = schräger Pony
Raspado a militar = Meckifrisur
Topete = Bombage-Schnitt
Trança = Zopf
Bobes = Wickler
Escova = fönen, Fönfrisur
Queda de cabelo = Haarausfall
Tiara = Stirnband
Toca para luzes = Strähnenhaube
E principalmente porque eu não saberia explicar o que eu quero que eles façam no meu cabelo. Se você também tem esse problema, vai gostar deste post. Aqui vai um glossário de termos para o cabeleireiro:
Alinhar = angleichen
Arredondar = abrunden
Corte em camadas =Stufenschnitt, Stumpfschnitt (mais suave)
Cortar na diagonal = schräg schneiden
Cortar, lavar e secar = schneiden, waschen und fönen
Dar mais volume = den Haaren mehr Volumen geben
Deixar do mesmo comprimento = auf gleiche Länge bringen
Desbastar = ausdünnen
Fazer escova lisa = glätten, glattbürsten, glattkämmen
Fazer luzes = Strähnchen
Pintar = sich die Haare färben lassen
Repartir do lado esquerdo/direito = Den Scheitel bitte links/rechts
Virar o cabelo pra dentro ou pra fora = außenrollen, innenrollen
Brilho = Glanz
Cachos = Hängelocken
Franja = Pony
Franja oblíqua = schräger Pony
Raspado a militar = Meckifrisur
Topete = Bombage-Schnitt
Trança = Zopf
Bobes = Wickler
Escova = fönen, Fönfrisur
Queda de cabelo = Haarausfall
Tiara = Stirnband
Toca para luzes = Strähnenhaube
Sugestões e/ou correções são bem-vindas :)
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Meu primeiro artigo publicado em alemão
Minha primeira matéria impressa em alemão fala sobre microcrédito. No ano passado, participamos de uma conferência de escolas de jornalismo na Alemanha: "Bildkorrekturen - Globale Finanzkrise und Entwicklung". Durante o evento me pediram para escrever uma matéria sobre microcrédito no Brasil. O artigo abaixo foi publicado na revista da GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit). Clique na imagem para ler o original.
domingo, 23 de outubro de 2011
No ritmo do sol
Lá vem o inverno. Hoje de manhã fui pro estúdio apresentar o Jornal da Manhã da Deutsche Welle às 7h15 e ainda estava escuro na rua. Do lado de fora, 3ºC.
A duração dos dias na Alemanha varia muito mais do que no Brasil, onde o sol se põe às 18h no inverno e às 20h no verão.
Aqui, no verão o sol nasce pouco depois das 5h da manhã - embora às 4h já comece a clarear -, e se põe quando já são quase 22h. Nunca me esqueço do meu primeiro dia na Alemanha. Era verão, e como o corpo da gente funciona conforme a natureza, só fui ter fome depois que escureceu - e que já estava tudo fechado.
No inverno a história inverte. Hoje, 23 de outubro, o sol nasceu às 8h07. Desde a última atualização do Denke ich... eu já perdi duas horas de sol - o que significa que o blog ficou abandonado tempo demais, sorry.
Quando acabar o horário de verão, no dia 30 de outubro, ganharemos uma hora de luz de manhã. Mas já teremos um pouquinho menos de sol à tarde. Hoje, por exemplo, ele deve se pôr às 18h24. No dia 30, vai se pôr às 17h11... aliás, nesse dia a diferença de fuso com o Brasil vai ser só três horas. #eba
Mas o dia mais curto do ano será 21 de dezembro, o solstício de inverno. O sol vai nascer às 8h31 e se pôr às 16h28. Dali pra frente ganhamos dois minutos de sol por dia até o solstício de verão, em 21 de junho, quando o vai nascer às 5h18 e se pôr às 21h48. Claro que no Brasil a lógica - e os solstícios - são invertidos.
Na Alemanha daqui pra frente vai esfriar e escurecer. Até já reorganizei meu guarda-roupa. Como ele só tem uma porta, tenho que escolher o que guardar. Então as roupas de inverno foram para as prateleiras, e as de verão já voltaram pra mala.
