Rádio Bonn: sempre de bom humor

Esqueça tudo o que você já leu ou ouviu sobre os alemães serem frios, sérios, mal humorados etc.

O slogan da programação matutina da Rádio Bonn-Rhein-Sieg é "gut gelaunt in den Tag", que se pode traduzir como "comece o dia de bom humor".
Apresentadores Frank Wallitzek e Volker Gross
A programação musical é muito boa, os apresentadores são ótimos, e a cada meia hora, como é comum nas rádios alemãs, tem um bloco de notícias.

Clique aqui para ouvir ao vivo pela internet.

Eu escuto e recomendo a quem estiver aprendendo alemão e quiser ouvir a língua sem ser aos berros, como nos filmes da Segunda Guerra.

E não, ninguém me pagou pra fazer propaganda. Trocadilhos à parte, meu destino é ser uma blogueira franciscana...


O sossego de domingo

Acabo de descobrir que é proibido cortar grama no domingo. Mal eu liguei o cortador, a vizinha veio correndo dizer para eu por favor não fazer aquilo, senão a polícia ia acabar batendo ali em casa.

Aí descobri que o barulho no domingo é proibido por lei, de acordo com o tal Sonntagsruhe (o sossego de domingo), que também regula o trabalho aos domingos - em geral proibido.

Pela lei, além de não poder cortar a grama, aos domingos eu também não posso realizar nenhuma atividade barulhenta, como botar pregos na parede, despejar vidros no contêiner de vidros, etc. A Baviera é o estado onde a lei é mais rígida, por ser também o estado mais católico do país.

Aliás, cortar grama é uma atividade estritamente controlada. Só pode de segunda a sábado, das 9h às 13h e das 15h às 17h.

Ligar a furadeira às 7h30 da manhã pode.
Ah, Deutschland. ¬¬

Moto versus bicicleta

Depois de quase quatro anos morando num país, a capacidade de se surpreender e reconhecer diferenças entre duas culturas vai diminuindo, e às vezes é preciso ver através dos olhos dos outros pra enxergar as coisas.

Por exemplo, uma das coisas que genuinamente espantaram meu namorado na primeira vez que ele foi ao Brasil – junto com as cercas elétricas e o risco permenente e iminente de levar choque no chuveiro – foi o número de motoqueiros nas estradas, e como eles dirigem entre os carros, de shorts e camiseta.

Aqui na Alemanha – e na França, de onde ele vem – a moto é usada mais por esporte do que como meio de transporte. E os motoqueiros estão sempre de calças e jaquetas de couro ou outro material resistente, para proteger o corpo do motorista em caso de queda.

Aí fiquei pensando, na Alemanha moto é esporte, e bicicleta é meio de transporte. No Brasil é justamente o contrário. 


O romantismo germânico

Alemão é um bicho meio devagar quando se trata de amor. Há quem diga que os alemães vão entrar em extinção pela dificuldade em se relacionar. Não tive experiência própria, mas vários testemunhos e evidências.

Uma paquera alemã é algo que precisa de tempo para amadurecer. Duas pessoas que se gostam primeiro se olham durante um mês, até que uma das partes resolve dar um sorriso. Mais um mês de sorrisos até o primeiro "oi". Dois meses de oi até o primeiro "Na?", que é algo tipo "e aí?", e abre espaço para conversação. Chega-se na fase de sair juntos pra tomar um café, o que pode durar vários meses antes do primeiro beijo. Ou seja, uma pessoa precisa investir um bom tempo na outra antes de saber se afinal rola química ou não. Quando a resposta é não, começa tudo outra vez com o próximo pretendente. Schade!

Para dar um empurrãozinho, existe há muito tempo nos jornais locais – e mais recentemente nas redes sociais – um serviço de apoio a admiradores secretos. São pessoas que viram outras na rua, no trem, na biblioteca, se encantaram, mas não tiveram coragem de puxar papo na hora. Aí, mais tarde, escrevem para o jornal ou site em busca da pessoa amada. Algo assim:

"Estou à procura de um jovem de mais ou menos 20 anos do Friedrich-List-Berufskolleg em Bad Godesberg. Hoje você estava com um boné e pegou a linha 16 em direção à Plittersdorferstraße e desembarcou na estação central. Você estava jogando em um Galaxy S3 branco. Há meses eu tento descobrir o seu nome... por favor, entre em contato!"

Ou...

"Olá! Eu (homem, 24) te vi hoje em Bonn, nos cruzamos na porta do prédio na Riesengebirgsstraße 8. Você tem longos cabelos escuros e um rosto tão encantador! Você não me sai mais da cabeça, eu preciso te conhecer. Espero encontrar aqui alguém que possa me dizer quem você é! Vi você pegar o ônibus. Por favor, entre em contato!"

