Tá, e daí?

O Denke ich... está entrando em férias. Fico no Brasil até o Ano Novo e depois volto para mais três meses de estágio na Deutsche Welle em Bonn, desta vez na redação da rádio em português para a África.

Depois desses quatro meses na Alemanha, cheguei à conclusão de que a primeira impressão não é a que fica. Apesar de no início a adaptação ter sido difícil, acabei me acostumando com a minha casa, minha rotina, fiz amigos e, quando voltei da Espanha primeiro para Düsseldorf e depois para o Brasil, tive a sensação de estar duplamente em casa.

Por outro lado, sinto que nunca mais vou me sentir 100% em casa outra vez. Quando estiver lá vou sentir saudades das coisas daqui e vice-versa. Outras pessoas me disseram que sentem o mesmo, e, ao que parece, esse é um processo sem volta. Mas essa não é uma sensação ruim, é só diferente. No voo da Tam para Floripa vi uma propaganda que dizia "Não é o lugar que nos faz sentir em casa. São as pessoas."

Minha casa ficou maior.

Bis bald!

O blog bombou!

Estou me organizando para deixar o Denke ich... de férias até eu voltar para a Alemanha, depois do Ano Novo. Fiz um balanço de encerramento com as estatísticas do Google Analytics e o blog, que foi criado como um hobby, acabou se tornando um projeto muito bem sucedido.

Desde 1º de julho, quando cheguei na Alemanha, até hoje, 18/11, o Denke ich... recebeu 6.151 visitas em 46 países!

Tudo bem que tem blogueiro que recebe mais visitas do que isso por dia, mas pra um blog pessoal e amador, fiquei toda faceira.

Muito obrigada aos que me leram de vez em quando por aqui. Espero que vocês tenham se divertido com o Denke ich... tanto quanto eu!

Um pouquinho de Brasil, ia-iá...

Cheguei em casa. O Brasil me recebeu com uma fila colossal na alfândega e oito horas de espera pela minha conexão para Florianópolis. E daí? Pelo menos tem pão de queijo. Comi dois.

Jornada ao fim da Terra

Cheguei ao Cabo Finisterre, na costa atlântica da Espanha, com três objetivos claros:

1) Queimar uma blusa que usei na peregrinação em 2002 - ritual de renovação executado por todos os peregrinos que decidem terminar seu Caminho em Finisterre.

2) Encontrar uma concha vieira - símbolo do Caminho de Santiago.

3) Assistir ao pôr-do-sol.

As coisas não saíram exatamente como o programado.

Antes do descobrimento da América, no tempo em que se achava que a Terra era plana, o Cabo de Finisterre era o ponto mais ocidental da Europa, e o mais longe que se podia chegar no mundo conhecido. No horizonte, estava o fim da terra, um penhasco infinito por onde o mar derramava e onde o sol morria todos os dias.

Muitos séculos antes de ser uma rota católica, o caminho que leva a Santiago de Compostela já era percorrido pelos celtas, que vinham até a costa espanhola para assistir ao sol mergulhar nas águas do Atlântico.

O Sol deve ter achado o fim do mundo muito longe para me acompanhar, pois desembarquei em Finisterre sob um céu de nuvens cinzentas e gorduchas. Não era o azul que eu esperava, mas também não era nada da tempestade que tinham me prevenido. E o mar que batiza a região de Costa da Morte, por causa das ondas que chegam a 8 metros de altura e jogam navios contra os rochedos, era um manso lago azul. Sorte média, vai...

Passei no supermercado para comprar um bocadillo de jamón para o almoço e fósforos para o ritual de renovação. Fui a pé até o farol e olhei para o fim do mundo. O vento estava de arrastar a gente. Encontrei uma pedra mais ou menos protegida, tirei a blusa da mochila e me preparei para a fogueira.

Sonho meu. Risquei uma caixa de fósforos inteira e o máximo que consegui foi um furinho de 2mm na blusa. Uma das coisas que aprendi durante o Caminho era a não me queixar e ficar feliz por as coisas serem exatamente como são. Já que a blusa não quer pegar fogo, continuo eu mesma. Paciência.

O pessoal que trabalha no farol disse que seria quase impossível eu encontrar uma concha vieira nos dias de hoje, melhor seria comprá-la em uma das lojinhas do povoado. Decidida a não falhar na missão número 2 de jeito nenhum, fui a pé até a praia do outro lado do pueblo, a uns 7 km do farol e vi pessoas colhendo conchas. Há muitas, me disse uma mulher. As pessoas no farol me disseram que não existiam por costume. Às vezes as pessoas têm tanto medo de falhar que colocam o “não” como pressuposto e deixam de tentar qualquer coisa.

Trouxe três vieiras comigo.

Última parte da missão: pôr-do-sol. Antes das seis da tarde o tempo evoluiu para um “parcialmente nublado” e me toquei para o farol de novo. Cheguei a tempo de ver frestas alaranjadas nas nuvens, mas era óbvio que não seria possível ver o sol. Fazer o quê? Fiquei feliz de não ter pego a tempestade.

Estava feliz de ter chegado ao Km Zero do Caminho de Santiago, mas ainda volto a Finisterre para ver o sol.

Veja as fotos:
Finisterre

Santiago de Compostela 7 anos depois

Bastou pisar na Praça do Obradoiro para perceber que eu continuo no mesmo Caminho. A última vez que estive em Santiago de Compostela foi no dia 5 de julho de 2002, depois de caminhar mais de 800 km desde a França. Dessa vez cheguei de avião, mas o Caminho era o mesmo.

Eu estava com as mesmas botas e a mesma mochila da minha peregrinação, então as pessoas achavam que eu tinha recém terminado o Caminho de Santiago. Se diz que depois de percorrer o Caminho uma vez, somos para sempre peregrinos, então não me constrangi de ser confundida com um.

Fiquei mais de uma hora dentro da catedral e tirei todas as fotos que tive vontade - na última vez vim com câmera de filme. O pórtico onde os peregrinos colocam a mão e dizem “Senhor, eu creio”, como símbolo do final do Caminho, estava interditado. Tirei fotos dos cinco buracos profundos que peregrinos desde mil anos esculpiram no mármore. Somos como água que bate na pedra, pensei...

Em Madrid soube que o Seminário Menor, onde eu tinha dormido da última vez estava fechado desde 1 de novembro. Fiquei preocupada de não encontrar lugar para dormir e cheguei até a pensar em cancelar a viagem. Aí me lembrei que sou peregrina, botei a mochila nas costas e o pé na estrada. Tudo sempre dá certo.

Ainda hoje Santiago me apronta das dele. Eu já ia para a saída da cidade em busca de outro albergue quando achei melhor voltar até o centro de informações turísticas. Uma peregrina estava lá para saber como chegar à Corunha. Ela era alemã e está no Caminho há cinco meses. Começou na porta de casa, perto de Colônia, conheceu os picos a Europa, foi a Finisterre e agora está voltando para casa, quer chegar até o Natal.