Para quem se interessa pelo ritmo do sol como eu, no site Timeanddate.com é possível calcular a hora exata do nascer e do pôr-do-sol em qualquer lugar, dia e ano.
A duração dos dias na Alemanha varia muito mais do que no Brasil, onde o sol se põe às 18h no inverno e às 20h no verão.
Aqui, no verão o sol nasce pouco depois das 5h da manhã - embora às 4h já comece a clarear -, e se põe quando já são quase 22h. Nunca me esqueço do meu primeiro dia na Alemanha. Era verão, e como o corpo da gente funciona conforme a natureza, só fui ter fome depois que escureceu - e que já estava tudo fechado.
No inverno a história inverte. Hoje, 23 de outubro, o sol nasceu às 8h07. Desde a última atualização do Denke ich... eu já perdi duas horas de sol - o que significa que o blog ficou abandonado tempo demais, sorry.
Quando acabar o horário de verão, no dia 30 de outubro, ganharemos uma hora de luz de manhã. Mas já teremos um pouquinho menos de sol à tarde. Hoje, por exemplo, ele deve se pôr às 18h24. No dia 30, vai se pôr às 17h11... aliás, nesse dia a diferença de fuso com o Brasil vai ser só três horas. #eba
Mas o dia mais curto do ano será 21 de dezembro, o solstício de inverno. O sol vai nascer às 8h31 e se pôr às 16h28. Dali pra frente ganhamos dois minutos de sol por dia até o solstício de verão, em 21 de junho, quando o vai nascer às 5h18 e se pôr às 21h48. Claro que no Brasil a lógica - e os solstícios - são invertidos.
Na Alemanha daqui pra frente vai esfriar e escurecer. Até já reorganizei meu guarda-roupa. Como ele só tem uma porta, tenho que escolher o que guardar. Então as roupas de inverno foram para as prateleiras, e as de verão já voltaram pra mala.
Para quem se interessa pelo ritmo do sol como eu, no site Timeanddate.com é possível calcular a hora exata do nascer e do pôr-do-sol em qualquer lugar, dia e ano.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Terremoto em Bonn
Estava preparando o Jornal da Noite da Deutsche Welle com a Bettina Riffel e debatíamos indignadas alguma violação de direitos humanos quando senti minha cadeira dar um solavanco e, menos de um segundo depois, ouvi as portas do armário batendo.
Eu e a Bettina, que ainda estávamos no meio do papo inflamado, paramos e eu perguntei: isso foi um terremoto?
Pois foi. No início achei que podia ser só no prédio da DW, mas daí o marido da Bettina mandou um sms dizendo que tinha sentido o tremor em casa também.
A confirmação veio poucos minutos depois: às 21h02 um terremoto de magnitude 4,6 foi registrado no Estado da Renânia do Norte. O epicentro foi próximo à fronteira com a Holanda, a uns 150 km de Bonn.
Cheguei em casa e encontrei mais uma prova do terremoto:
Eu e a Bettina, que ainda estávamos no meio do papo inflamado, paramos e eu perguntei: isso foi um terremoto?
Pois foi. No início achei que podia ser só no prédio da DW, mas daí o marido da Bettina mandou um sms dizendo que tinha sentido o tremor em casa também.
A confirmação veio poucos minutos depois: às 21h02 um terremoto de magnitude 4,6 foi registrado no Estado da Renânia do Norte. O epicentro foi próximo à fronteira com a Holanda, a uns 150 km de Bonn.
Cheguei em casa e encontrei mais uma prova do terremoto:
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Não fique só no clique. Vá para as ruas!
Viver na Alemanha é trabalhar no dia 7 de setembro. Mas este ano, na verdade, eu queria estar no Brasil hoje não pelo feriado, mas para poder participar dos protestos contra a corrupção.
Depois de conhecer a realidade em outros países, é cada vez mais difícil de engolir o comportamento dos políticos brasileiros, que aceitam a corrupção como combustível da governabilidade e a consideram tão normal quanto as eleições.