Mensagens assim são publicadas como quem lança uma garrafa ao mar e podem nunca ser lidas pela pessoa amada, mas os apaixonados tentam a sorte assim mesmo. E vez por outra as pessoas se encontram e ficam juntas.

No Facebook existem cinco centrais de mensagens amorosas só para Bonn: duas da cidade, duas da universidade e uma da biblioteca universitária.

Ficou curioso? Dá uma olhada:


Como transferir a carteira de motorista do Brasil para a Alemanha

Ontem passei na prova de direção e tirei minha carteira de motorista alemã. :-)

A carteira de motorista brasileira só vale na Alemanha durante os primeiros seis meses, depois disso, é preciso fazer uma alemã, pois a brasileira é considerada vencida no país - embora ainda seja válida para o resto da Europa.

As autoridades alemãs nos dão três anos para transferir a carteira para cá, fazer a chamada Umschreibung. Transferir significa que não precisamos fazer autoescola de novo, mas precisamos passar nas provas teórica e prática.

Tudo começa na prefeitura, onde você vai no Departamento de Trânsito e pede para transferir a sua carteira de motorista estrangeira. Eles te dão uma lista de documentos/procedimentos a providenciar. Mesmo sem precisar assistir a aulas, você precisa de um contrato com uma autoescola. Precisa também fazer tradução juramentada da sua carteira brasileira na ADAC, curso de primeiros socorros e teste de visão - os dois últimos a autoescola providencia.

Com tudo na mão, a prefeitura manda o seu cadastro para o TÜV, que vai analisar tudo e dizer a partir de quando você pode prestar as provas. Demora de quatro a seis semanas para receber o OK. Nesse tempo você vai se preparando.

Como o trânsito aqui é bem diferente do Brasil, eu decidi contratar uma "autoescola" online, o MyFuehrerschein.de. Por 30 euros, o usuário tem acesso a exercícios e provas simuladas durante seis meses. Para a prova eles escolhem 30 questões de cerca de 1.200 questões possíveis, e no site a gente passa por todas elas. Decoreba pura. Para mim foi ideal, estudei em casa e passei na prova sem nenhum erro. Aliás, a prova pode ser feita em qualquer língua europeia, inclusive português. Eu optei por fazer em alemão, porque achei mais fácil de entender do que o vocabulário de Portugal para o trânsito... risos.

Passando na prova teórica você pode fazer a prática, e mesmo não precisando e tendo mais de dez anos de experiência ao volante, eu decidi tomar umas aulas. Bem que eu fiz. Alemão é bicho mala, tudo tem que ser certinho.

Um exemplo clássico é o tal do Schulterblick, que é a olhada por cima do ombro que você tem que dar antes de virar à direita ou à esquerda para checar se não tem ninguém no seu ponto cego. Os alemães são obcecados pelo Schulterblick. Se não fizer toda vez, não passa. E tem uma ordem a ser seguida. Se você for dobrar à direita, tem que olhar:

1. Para frente
2. No retrovisor
3. No espelho lateral direito
4. Para frente outra vez
5. No espelho lateral direito outra vez
6. Shulterblick

NESSA ORDEM! Só então você pode virar ou trocar de pista.

E deus-o-livre dirigir acima da velocidade permitida dentro da cidade. No Brasil as pessoas reclamam quando tem radar em zona de 60km/h, né? Pois aqui tá cheio de radar nas áreas de 30km/h e 50km/h. Não tem perdão. Correr solto, só na Autobahn, e olhe lá.

O trânsito daqui também tem umas aberrações que no Brasil contribuiriam muito para o aumento no número de acidentes. Mas aqui dão certo.

Exemplos:

Se dois carros em sentidos opostos querem virar à esquerda num cruzamento, eles viram um na frente do outro. Assim:



Semáforo que fica verde pro trânsito e para os pedestres ao mesmo tempo. Assim:



Sinal vermelho que vale só para quem segue reto. Uma seta verde indica que quem virar à direita tem passagem livre. Assim:


Sem falar nos trens elétricos no meio da rua... Por isso decidir fazer aulas. Fiz cinco horas-aulas e passei de primeira na prova.

Ao todo eu gastei pouco menos de 800 euros para transferir a minha carteira, contando todas as taxas e aulas. Parece muito, mas é menos da metade do que se paga para tirar carteira de motorista aqui começando do zero.