Eu já ia saindo quando ela me convidou para o jantar dos peregrinos no Parador dos Reis Católicos. Eu tinha lido no livro do Máqui - que fez o Caminho em 1990 - que todas as noites os primeiros 10 peregrinos a chegar tinham direito a uma refeição gratuita no hotel de luxo. Em 2002 eu nem tentei, porque a chance de ser uma dos dez primeiros era remota. Dessa vez, fui de penetra e jantei de graça no parador.

Sete anos depois eu estava em uma mesa com seis peregrinos, dormi no refúgio do Monte do Gozo e até ganhei um sello (carimbo) no meu livrinho de anotações, já que não tinha a minha credencial. Foi como se o tempo não tivesse passado.

Gracias, Santiago.

Veja as fotos:
Santiago de Compostela

“Ay me voy otra vez, ay te dejo Madrid...”

Madrid continuava vermelha como em 2002, mas eu não lembrava que era tão árida. A região é cortada por uma serra pedregosa que vai de Portugal até o Mediterrâneo, segundo me contou o Nas. É linda.

Fiquei na casa de um casal de velhos amigos, a Ana e o Nas, (a amizade é velha, eles, não... eheh). Eles me levaram para conhecer toda a cidade, o que foi muito intenso, porque o Nas é uma enciclopédia ambulante, e aprendi muito sobre Madrid. (Obrigada, queridos!). Visitei o Museu do Prado, conheci o parque onde os madrilenhos passam as tardes de domingo e almocei em um restaurante brasileiro com churrasco, arroz, feijão e farofa. Foi a glória.

Algumas coisas mudaram por lá. No aeroporto de Barajas agora é proibido fumar (ainda bem que não fumo mais), mas tem área reservada para fumantes, e por toda a Espanha bares e restaurantes penduram na janela a plaquinha: “Se permite fumar”. Lei é lei, cultura é cultura.

Veja as fotos:

Madrid

Um sofá em Paris

Quando aterrissei no aeroporto Paris Orly recebi um SMS da Mailys, couchsurfer que me hospedou durante quatro dias. A mensagem veio com o endereço, a senha para entrar no condomínio e os clássicos dizeres “as chaves estão debaixo do capacho”. Eu ri.

Ela é amiga do François, então cheguei com uma espécie de salvo conduto, mesmo assim a confiança me surpreendeu. Na verdade a Mailys me deu muito mais do que um sofá, deu um quarto só para mim, me emprestou um notebook com internet e – pasme – tinha um carregador para o celular que o Roby me emprestou em Roma (só me dei conta de que não tinha como carregar o aparelho quando já estava no avião).

Paris é uma das cidades mais bonitas que já conheci. A maioria dos pontos turísticos está ao longo do Rio Sena, então se pode ver desde o Arco do Triunfo até a Catedral de Notre Dame – passando pelo Museu do Louvre – de uma das dezenas de pontes que existem no centro da cidade. E a torre, linda, se vê praticamente de qualquer lugar.

A previsão do tempo marcava chuva para os quatro dias que estive em Paris, e para os dias em Roma também, mas se eu tive uma hora de chuva ao todo foi muito (sortuda de uma figa). O François diz que eu carrego o sol comigo, porque o tempo sempre melhora quando eu chego, diz ele. Verdade ou não, o fato é que o sol me acompanhou na maior parte da viagem, a despeito dos institutos de meteorologia.

As fotos já estão na galeria. Vou tentar colocar todas as legendas este ano ainda... eheh

Paris

Como ele sabia?

Eu perdida, pra variar, entrei num café para perguntar o caminho para o Pantheon em Paris. Falei a única coisa que consigo dizer em francês sem gaguejar:

- Pardon, je ne parle pas français, parlez vous anglais?

O tio do bar:

- Brésil?

Eu:

- Ja!

Ele me mostrou o caminho e andei os 500 metros até o Pantheon com duas perguntas martelando na cabeça: Como ele sabia que eu era brasileira? E por que eu respondi em alemão?

Mitos e verdades sobre Paris

Mito: Os parisienses são mal educados. Eu pedi informação para muitas pessoas e todas me trataram muito bem. E não tive dificuldade para falar inglês com ninguém.

Verdade: Paris é cara. Eu paguei 7,5 euros por quatro pilhas, uma facada. As benditas duraram só um dia e acabaram no exato momento em que eu cheguei à Torre Eifel. A Coca-Cola de 200 ml custa 4 euros, assim como o café. E é como na Itália, se você toma no balcão, é um preço, mas se senta à mesa, pode sair bem mais caro. As velas – que na Alemanha custam 0,50 centavos e no supermercado 0,05 – em Notre Dame saem por 2 euros, com a provocativa plaquinha: “pratique a sua devoção”. Sei... aí eu tava lá economizando cada centavo, quando me chega um menino da Unicef com uma lista para assinar. Assinei e, quando vi, tinha que pagar. Gastei mais com a Unicef do que com o meu almoço. Scheisse...

Ir a Roma e não ver o Papa

Já que estar em Roma e não visitar o Bento XVI é como ir a Roma e não ver o Papa, levantamos cedo no domingo (depois da festa de Haloween) e nos tocamos pro Vaticano. chegamos lá 5 minutos depois que o Papa tinha ido embora. A bênção dura só 20 minutos, a maior mordomia...

Falando honestamente, eu não gosto muito desse papa, entao foi bom chegar atrasada, assim me poupou um gesto de hipocrisia. Sem contar que no final daquele dia vi coisa muito melhor.

Fomos ao Giardino degli Aranci, jardim no alto de um morro com vista panorâmica de Roma
. Três ou quatro bandos de pássaros faziam a maior algazarra para encontrar um galho para dormir. Eles voavam em ondas, ora mergulhando, ora formando bolhas gigantescas de pontinhos pretos no ar. O barulho eu imagino que se podia ouvir a quilômetros. O sol estava se pondo, e fiquei uma boa meia hora assistindo ao voo sincronizado contra o céu cor-de-laranja.

Aí pensei: Quem precisa do Papa quando se pode ver Deus?

Veja as fotos:
Roma

Siciliano maledeto!

Às vezes eu me sinto constrangida por ter tanta sorte. Em Roma tive a alegria de conhecer, através do portal CouchSurfing, um siciliano chamado Roby Sorte. Uma semana antes de viajar, depois de mandar algumas mensagens sem sucesso pedindo sofás, escrevi para a comunidade "CS Roma - SOS Last Minute" e recebi mais de uma dezena de mensagens de pessoas se oferecendo para me hospedar.