Mas como eu não posso estar nos protestos, resolvi participar com ativismo online.
O Manifesto contra a Corrupção no Brasil, no Facebook convocou para hoje uma macha em várias cidades. Se você pode, participe! Quase 40 mil pessoas confirmaram participação no Facebook. O evento é um teste para o poder das redes sociais na mobilização dos brasileiros.
Não fique só no clique! Vá para as ruas!
Só com a nossa mobilização conseguiremos levar para frente a lei da Ficha Limpa. Só com pressão popular poderemos um dia proibir que os parlamentares reajustem seus próprios salários. Só se tomarmos uma atitude poderemos um dia vincular o salário dos parlamentares ao salário mínimo e lembrar os políticos para quem eles trabalham.
Os povos no norte da África tinham dificuldades muito maiores do que as nossas e conseguiram.
O Brasil também pode conseguir, só precisa parar de achar que "as coisas são assim mesmo".
As coisas só são assim porque nos conformamos. Mude!
Depois de conhecer a realidade em outros países, é cada vez mais difícil de engolir o comportamento dos políticos brasileiros, que aceitam a corrupção como combustível da governabilidade e a consideram tão normal quanto as eleições.
Mas como eu não posso estar nos protestos, resolvi participar com ativismo online.
O Manifesto contra a Corrupção no Brasil, no Facebook convocou para hoje uma macha em várias cidades. Se você pode, participe! Quase 40 mil pessoas confirmaram participação no Facebook. O evento é um teste para o poder das redes sociais na mobilização dos brasileiros.
Não fique só no clique! Vá para as ruas!
Só com a nossa mobilização conseguiremos levar para frente a lei da Ficha Limpa. Só com pressão popular poderemos um dia proibir que os parlamentares reajustem seus próprios salários. Só se tomarmos uma atitude poderemos um dia vincular o salário dos parlamentares ao salário mínimo e lembrar os políticos para quem eles trabalham.
Os povos no norte da África tinham dificuldades muito maiores do que as nossas e conseguiram.
O Brasil também pode conseguir, só precisa parar de achar que "as coisas são assim mesmo".
As coisas só são assim porque nos conformamos. Mude!
sábado, 3 de setembro de 2011
Mudando de assunto... credo
Até sair do Brasil, religião para mim era que nem time de futebol: cada um tem a sua e tá tudo bem. No meu caso, fui batizada na igreja católica antes de poder dizer qualquer coisa e assim fiquei, mas nunca precisei pensar muito no assunto.
Aliás, outro dia estava andando na rua em Bremen quando uma moça com a boca tapada pela gola da blusa me parou e fez a difícil pergunta: você acredita em Jesus Cristo? Eu fiquei olhando pra ela com cara de tacho e demorei tanto pra responder que ela virou as costas e foi embora.
Quando uma pessoa se muda para a Alemanha, precisa se inscrever na prefeitura e dizer de onde vem, o que faz, onde mora e... a que religião pertence. Na hora de me registrar, minha convicção religiosa não estava nos seus melhores dias, então achei melhor responder "nenhuma". Assim me livrei da hipocrisia e também - como vim a saber depois - dos 40 euros que a igreja católica descontaria por mês da minha conta bancária. Pois é, na Alemanha não basta ter fé, tem que participar.
Depois que vim morar na Europa, percebi o peso que a religião tem na vida das pessoas. Ser católico, luterano, muçulmano judeu ou o que for faz parte da ideia que as pessoas têm de você.
E de ver o quanto somos diferentes, percebo o quanto somos parecidos.Semestre passado no mestrado tivemos um painel de discussão no seminário Jornalismo em Crise e Conflito. Um dos convidados era o diretor da redação afegã da Deutsche Welle. Ele contou um pouco sobre a história do país e disse: "Quando os Talibãs tomaram o controle e instauraram uma interpretação radical da Sharia (lei islâmica), começou o período mais negro da história do Afeganistão."