E agora, como disse meu colega Jan: Leute, ruft die Kinder rein, Francis hat den Führerschein! =D

Ninjas do inverno

Manhã de quarta-feira, quatro graus negativos lá fora, mistura de chuva e neve -- que combina o molhado da chuva com o flutuar teleguiado da neve para dentro do seu casaco --, você tentando se enterrar dentro dos próprios ombros enquanto espera pelo ônibus e do seu lado passa quem? Um ciclista. Numa boa, como se estivéssemos na primavera.

Conheço muita gente -- inclusive amigos brasileiros ultra-adaptados, mas não vamos citar nomes ;-) -- que não deixa de ir pro trabalho de bicicleta por nenhuma condição meteorológica.

Aqui na Alemanha costuma-se dizer que não existe tempo ruim, mas roupa errada. Até porque se alguém for esperar tempo bom pra fazer alguma coisa, faz muito pouco.

Pois os ciclistas das baixas temperaturas também têm suas artimanhas. O primeiro truque são as roupas térmicas, também chamadas de funcionais, leves, que se bota por baixo. Levar um sapato extra pra quando chegar no trabalho ajuda a manter os pés secos e quentes. Luvas, cachecol, gorro e proteção extra para a orelhas também são indispensáveis (o nariz vai congelar, não tem jeito). Outra grande sacada é a capa de chuva especial para bicicletas que, segundo os experientes, protege mais da chuva/neve do que andar a pé de guarda-chuva.




Considerando o clima e todas as possibilidades de transporte público disponíveis, admiro a determinação dos ciclistas do inverno. Assim como se admiram triatletas, que a gente acha o máximo, mas nunca faria o mesmo...

Inscrições abertas para bolsa da Fundação Heinz-Kühn para jovens jornalistas


Pessoal, a fundação Heinz-Kühn está com as inscrições abertas para o programa de bolsas para jornalistas na Alemanha, e candidaturas brasileiras são bem-vindas.

O prazo oficial para se inscrever é até 30 de novembro, mas sei de fonte quente que se mandar até meados de dezembro ainda rola.

Precisa: ser formado em jornalismo, ter pelo menos um ano de experiência profissional, até 35 anos de idade e falar um pouquinho de alemão.

Eles oferecem: passagem de ida e volta, moradia, curso de alemão, estágio em um veículo de comunicação na Alemanha (geralmente na DW) e ajuda de custo de 700 euros por mês.

Para mais detalhes, acesse o site da Heinz-Kühn-Stiftung.

Lembra da revelação de foto em uma hora?

Pois é, não existe mais. Outro dia fui na DM* para imprimir umas fotos digitais, mas não queria aquela impressão express, em que a foto sai na hora, numa qualidade de doer. Aí selecionei a impressão premium, que, pensei, ficaria pronta em uma hora, como nos velhos tempos.

Máquinas de impressão expressa
Quando apertei o botão OK da máquina - ah, sim, é tudo self-service - saiu um cupom com um código. Nada de preço nem de hora da retirada. Li palavra por palavra pra me certificar. Não gosto muito de perguntar para funcionários, porque por aqui todo mundo acha que as pessoas nascem sabendo e aproveitam pra te dar nos dedos se o que você está perguntando já está escrito no papel.

Mas não teve jeito, tive que ir ao caixa perguntar. A mulher disse que as fotos ficariam prontas em até três dias úteis - isso foi na sexta passada. E eu: "Oi?" A moça no caixa percebeu que aquela não teria sido exatamente a minha escolha e aproveitou para me dar nos dedos:

"Quando você não sabe alguma coisa, tem que perguntar." Eu, cá comigo: "Ahã...".

Voltei hoje para buscar as fotos e descobri que:

1) Não existe mais revelação de uma hora. Ou você escolhe a expressa, que sai na hora, ou a especial, que demora três dias.

2) As fotos da impressão premium parecem tão ruins quanto as da impressão expressa. Deve ser a câmera.

* Não sei se eu já falei da DM. Tem em tudo que é canto aqui na Alemanha. É uma espécie de drogaria que vende produtos de higiene, limpeza, cosméticos, alimentação macrobiótica, energéticos - e por acaso também tem serviço de impressão de fotos digitais.

App bacana para transporte na Europa

Esses tempos baixei o Öffi, um aplicativo Android genial pra quem utiliza transporte público na Europa. Ele tem acesso ao sistema de transporte de dezenas de cidades em vários países (tem até de Bonn...) e mostra sempre o próximo ônibus/metrô/tram pra qualquer lugar. Em alguns países, ele informa também a malha de transportes regionais e de longa distância.


Para baixar o aplicativo no seu smartphone Android, clique aqui.