Escolhi o Roby Sorte, porque ele ia estar com outros amigos e foi um dos poucos que me escreveu sem uma cantada intrínseca. E também porque o sobrenome dele me pareceu um sinal. O Roby foi meu anjo da guarda em Roma. Me buscou no aeroporto, me levou pra conhecer a cidade inteira, pra comer massa e pizza baratinhas, me apresentou um escritor e me fez perder uns dois quilos de tanto dar risada. Sem ele meus dias em Roma não teriam sido tão fantásticos. E o sofá nem era dele, pousamos um dia na casa de uma amiga dele e outros dois na casa de outra amiga. Todo mundo muito gente boa.

O siciliano era hilário, assim, do tipo Jim Carey (ele levava uma bisnaga com apito no bolso pra dar susto nas pessoas). Ele é coordenador de grupos de intercâmbio do Programa Erasmus Mundus e da AIESEC. E como bom siciliano, a primeira coisa que fez foi me dar uma carteirinha falsa da Erasmus pra eu entrar de graça em uma festa de Halloween - aliás, uma das melhores festas que já fui na vida. Eta povo que sabe se divertir, esse.

Aí como eu tinha esquecido meu celular na Alemanha, o Roby me emprestou o segundo dele - com crédito - para eu levar até o final da minha viagem. Agora me diz, quando alguém que te conheceu anteontem vai te emprestar o próprio celular por duas semanas para você mandar depois de volta pelo correio para a Sicília? Ele falou: "Pode levar, você precisa mais do que eu".

Grazie mille, amico!

Última matéria na DW... foi pra capa!

Fechei meu estágio na redação brasileira online da Deutsche Welle de uma forma muito especial. Hoje à tarde minha entrevista com a ex-ministra do Meio Ambiente e provável futura candidata à presidência Marina Silva entrou na página como artigo principal do dia.

















Viva!

Preparativos para a Eurotrip

Já estou de malas prontas. Amanhã é meu último dia aqui na redação Online da Deutsche Welle. Quinta vou para a Ute e sábado embarco para a Itália. Consegui lugar para ficar em Roma e em Paris pelo CouchSurfing, com um pessoal muuuito gente boa.

Ah, tenho uma ressalva sobra as companhias aéreas baratas. Meu voo pra Roma é pela Ryanair, e o aeroporto fica a 150 km da minha casa, então vou ter despesas extras para ir até lá, fora a mão-de-obra. Não sei se o preço compensou...

Dia 14 de novembro embarco para o Brasil. Chego na Ilha Mágica às 17h do dia 15/11. Aí serão seis semanas de férias e em janeiro volto para cá.

Mas antes disso espero ter muita coisa boa pra contar!

Próxima parada: Halloween em Roma!

Neve no topo da Alemanha!

Neste final de semana estivemos em Munique, na tradicional Baviera, que é algo como o Rio Grande do Sul da Alemanha. A cidade é linda de tirar o fôlego.

Mas o MAIS FENOMENAL de tudo foi irmos ao Zugspitze, o ponto culminante da Alemanha, nos Alpes, com 2.963 m de altitude. Vi neve pela primeira vez, tava que nem criança.

Foi em um dos dias mais bonitos do ano, segundo nos contaram uns tios que moram lá perto. Sol, pouco vento, tudo branco... e nem tava tão frio assim. Acho que fez -1ºC, mas a sensação térmica era de um inverno normal. Foi também o primeiro dia da temporada de esqui deste ano. Eu até que tentei...

Tem zilhões de fotos no álbum.

Antes de voltarmos pra casa, fizemos uma visita à Nova Pinacoteca, com obras de arte do século 18 ao século 20. Vi originais de Monet, Manet, van Gogh, Cezàne, Rembrant, Goya, Picasso... ah, fala sério.

Bom dia, Berlim

As pessoas me falavam que quando eu conhecesse Berlim, não ia querer mais saber de nenhuma outra cidade na Alemanha. Er... Berlim é bem grande, bonita, tem muitos museus, parques, História, gente de todo tipo e tal. Mas também achei meio underground demais pro meu gosto, meio cinza, suja.

Dizem que lá é bom porque tem de tudo. Bem, eu não preciso de tudo, então os berlinenses que me desculpem, mas meu coração ainda bate por Colônia... eheh.

Estive lá no final de semana passado, fiquei na casa do Gabriel. Foi muito legal, andamos o centro todo de bicicleta, comemos Bratwurst na banquinha da calçada, tirei quase 300 fotos (aliás, já estão no álbum). Sábado à noite ainda encontrei o Mariano Senna, meu ex-chefe na agência de notícias AmbienteJA, e tomamos uma cerveja num barzinho de música brasileira.

Fui e voltei com aquele site de caronas que eu tinha falado, o Mitfahrgelegenheit. Na ida fui com outras três meninas num Golf. Andamos a maior parte do tempo seguramente acima dos 200 km/h.

Na volta, um momento de tensão. A carona que eu tinha combinado furou e tive que achar outra em cima da hora. Depois de uns dez "desculpe, já está lotado", consegui um lugar.

Só que o motorista tinha nome turco - me falaram que os turcos em Berlim são meio estranhos, totalmente diferentes dos turcos da Turquia ou de outras partes da Alemanha -, aí o Gabriel pra mim: "Se tiverem três turcos no carro, não te deixo entrar." Risos.

Passamos o dia naquela agonia e, quando chegamos, o motorista era super gente boa, de origem turca - mas acho que nasceu na Alemanha, porque falava alemão perfeitamente -, estava viajando com a irmã e levando mais um guri alemão de carona. O carro era um Mercedes Classe Não-sei-o-quê que só faltava levantar voo. Banco de couro, painel de mogno, uns 30 metros quadrados de espaço interno, luzinhas nos frisos das portas, era o ICE das caronas. O Gabriel pra mim: "tu tens mais sorte do que juízo mesmo."

Eu: "Eu sei."

Missão dada é missão cumprida

Só fui terminar o relatório, lógico, na terça-feira, prazo final. Acordei às 4h da manhã e trabalhei direto sem pausa pro almoço até 19h30.

Mandei pra Ute e ela me respondeu dizendo que ficou "maravilhosamente inspirado" e que os erros de ortografia e gramática - que devem ser zilhões, porque não deu tempo de pedir pra ninguém revisar - são bem simples de resolver.

Ufa.

Pra eu ficar completamente feliz, agora só falta uma resposta positiva do TesDaF semana que vem. rezarezarezareza...

O relatório

Tenho que escrever um relatório sobre a minha experiência na Alemanha para o livro da Fundação Heinz-Kühn. São dez páginas em alemão. Sorte que eu já escrevi praticamente tudo no blog, fica mais fácil de lembrar. Tenho que entregar até terça-feira. Desejem-me sorte.

p.s.: E neste final de semana... Berlim! (+ previsão de chuva e frio)

Conclusões sobre -2ºC

Não foi tão ruim quanto eu esperava. Notas:

1) Meia calça de malha + meia de algodão + bota = pés gelados
2) Meia calça de malha + calça jeans = pernas geladas
3) Camiseta de algodão + segunda pele + básica de lã + casaco de pêlo + cachecol = peito, costas e pescoço quentinhos.