Achei interessante - e irônico - que a idade das trevas coincida justamente com os períodos em que alguns homens tentam dominar outros em nome de algum deus, não importa em que século ou de que lado do mundo estejam.
Aliás, outro dia estava andando na rua em Bremen quando uma moça com a boca tapada pela gola da blusa me parou e fez a difícil pergunta: você acredita em Jesus Cristo? Eu fiquei olhando pra ela com cara de tacho e demorei tanto pra responder que ela virou as costas e foi embora.
Quando uma pessoa se muda para a Alemanha, precisa se inscrever na prefeitura e dizer de onde vem, o que faz, onde mora e... a que religião pertence. Na hora de me registrar, minha convicção religiosa não estava nos seus melhores dias, então achei melhor responder "nenhuma". Assim me livrei da hipocrisia e também - como vim a saber depois - dos 40 euros que a igreja católica descontaria por mês da minha conta bancária. Pois é, na Alemanha não basta ter fé, tem que participar.
Depois que vim morar na Europa, percebi o peso que a religião tem na vida das pessoas. Ser católico, luterano, muçulmano judeu ou o que for faz parte da ideia que as pessoas têm de você.
E de ver o quanto somos diferentes, percebo o quanto somos parecidos.Semestre passado no mestrado tivemos um painel de discussão no seminário Jornalismo em Crise e Conflito. Um dos convidados era o diretor da redação afegã da Deutsche Welle. Ele contou um pouco sobre a história do país e disse: "Quando os Talibãs tomaram o controle e instauraram uma interpretação radical da Sharia (lei islâmica), começou o período mais negro da história do Afeganistão."
Achei interessante - e irônico - que a idade das trevas coincida justamente com os períodos em que alguns homens tentam dominar outros em nome de algum deus, não importa em que século ou de que lado do mundo estejam.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Bonn instala parquímetro
para cobrar imposto de prostitutas
Como vocês já sabem, tudo na Alemanha é muito organizado. Pois a última de Bonn foi reprogramar um parquímetro para funcionar como caixa eletrônico de imposto sexual - pioneirismo nacional.
Antes de começar o expediente, as prostitutas das ruas da cidade precisam ir lá emitir o seu bilhete, no valor de seis euros.
O caixa eletrônico fica na Immenburgstrasse, a única rua de Bonn onde a prostituição é autorizada. E agora também taxada: quem for pego pela fiscalização sem o bilhete, que custa seis euros por noite, paga multa.
Antes de publicarmos a matéria na DW, seis jornais brasileiros já tinham dado a notícia. Ê, Brasil...
Leia o artigo completo na página da Deutsche Welle.
Antes de começar o expediente, as prostitutas das ruas da cidade precisam ir lá emitir o seu bilhete, no valor de seis euros.
O caixa eletrônico fica na Immenburgstrasse, a única rua de Bonn onde a prostituição é autorizada. E agora também taxada: quem for pego pela fiscalização sem o bilhete, que custa seis euros por noite, paga multa.
Antes de publicarmos a matéria na DW, seis jornais brasileiros já tinham dado a notícia. Ê, Brasil...
Leia o artigo completo na página da Deutsche Welle.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Tá pensando que piquenique é bagunça?
Sabe no Brasil quando a gente vai pra praia ou pro parque, leva uma canga, umas guloseimas na mochila, um suco na mão e era isso? Aqui na Alemanha não tem essas farofadas não, amigo. Piquenique é coisa séria.
E como tudo nesta terra coberta por batatas, o piquenique também é preparado segundo um método. Quado seu processo de germanização estiver quase completo, você provavelmente vai ter uma cesta como esta:
Eu, por enquanto, só tenho a toalha xadrez, que dobrada vira uma bolsinha prática de carregar. Até porque a cestinha aí custa uns belos cem euros - mais caro do que meu forno elétrico e meu microondas juntos.
Possivelmente tem também a roupa certa pro picnic (assim como aqui tem a roupa de correr, de andar de bicicleta, de andar de moto, de fazer trekking - calça de moleton nem pensar!), mas eu não sou tão in assim, então fico devendo a dica.
E como tudo nesta terra coberta por batatas, o piquenique também é preparado segundo um método. Quado seu processo de germanização estiver quase completo, você provavelmente vai ter uma cesta como esta:
Eu, por enquanto, só tenho a toalha xadrez, que dobrada vira uma bolsinha prática de carregar. Até porque a cestinha aí custa uns belos cem euros - mais caro do que meu forno elétrico e meu microondas juntos.
Possivelmente tem também a roupa certa pro picnic (assim como aqui tem a roupa de correr, de andar de bicicleta, de andar de moto, de fazer trekking - calça de moleton nem pensar!), mas eu não sou tão in assim, então fico devendo a dica.
domingo, 14 de agosto de 2011
Roma precisa de uma Marcha das Vadias
Amigos homens: quando forem a Roma, não façam como os romanos - pelo menos na maneira de tratar as turistas.
Estive em Roma pela primeira vez em 2009, como contei aqui no blog. Visitei a cidade guiada por um amigo italiano que conheci pelo CouchSurfing e amei tudo: as pessoas, os lugares, a comida. Voltei ao Brasil e conheci um romano em Floripa também pelo CS, gente boníssima, nos falamos até hoje.
Voltei a Roma este ano e a experiência foi totalmente diferente - e estressante. O que mudou? Desta vez eu não estava com um amigo homem, mas com três outras mulheres. E o fato de estarmos "desacompanhadas" parece ter feito os romanos - dos garçons aos policiais, passando pelos funcionários de museus - perderem totalmente a noção do respeito.
Andávamos na rua ouvindo gracinhas o tempo todo. E não eram galanteios ou cantadas divertidas. Era de "vem cá, amorzinho, que eu tenho uma coisa grande pra você" pra baixo. No Coliseu quase saí no braço com um safado.
Quanto estou com meu namorado ou com algum amigo, essas coisas nunca acontecem. Se o Sérgio - o amigo de Roma que conheci em Floripa - estivesse conosco, por exemplo, nada de mais teria acontecido. E pensar nisso me deixa ainda mais revoltada. Por que só merecemos respeito quando há um homem por perto?
Acho que Roma precisa de uma Marcha das Vadias, a SlutWalk, movimento que começou em abril, no Canadá, depois de um policial de Vancouver dizer que as mulheres não deviam se vestir como vadias se não quisessem ser estupradas.
A SlutWalk quer mostrar aos homens que o fato de uma mulher usar uma saia não dá ao homem o direito de agredi-la sexualmente.
Estive em Roma pela primeira vez em 2009, como contei aqui no blog. Visitei a cidade guiada por um amigo italiano que conheci pelo CouchSurfing e amei tudo: as pessoas, os lugares, a comida. Voltei ao Brasil e conheci um romano em Floripa também pelo CS, gente boníssima, nos falamos até hoje.
Voltei a Roma este ano e a experiência foi totalmente diferente - e estressante. O que mudou? Desta vez eu não estava com um amigo homem, mas com três outras mulheres. E o fato de estarmos "desacompanhadas" parece ter feito os romanos - dos garçons aos policiais, passando pelos funcionários de museus - perderem totalmente a noção do respeito.
Andávamos na rua ouvindo gracinhas o tempo todo. E não eram galanteios ou cantadas divertidas. Era de "vem cá, amorzinho, que eu tenho uma coisa grande pra você" pra baixo. No Coliseu quase saí no braço com um safado.
| Meu vestido e meu cabelo solto não são um convite |
Quanto estou com meu namorado ou com algum amigo, essas coisas nunca acontecem. Se o Sérgio - o amigo de Roma que conheci em Floripa - estivesse conosco, por exemplo, nada de mais teria acontecido. E pensar nisso me deixa ainda mais revoltada. Por que só merecemos respeito quando há um homem por perto?
Acho que Roma precisa de uma Marcha das Vadias, a SlutWalk, movimento que começou em abril, no Canadá, depois de um policial de Vancouver dizer que as mulheres não deviam se vestir como vadias se não quisessem ser estupradas.