CouchSurfing, o paraíso dos mochileiros

É muito simples, você coloca seu sofá à disposição de viajantes do mundo inteiro e pode "surfar" no sofá deles também.

Me registrei há algumas semanas no CouchSurfing e achei o projeto muito, muito bacana. A idéia da rede de intercâmbio de mochileiros não e só se hospedar de graça na casa dos outros, mas fazer turismo de verdade, estar na casa de alguém que mora lá, conhecer realmente o lugar.

Não é obrigatório oferecer um sofá para surfar em um, e também não precisa necessariamente se hospedar na casa de alguém para fazer parte do projeto.

Semana passada, por exemplo, eu fui em um encontro semanal do pessoal do CS em Colônia. Tinha umas 40 pessoas, alemães e estrangeiros, todo mundo super bacana, com espírito de viajante. Conheci umas meninas alemãs muito gente boa.

Achei mais uma tribo.

Não estou rindo, estou sorrindo

Aconteceu no sábado, em um bar típico alemão em Colônia. Fui no banheiro e na saída sorri pro tio da limpeza. Ele se indignou:

- Qual é a graça?
- Como?
- Qual é a graça? Do que você tá rindo?
- (!?) Eu não estou rindo, estou sorrindo para o senhor...
- Ah, obrigado - ele baixou a cabeça e respondeu baixinho.

Essa é a prova de que não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos. Fiquei com pena do velhinho.

Para entrar em uma discoteca em Bonn você tem que implorar

Fomos na última sexta-feira e foi bem estressante. Só conseguimos entrar na terceira que tentamos, e isso porque eu perdi a paciência e discuti com o cara.

Em Bonn eles olham pra você e decidem se vão deixar entrar ou não. O problema é que geralmente estamos em grandes grupos, e eles não gostam.

Na sexta saímos do happy hour do Goethe pra ir dançar, éramos pelo menos 15 pessoas, a maioria homens e com cara de árabe, aí já viu. Na terceira tentativa, o cara disse que estava lotado. Falamos que a maioria era estudande, aque aquilo era um absurdo e tal, aí o cara: "Ah, vocês são estudantes? Então podem entrar."

Entramos e estava vazio, só nós lá dentro. Pagamos caro e saí de lá fedendo a cigarro.

Não, não, muito obrigada. Da próxima vez fico no bar tomando a minha Kölsch.

Adoradora do Sol

Comecei a desenvolver um costume estranho aqui. Como é tão comum o tempo estar nublado e chuvoso, cada vez que abre uma fresta na nuvem eu corro para a janela, pra ganhar um beijo do sol.

Essa semana acho que ele vem nos visitar todos os dias. Viva!

Mais uma leva de matérias publicadas na DW-World.de

CULTURA | 08.10.2009
Romeno-alemã Herta Müller ganha Prêmio Nobel de Literatura 2009

MUNDO | 08.10.2009
Camisinha feminina com farpas é arma contra o abuso sexual
Essa matéria foi responsável por um recorde de acessos na página da DW no dia em que foi publicada. Sozinha, recebeu 40.208 cliques.

MUNDO | 06.10.2009
Metade dos recém-nascidos em países ricos chegará aos 100 anos, afirma estudo

UNIÃO EUROPEIA | 04.10.2009
Comissão Europeia distribui frutas nas escolas para combater sobrepeso

MUNDO | 01.10.2009
Conheça os perfis das cidades que querem sediar os Jogos de 2016

CULTURA | 30.09.2009
Prêmio visa ampliar conceito de "literatura internacional" na Alemanha

CULTURA | 26.09.2009
Beleza de Weimar também se deve a quatro gerações de mulheres mecenas

CULTURA | 23.09.2009
Conselho de Judeus exige cancelamento de peça de R.W. Fassbinder

BRASIL | 22.09.2009
Resultado das eleições alemãs pode influenciar parcerias com o Brasil no setor energético
Essa é a minha matéria preferida, porque é 100% minha*. Entre outros sites, foi reproduzida na Folha de São Paulo, no site da Abril e no UOL.

* A maioria das matérias que faço são adaptadas das versões originais em inglês, alemão ou espanhol. Alguns textos, como os de Cidades&Roteiros, também são integralmente meus, mas nem sempre têm entrevistas.

Show de luz e dança das águas em Bonn (vídeo)



Fomos assistir ao espetáculo nas comemorações de 3 de outubro. As imagens eram projetadas em um chafariz e a água dançou ao som de um repertório muito bacana.

No início, os espertos ficaram bem embaixo da água e tomaram o maior banho (vide gritos). Depois achamos um lugar melhor.

Gente, por favor, assiste ao vídeo, deu um trabalhão pra editar.

Olha, mãe, sem o dicionário!

Hoje por curiosidade abri a newsletter DaF, da Deutsche Welle . São pequenos textos com quatro parágrafos e glossário, feitos especialmente para quem está aprendendo alemão.

A última vez que tinha lido uma delas foi antes de vir pra Alemanha. Elas eram a minha rotina quando comecei a estudar. Eu sublinhava o que não entendia, procurava no dicionário e daí fazia a leitura final.

Fiquei feliz de ver que não preciso mais dos passos 1 e 2.

Alguma coisa esquisita no ar

Desde a semana passada que os trens se atrasam todos os dias. Hoje foram mais de 15 minutos, e ninguém deu nenhuma explicação, o que para os padrões daqui é muito estranho.

Acho que tem a ver com a ameaça de atentado terrorista que fizeram contra a Alemanha. Circularam uns vídeos na internet na semana anterior às eleições com um integrante da Al-Qaeda alertando os alemães para que não votassem no partido que defende a manutenção das tropas alemãs no Afeganistão, caso contrário o país sofreria as consequências.

Bem, o partido conservador se re-elegeu (agora tem hífen, né?), mas felizmente não aconteceu nada. O policiamento da Oktoberfest em Munique foi reforçado e prenderam alguns suspeitos em Berlim. Ontem a Claudia chegou na DW dizendo que estava o maior tumulto na estação central de Bonn por causa de uma suspeita de bomba. Dezenas de policiais pra todo lado.

Hoje tinha um soldado alemão no trem que eu peguei - esse que se atrasou 15 minutos - ele passou duas vezes no meu vagão, procurando sei lá o quê.

Curioso como essa história de terrorismo toma outra dimensão aqui. Se fala muito no assunto, sai sempre no jornal, a polícia está sempre a postos. O pessoal fica até meio neurótico.

Quando falta luz, sai no jornal

A Rosa Helena mora na Alemanha há 37 anos e não se lembra de ter faltado luz na casa dela. A Regina está aqui há 20 anos e disse que aconteceu três vezes.

Eles estavam tentando lembrar e o Rodrigo disse que leu no jornal uma vez que faltou energia. Aqui falta de luz é notícia... eheh.

A última foi há três anos, quando uma nevasca derrubou postes e alguns vilarejos no sul ficaram às escuras.

E olha que na Alemanha nem tem lombinhas.

3 de outubro: dia da Reunificação alemã

Hoje a Alemanha comemora os 19 anos da reunificação do país.

Pra quem não lembra:

Depois de perder a guerra, em 1945, a Alemanha foi repartida entre os vencedores, que eram os Aliados (EUA, URSS, Inglaterra e França).

O bloco oriental, oficialmente República Democrática da Alemanha (DDR) seguia o regime socialista liderado pela União Soviética, e o ocidental, oficialmente República Federal da Alemanha (BDR), era conduzido sob o regime capitalista.

Em 1961 foi erguido o muro de Berlim, dividindo o país em dois. O episódio marcou o início da Guerra Fria.

Em novembro de 1989 caiu o muro (nossa, eu me lembro disso. Era criança e vi na TV). Depois de alguns meses de tratativas políticas, em 3 de outubro de 1990 a DDR foi dissolvida, e a Alemanha voltou a ser oficialmente uma só, a BRD - Bundesrepublik Deutschland, República Federal da Alemanha.

Para saber mais sobre a reunificação: http://www.dw-world.de/dw/0,,12345,00.html

Parabéns pra eles. Dir alles gut, Deutschland!

P.S.: E um parabéns especial para a minha avó, Luci, que faz aniversário no dia 3 de outubro há mais tempo (não muito, né, vó... eheh).

Rio 2016

Todo mundo aqui me parabenizando pela escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas. Recebi e-mail, SMS, recado no Facebook, eheh, como se o mérito fosse meu.

Parabéns ao Rio! Espero receber meus próprios cumprimentos quando sair o resultado do TestDaF.

"Os brasileiros são super legais, mas tão barulhentos..."

Essa é a nossa fama na Deutsche Welle... eheh. Na hora do cafezinho depois do almoço a nossa mesa é a única às gargalhadas. Esses dias saímos do elevador e as duas mulheres que estavam esperando com aquela cara de 'mas que baderna é essa?' riram e disseram: "Esses brasileiros..."

A outra vez aconteceu também no elevador, a Rosa tava contando. O diálogo entre ela e um senhor que não tinha acordado em um bom dia foi mais ou menos assim:

- Bom dia, como vai?
- Comigo vai tudo bem, e com o senhor?
- Não dá pra entender isso! Com vocês brasileiros está sempre tudo bem! Como pode? - Ela arregalou os olhos tentando descobrir se ele estava falando sério. Estava.
- Hã... mas é que comigo está tudo realmente muito bem...

Ela contou a história ontem na cervejaria, despedida da Erika (shuiff...). A gente ouviu essa e outras, claro, às gargalhadas.

Fotos no álbum.

Era uma vez um strogonoff...

feito com creme de leite que era bem mais leite do que creme (aguado, aguado) e com batata chips - porque não tem palha - meio doce e apimentada.

Convidei a Clau, colega da DW-Radio, pra almoçar comigo. Não ficou ruim. Foi, digamos, mais uma experiência única - dessas que se deve experimentar uma única vez na vida.

Em tempo: carne de bife rolê dá mesmo certo em strogonoff.

Como assim não tem batata palha?

Ir ao supermercado é uma das experiências mais estressantes para um estrangeiro em qualquer lugar. Para mim, que não sou fã de supermercado nem no Brasil, o exercício é realmente penoso.

A culpa foi do Pierre. Ele foi embora em junho e me deixou um vidro de champignon de herança. Aí pensei, vou fazer um strogonoff no domingo.

Saí na manhã de sol em Brühl, um monte de gente na rua, musiquinha, panfletos de campanha porque amanhã tem eleições federais, tudo muito agradável.

Cheguei no mercado, deixei minhas garrafas pet na máquina, peguei minha cestinha e fui Toom adentro.

As coisas que a gente sabe onde estão são sempre as mais pesadas, leite, água, vinho, coca-cola. Preciso ainda de carne, extrato de tomate, creme de leite e batata palha. Aí começa...

Chego no açougue e não sei que carne comprar. O nome é o de menos, o pior são os cortes, todos diferentes. Andei em volta uns 10 minutos até que resolvi pegar o que eles dizem que serve pra bife rolê.

Como a pessoa não conhece os produtos e não sabe onde eles podem estar, tem que prestar atenção em tudo e, quando percebe, está exausta. Tem uns 30 tipos de molho de tomate, mas cadê o extrato de tomate? Procura, procura, procura. Achei, a embalagem é igual a tubo de pasta de dente.

Aí vem o creme de leite. Por que o creme de leite não está do lado do leite condensado? Por quê? A sorte é que leite codensado em alemão é Kondensmilch, não tem perigo de trocar. Mas e o creme de leite? Anda, anda, anda. Tava perto da manteiga.

A essa altura a cestinha já parece pesar 20 kg, com a alça cortando a circulação do antebraço. A ideia de almoçar pão com manteiga começa a ficar muito atraente. Dói o ombro, a cabeça, as pernas e a única coisa que se consegue pensar é

MAS CADÊ A PORCARIA DA BATATA PALHA!?

Não tem. Tem batata de tudo que é tipo, menos palha. Diz a lenda que existe uma batata palha sabor pimentão pra vender na Alemanha, mas eu não encontrei. E olha que procurei. Peguei uma tipo Ruffles.

O strogonoff é pro domingo. E hoje? Arroz com feijão. Compro feijão de lata, mesmo, eu tinha visto ele durante a busca do extrato de tomate. Peguei e saí o mais rápido possível.

Em casa, prato de feijão com arroz na mesa, dei a garfada do triunfo. O bendito feijão era pura pimenta. Scheisse...

Paguei minha multa


Foi naquela viagem a Leipzig. Chegou a multa pelo correio, paguei no banco, tudo automático. Eheh, até que a foto ficou bonitinha.

O limite de velocidade era 50km/h e eu estava a 58km/h...

Nos filmes policiais, quando vão checar a ficha de alguém inocente, sempre tem aquele clichê: "O cara está limpo, não tem nem multa de trânsito".

No meu caso, ia ser: "Olha, chefe, não consta nada, mas ela estava na Alemanha há menos de um mês e já tinha levado uma multa...