A SlutWalk quer mostrar aos homens que o fato de uma mulher usar uma saia não dá ao homem o direito de agredi-la sexualmente.
sábado, 13 de agosto de 2011
De volta à lida
Voltei das férias. O verão mal chegou e já se foi. E como rapadura é doce, mas não é mole, tá na hora de voltar ao trabalho, aos estudos para as provas em setembro - e ao blog.
E pra tirar a poeira do Denke Ich..., que tá grossa, já vou começar agosto com polêmica. Mas não agora porque tenho que dormir cedo - tô de plantão.
Amanhã eu conto.
E pra tirar a poeira do Denke Ich..., que tá grossa, já vou começar agosto com polêmica. Mas não agora porque tenho que dormir cedo - tô de plantão.
Amanhã eu conto.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Rammstein - mais especulações sobre o nome
Lembra que em agosto de 2009 eu publiquei o post O que significa Rammstein? Pois eu descobri mais sobre essa história, de novo com a preciosa colaboração de Johannes Beck. Na verdade o nome tem um significado, sim. Mas prepare-se para abstrair:
O nome da banda primeiro faz um trocadilho com a palavra Rammbock, que era um equipamento usado nas guerras antigas e medievais para derrubar os portões dos castelos, como isto:
O nome da banda primeiro faz um trocadilho com a palavra Rammbock, que era um equipamento usado nas guerras antigas e medievais para derrubar os portões dos castelos, como isto:
O segundo trocadilho, como comentei no primeiro post, é com a cidade de Ramstein (com um M só). A cidade abriga uma base militar norte-americana onde, em 1988, três jatos italianos colidiram em um show, matando mais de 50 pessoas. E a primeira música da banda foi sobre essa tragédia.
Então, tentando seguir o raciocínio - não exatamente equilibrado - da banda, Rammstein seria como um Rammbock em Ramstein.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
O preço do desenvolvimento
A coisa que mais me revolta no mundo é injustiça. A segunda é hipocrisia. E ambas sentam à mesa conosco praticamente todos os dias. Estou falando disso porque semana passada descobri alguns dados intrigantes sobre sonegação de impostos em países pobres.
A quantidade de dinheiro desviado de países africanos para paraísos fiscais como a Suíça, Liechtenstein ou as Ilhas Jersey, por exemplo, equivale a dez vezes o valor "doado" pela Europa à África como "ajuda humanitária e para o desenvolvimento".
Discutimos isso durante o Global Media Forum, em um painel organizado pela ONG alemã ATTAC. E falamos sobre o tamanho do dano que essas operações - legais aos olhos do livre mercado - causam aos países em desenvolvimento, enquanto os suíços constroem resorts nos Alpes e se escondem atrás da fajuta neutralidade.
No painel estava um cidadão de Gana que trabalhou para várias empresas que montam sedes fantasmas em paraísos fiscais para não pagar impostos nos países onde de fato produzem. E ele contou que o processo é muito simples.
As empresas fecham contratos com os produtores para que lhes forneçam matéria-prima a baixo preço durante, por exemplo, três anos. Com os contratos, os produtores não podem cobrar mais pelo produto, mesmo que o preço no mercado internacional tenha subido vertiginosamente. De fato o preço geralmente sobe, porque depois de fechar os contratos com os produtores, essas empresas especulam nas bolsas internacionais para fazerem o valor dessa matéria-prima subir.
E provavelmente os juros que eu recebo pela minha poupança têm parte desse dinheiro, porque os bancos alemães, assim como todos os outros, usam o nosso dinheiro para especular no preço das commodities.
É por essas e outras que o preço dos alimentos dispara, como aconteceu em 2008, levando mais de 100 milhões de pessoas no mundo a passar fome. Os países mais pobres geralmente são grandes produtores de monoculturas e precisam importar a maior parte do que comem, o que os deixa vulneráveis á flutuação de preços internacionais.
Eu escrevi tudo isso para dizer: Os países em desenvolvimento não precisam de ajuda humanitária. Precisam de justiça.
A quantidade de dinheiro desviado de países africanos para paraísos fiscais como a Suíça, Liechtenstein ou as Ilhas Jersey, por exemplo, equivale a dez vezes o valor "doado" pela Europa à África como "ajuda humanitária e para o desenvolvimento".
Discutimos isso durante o Global Media Forum, em um painel organizado pela ONG alemã ATTAC. E falamos sobre o tamanho do dano que essas operações - legais aos olhos do livre mercado - causam aos países em desenvolvimento, enquanto os suíços constroem resorts nos Alpes e se escondem atrás da fajuta neutralidade.
No painel estava um cidadão de Gana que trabalhou para várias empresas que montam sedes fantasmas em paraísos fiscais para não pagar impostos nos países onde de fato produzem. E ele contou que o processo é muito simples.
As empresas fecham contratos com os produtores para que lhes forneçam matéria-prima a baixo preço durante, por exemplo, três anos. Com os contratos, os produtores não podem cobrar mais pelo produto, mesmo que o preço no mercado internacional tenha subido vertiginosamente. De fato o preço geralmente sobe, porque depois de fechar os contratos com os produtores, essas empresas especulam nas bolsas internacionais para fazerem o valor dessa matéria-prima subir.
E provavelmente os juros que eu recebo pela minha poupança têm parte desse dinheiro, porque os bancos alemães, assim como todos os outros, usam o nosso dinheiro para especular no preço das commodities.
É por essas e outras que o preço dos alimentos dispara, como aconteceu em 2008, levando mais de 100 milhões de pessoas no mundo a passar fome. Os países mais pobres geralmente são grandes produtores de monoculturas e precisam importar a maior parte do que comem, o que os deixa vulneráveis á flutuação de preços internacionais.
Eu escrevi tudo isso para dizer: Os países em desenvolvimento não precisam de ajuda humanitária. Precisam de justiça.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Alemanha para inglês ver
De uns tempos para cá tenho observado alguns comportamentos interessantes na sociedade alemã. E como o Denke ich... não tem a menor intenção de ser chapa-branca, escrevo. Uma das coisas que me surpreendeu é ver o quanto os alemães se preocupam com as aparências.
O escândalo envolvendo o ex-ministro da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg, que se descobriu ter plagiado sua tese de doutorado, é um ótimo exemplo disso. A deputada do Parlamento Europeu Silvana Koch-Mehrin também teve seu título de doutora cassado recentemente por plágio. Para muitas pessoas neste país, ostentar um título de doutor é mais importante do que fazer a pesquisa. Aliás, na Alemanha, o título de doutor é incorporado ao nome próprio.
Eu lembro uma vez no final do ano passado quando fomos a uma conferência perto de Munique e um dos palestrantes era um brasileiro que morava nos Estados Unidos e trabalhava no Banco Mundial. Quando ele chegou, a moça na recepção chamou-o de "Doutor Fulano" e ele ficou todo sem jeito, dizendo "não precisa me chamar de doutor, imagina". Aí eu perguntei se ele tinha feito doutorado e ele respondeu que sim. Eu expliquei a ele que os alemães não sabem lidar muito bem com humildade, e que se ele pedisse pra não ser chamado de doutor, provavelmente iriam pensar que ele não tem doutorado – e reduzir o grau de deferência.Na minha interpretação, essas diferenças de comportamento estão profundamente ligadas a fatores socioeconômicos dos dois países. No Brasil, onde apenas 10% da população têm curso superior, os doutores não costumam sair por aí se gabando do seu título, para não parecerem esnobes e constrangerem as pessoas com menor grau de escolaridade.
Na Alemanha, 43% da população têm nível superior. E as que não têm, em tese, poderiam ter, se quisessem. Então em um país onde todo mundo está mais ou menos em pé de igualdade, o resultado são mais cotoveladas por um lugar ao sol. E quem não consegue ser, tenta pelo menos parecer.
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