É, Bonn, gosto de você

Hoje, pela primeira vez desde que cheguei, andei a esmo em Bonn. A terça-feira amanheceu tão bonita que o povo desconfiou. Levantei cedo - aqui não consigo dormir muito, sei lá por que - e resolvi sair antes da hora pra olhar o dia.

Ia pela calçada ao som do vendedor de batatas e legumes. Só consegui entender lá pela terceira vez que ele berrou: "Kartofeeeeeeeeeeeeln, ooooooooooobst, ái ooooooooooobst", com uma sineta.

Desci na estação central e saí pela rua, dobrando nas esquinas que deu vontade. Na volta do trabalho, em vez de ficar 20 minutos parada esperando o trem, vaguei de novo. Vi Bonn vestida de amanhecer e de entardecer.

Descobri que a universidade é mais perto do que eu pensava, e que na parte de trás tem um gramado onde as pessoas deitam ao sol. Estudantes, velhinhos, cachorros, malabaristas. E bem ao lado fica o bar na beira do Reno, aonde todo mundo gosta de ir.

Também encontrei a livraria que vende os mapas que quero, a loja que vende crédito pro meu modem e duas Starbucks.

É, Bonn, gosto de você.

p.s.: coloquei fotos novas na galeria. Para ver clique aqui.

Minha matéria foi pra capa!

Minha matéria passou o dia todo hoje no espaço mais nobre da página da DW em português. "Resultado das eleições alemãs pode influenciar parcerias com o Brasil no setor energético"

Aff, mas eu fiquei toda boba...

Movimento dos Sem Vida Social

Eu já estava lançando a campanha "Adote a Francis abandonada em Brühl", quando resolvi ir no happy hour do Instituto Goethe, sexta-feira passada. Foi bem legal, reencontrei alguns colegas que ainda estão em Bonn e vi que tá todo mundo mais ou menos na mesma situação.

Fazer amigos nessa naba de Alemanha não é uma coisa muito fácil, viu... a Ascención, ex-colega espanhola, tadinha, tá fazendo doutorado e trabalha na biblioteca da universidade. Ela contou que seus colegas dizem "bom dia" quando chegam e "boa noite" quando vão embora. Aí na sexta-feira ela fica feliz porque ganha um "bom final de semana" de bônus. Tava bem deprimida.

É que aqui o pessoal não costuma conversar com alguém sem ter sido apresentado. E também não basta ser apresentado pra irem te convidando para festas e eventos, nanã, tem todo um processo.

Enfim, daí nos rebelamos e resolvemos formar uma corrente particular de Soziale Beziehungen. Sábado já convidei a Ascención pra ir a Köln comigo, mais a Ute e o Rodrigo, depois tomamos uma cerveja com a Cláudia, paulista, estagiária da DW-Rádio, e já combinamos de sair mais vezes.

Se ninguém nos adota, a gente se adota. Humpf!

Viajar barato pela Europa

Resolvi apagar o tópico anterior e escrever este, mais completo. E é mochilão, né, gente, se conforto for prioridade, melhor contatar uma agência de viagens. Vamos lá:

Avião

Trem
Na Alemanha: www.db.de
Na Espanha: www.renfe.es
Na Europa toda: www.raileurope-world.com

Ônibus

Carona
p.s.: as caronas na Alemanha funcionam com um sistema organizado, com linhas, horários e preço pré-estabelecido

Hospedagem
www.couchsurfing.com (intercâmbio de viajantes, é possível encontrar lugar para se hospedar ou simplesmente alguém para mostrar a cidade, etc)

Nós e as búlgaras

No andar onde eu trabalho na Deutsche-Welle está a divisão América Latina - nós e o pessoal da redação em espanhol - o pessoal da fotografia, a rádio em português para a África e as redações da Polônia e da Bulgária.

Aí na minha sala somos eu, a Erika, minha colega baiana, e duas búlgaras.

Pera, antes das búlgaras, um parágrafo especial para a Erika: ela mora na Alemanha já há cinco anos, está fazendo faculdade de Ciências Políticas e Econômicas aqui, na Universidade de Marburg. Temos uma sinergia muito bacana. Ela me ajuda com as dificuldades da língua, me ensina sobre a política da Alemanha e sobre como se vive aqui, e eu a ajudo com as matérias, apuração e estrutura de texto, porque ela nunca tinha trabalhado como jornalista antes. Semana que vem ela vai embora. Vou sentir muita saudade...

Ok, agora sim, as búlgaras. Outro dia uma delas teve problema com a impressora e pediu a minha ajuda. Ela imprimiu um texto e reclamou que estavam aparecendo uns caracteres malucos, aí veio me mostrar a página.

Eu ri.

Búlgaro se escreve mais ou menos assim:

"По някакъв начин невъзможно да се разбере"

E ela queria que eu identificasse os caracteres estranhos ali no meio...

Matérias na DW-World.de

Tó, pra não dizerem por aí que eu vim a passeio:

CIDADES & ROTEIROS | 12.09.2009
Trilhas da Floresta Negra são sob medida para espíritos peregrinos

ESTUDAR NA ALEMANHA | 10.09.2009
Deutsche Welle inicia programa de mestrado em Estudos de Mídia Internacional


UNIÃO EUROPEIA | 09.09.2009
Europa protesta contra cobrança de entrada para turistas europeus nos EUA


CULTURA | 08.09.2009
Romances policiais de nova geração viram febre na Alemanha


E o resultado, que é bom, só no final de outubro

É de a pessoa se revoltar. Temos 3 HORAS para responder a 55 questões, conduzir sete diálogos e escrever uma redação, e eles precisam de 6 SEMANAS para corrigir isso.

Enfim, o TestDaF está feito (êêê!). Obrigada pela torcida de quem torceu – sei que foi bastante gente. E como ajudou, eu estava a 220V hoje de manhã.

Tenho a impressão de que me saí bastante bem em pelo menos ¾ do exame. A prova de compreensão auditiva é que foi duríssima, barbaridade. Uma das partes era uma palestra sobre a influência do aquecimento global na biodiversidade dos peixes do Lago Tanganyika, na África... Acho que até em português seria difícil, o tempo para responder é simplesmente muito curto.

Agora é esperar. Dai-me paciência.

Véspera de TestDaF

Acordei às 4h da madrugada com meu cérebro formulando sozinho frases em alemão para a prova oral de amanhã. Aproveitei a inspiração e levantei pra estudar. Fiz esqueminhas, organizei as idéias e encarei o simulado da prova. Meio, a outra metade faço quando voltar do trabalho.

Não me saí estupendamente bem como gostaria, mas também não fui tão mal assim. Espero que seja o suficiente pra conseguir o certificado.

Amanhã chego cedo no Intituto Goethe, tomo café com a Dona Iris, que vai me abraçar e me desejar um monte de coisa boa, e depois vou pra prova - começa às 9h. Caso alguém esteja acordado às 4h da manhã no Brasil e por acaso lembrar de mim, pode mandar energia positiva que tô estocando.

Uma nação de faz-tudo

Na Alemanha, quando você sai para ir no cabeleireiro, você não avisa em casa: "Vou cortar os cabelos" (Ich werde meine Haare schneiden). Você precisa de combinação especial de verbos para isso, o schneiden lassen, que seria mandar cortar o cabelo.

Quando me falaram, achei uma tolice. Ora, é obvio que se vou cortar o cabelo é porque vou mandar cortar.

Agora já entendo perfeitamente a utilidade do lassen. Se um alemão disser para você que ele vai construir uma casa, em vez de "mandar construir", pode apostar que não tem nenhum pedreiro nessa história.

Eles constróem casas, consertam bicicletas, estofam sofás, e se a obra deixou entulho na frente de casa, são eles que levam até um depósito, pagam para entrar e descarregam a carga sozinhos.

Esqueça frentista, lava-car, zero-entulho, carregador de malas, entrega das compras do supermercado em casa. Você está no país do "deixa pra mim", como dizia o vô França.

Deutsche-Welle pelo lado de dentro


Intranet


Primeira matéria! Sou FF... eheh. EAB é a Erika, minha colega. dpa e ap são agências de notícias. (clique na imagem para ler)



p.s.: Acordei 40 minutos antes do despertador e pensei: blog!

Shhh... imersão para o TestDaF

A partir de amanhã, terei exatos 15 dias para me preparar para o TestDaF, no dia 16 de setembro. Comprei um livro específico sobre a prova cujo título é “Com sucesso para o TestDaF” (amém) e, para dar conta, preciso vencer 10 páginas por dia. É provável que o blog fique meio quietinho nesses dias. Espero voltar dentro de duas semanas com boas notícias.

Cruzem os dedos!

Enfim, Deutsche-Welle

Para aqueles que acham que vim pra cá só para passear (eheh), amanhã começo meu estágio na Deutsche-Welle. Endlich!

E-ticket – mais uma trapalhada da Francis nos trens alemães

Eu só me ferro com a Deutsche Bahn. Comprei uma passagem promocional de Tübingen para Köln por 40 euros. Nem era tão barata assim, mas o preço compensava porque não tive gastos com a ida.

Resolvi comprar pela internet, porque aquelas maquininhas sempre me deixam confusa. Li que bastava imprimir o comprovante e apresentar junto com o cartão de crédito para o cobrador. Beleza.

Chego no trem, o papel que eu imprimi era o errado. Minha passagem não era válida. O cobrador até Manheim perdoou. O segundo meu deu três alternativas: 1) Não embarcar; 2) Pagar uma multa; 3) Comprar outra passagem.

Fiquei com a opção n. 3 e marchei com mais 51 euros só de Manheim até Köln. Baita prejuízo.

Então, quando você comprar tíquetes de trens na Alemanha pela internet, precisa abrir o e-mail que eles mandaram e imprimir o comprovante gerado NO E-MAIL - que vem com uma espécie de código de barras – e não no site da DB. Entendido?

Tübingen - visita ao mais profissional

Passei o final de semana na casa do Fabrício – o mais profissional – (eheh, ele fica sem jeito quando faço essa piadinha em referência ao seu papel de líder do nosso grupo de Trilhas em Florianópolis) e da Carla, sua mulher. O Fabrício foi embora do Brasil em agosto do ano passado, veio fazer doutorado aqui em neurociência.

Lembro que na despedida eu prometi visitá-lo na Alemanha, mas naquela época eu não tinha nem me inscrito para a bolsa ainda, quanto mais ganhado. Foi uma boa profecia. E um ótimo final de semana. Veja as fotos dos passeios em Tübingen e ao castelo de Hohenzollern aqui.

Eu queria ser uma árvore da Floresta Negra

só pra ficar lá 200 anos olhando para ela.

Fui com a Ute visitar seus pais, e fiquei absolutamente encantada com o Sul da Alemanha. O outono está chegando, e daqui duas semanas a floresta vai ficar toda colorida de vermelho, amarelo, marrom e cobre. E em poucas semanas mais, tudo branco.

O seu Kilian nos contou que no inverno passado nevou durante sete meses. A primavera dura apenas 8 dias, o outono duas semanas, e o verão os quatro meses e pouco que restam.

No segundo dia fizemos uma caminhada de 20 km pela floresta, e foi o seu Kilian, 75 anos de juventude, que nos guiou. Aliás, ele e a dona Mariana, com 80 anos, são um capítulo à parte. Quando a gente os vê, acredita no amor. Casados há 41 anos, ainda se dão selinho quando se veem (tão fofos). Até pouco tempo ela ia para as caminhadas também.

A casa onde eles moram tem 350 anos, uma típica casa da Schwarzwald (Floresta Negra), com as paredes construídas com plaquinhas de madeira, para espantar o frio. Eles reformaram tudo, só com a ajuda dos filhos e amigos. Hoje, seu Kilian diz: “Sem a minha mulher eu não conseguiria fazer nada disso”. Ela ri baixinho, fica toda boba.

Recicla, recicla, recicla...

Agora que tenho minha casa, preciso cumprir regras, e a principal delas aqui na Alemanha é a reciclagem do lixo - eles levam isso muito a sério. Tenho três lixeiras na cozinha. Uma para o lixo orgânico, outra para embalagens e outra para o resto. As garrafas eu junto e depois tenho que deixar em um container específico para vidro.

Sorte que tenho um folder com as fotos pra explicar, porque a coisa não é tão simples quanto parece. Até hoje não sei se meu sachê de açúcar (de papel misturado com plástico), é embalagem ou lixo comum. Um amigo alemão me deu uma boa dica: na dúvida, joga no lixo comum.

Casa nova!

Me mudei terça-feira passada para Brühl, cidadezinha aconchegante entre Bonn e Köln, a 10 minutos de trem de ambas. Tenho um apartamento inteiro, com um banheiro só pra mim, e uma cozinha a cinco passos do quarto. Não sabia pra que lado andava com tanto espaço.

Não tenho microondas, o que por um lado é bom, assim como comida de verdade. Em compensação, tenho uma banheira (já comprei até espuma!), livros e castanholas. (fotos)

Adorei.

Lei Fundamental da Renânia

Assim como a Alemanha, que tem sua Grundgesetz (Lei Fundamental - é como eles chamam sua Constituição), a região às margens do Rio Reno - Renânia - também tem sua Rheinische Grundgesetz. Me veio bem a calhar na nova fase que vou encarar.

Preâmbulo
Jede Jeck es anders. (dialeto local)
Alle Menschen sind gleich. (alemão)
Cada um com seu cada qual.

Artigo 1
Et es wie et es.
Sieh den Tatsachen ins Auge!
Encare os fatos. (As coisas são como são)

Artikel 2
Et kütt wie et kütt.
Habe keine Angst vor der Zukunft!
Não tema o futuro. (Venha o que vier)

Artikel 3
Et hätt noch emmer joot jejange.
Lerne aus der Vergangenheit!
Aprenda com o passado. (Até agora tudo tem ido muito bem)

Artikel 4
Wat fott es, es fott.
Jammere den Dingen nicht nach!
Não guarde mágoas. (O que passou, passou)

Artikel 5
Et bliev nix wie et wor.
Sei offen für Neuerungen!
Esteja aberto a mudanças. (As coisas não ficam como eram)

Artikel 6
Kenne mer nit, bruuche mer nit, fott domett.
Sei kritisch, wenn Neuerungen überhand nehmen!
Seja crítico quando houver mudanças demais. (Não conhecemos, não precisamos, jogamos fora)

Artikel 7
Wat wellste maache?
Füge dich in dein Schicksal!
Confie no destino. (Que se vai fazer?)

Artikel 8
Maach et joot, äwwer nit ze off!
Achte auf deine Gesundheit!
Cuide da saúde. (Aproveite com moderação)

Artikel 9
Wat soll dä Quatsch?
Stelle immer zuerst die Universalfrage:
Faça sempre a pergunta universal: mas que naba é essa?

Artikel 10
Drenkste eene met?
Komme dem Gebot der Gastfreundschaft nach!
Pratique a hospitalidade. (Bebe uma?)

Artikel 11
Do laachste dich kapott!
Bewahre dir eine gesunde Einstellung zum Humor!
Mantenha sempre o bom humor.

Ir embora é agridoce

Mistura a tristeza por causa do que se deixa pra trás com a excitação pelo que vem pela frente. E embora a gente saiba que para que uma coisa comece, outra precisa terminar, o coração não se acostuma, fica emburrado no canto. Aí dali a pouco, que nem criança, volta feliz da vida pra brincadeira.

Venga!

Até mais ver, Instituto Goethe

Ontem foi meu último dia de aula no Instituto Goethe-Bonn, em Bad Godesberg. As aulas terminam oficialmente hoje, e à noite tem uma festinha de despedida, mas daqui a pouco já viajo com a Ute para a Floresta Negra, no sul da Alemanha, então não estarei lá.

Vou sentir falta do pessoal, do meu quartinho com a sacada que só cabe uma pessoa, e até do café 204 degraus. Foram dois meses muito bacanas. Aprendi alemão, a jogar pingue-pongue e a dançar música turca.

Dia 16/9 volto lá pra fazer o TestDaf e prometi pra dona Iris - Frau Frühstück, como diz o Zivi Michael - que chego mais cedo pra tomar café com ela.

Agora, tudo novo de novo. Para que tudo fique como está, é preciso que tudo mude.

Minha 3ª consulta na Secretaria de Estrangeiros

Foi um sucesso! Desta vez quem nos atendeu foi Herr Stein, diretor da Ausländeramt em Bonn. Muito simpático, até falou francês com o Crispin e o Jean-Claude, o novo bolsista de Togo.

Já estou com meu visto no passaporte, válido até 30 de novembro. Depois de uma chuvarada logo cedo, abriu o sol, e eu e o Jean-Claude saímos de lá cantando "I can see clearly now the rain is gone..."

Deutsche-Welle!

Ontem de manhã a Ute me levou pra conhecer o pessoal com quem vou trabalhar na redação brasileira da Deutsche-Welle online e conheci também o Johannes Beck, diretor da redação portuguesa da DW-Radio, pra onde venho de janeiro a março. Todo mundo muito, muito bacana. Almoçamos lá, em meio ao burburinho de jornalistas de redações em 30 idiomas diferentes, fora o pessoal do correio, que trabalha do lado. Certamente vou me perder várias vezes, porque a sede em Bonn é gigante, com vários corredores iguais...

A Deutsche-Welle é a rede internacional de comunicação da Alemanha, e faz parte da ARD (Consórcio de Instituições Públicas de Radiodifusão da República Federal da Alemanha). As redações online e de rádio, ambas em 30 idiomas, ficam em Bonn. A DW-TV, em alemão e inglês, com alguns blocos em espanhol e árabe, em Berlim. Na página deles diz que há cerca de 1.500 colaboradores vindos de mais de 60 países.

Inaugurada em 1953, a emissora alcança hoje por mês quase 300 milhões de ouvintes e telespectadores em todo o mundo, transmitindo através de satélites, emissoras associadas e pela internet. Os programas de rádio são transmitidos em ondas curtas digitais e, em algumas regiões, via AM ou FM.

Nada mal.

Censura ao umbigo brasileiro

Hoje desci pro café com uma "roupa de ficar em casa", porque mais tarde vou na Deutsche-Welle conhecer meus futuros colegas (viva!) e deixei pra me arrumar depois. Por acaso, estava com blusa de alcinha que aparecia o umbigo.

Quando entrei na cantina, a tia do café, dona Iris, me disse que eu não devia usar esse tipo de roupa, porque temos muitos árabes aqui, e eles podiam ficar ofendidos. Como eu gosto muito dela e não falo alemão tão bem que pudesse responder sem parecer rude, apenas concordei.

Mas fiquei pensando, se eu preciso aceitar que eles tratem suas mulheres como prisioneiras, cobertas da ponta do dedão até a cabeça, com um ferro que tapa a boca, o nariz e os olhos, como vi essa semana, por que eles não podem aceitar o meu umbigo?

Estamos em território neutro, e minha cultura merece tanto respeito quanto a deles. Ou não?

Há 20 anos, o fim da Guerra Fria

No dia 19 de agosto de 1989 era liberada a fronteira da Alemanha Oriental com a Ungria. Foi o primeiro sinal de abertura política promovida por Mikhail Gorbachev, que levaria, três meses depois, à queda do muro de Berlim e ao fim da Guerra Fria.

Depois de 28 anos de controle total de uma ditadura comunista, os alemães tiveram pela primeira vez permissão para viajar livremente para a Ungria e de lá para a Áustria, por onde podiam entrar na Alemanha Ocidental.

O que significa Rammstein?

O nome da banda alemã mais famosinha internacionalmente na verdade não tem tradução. Stein é pedra, e Ramm não significa nada, mas descobri pelo menos daonde vem.

Ramstein (com um S só), é o nome de uma cidade alemã que abriga uma base militar norte-americana. Em 1988, três jatos italianos colidiram num show nessa base, e mais de 50 pessoas morreram. A primeira música da banda foi sobre essa tragédia. Por isso o nome.

Entre os maiores sucessos da banda de rock pesadinho estão "Amerika", "Ohne dich" e "Du hast".

A conquista de Godesburg

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra.

Um bocadinho de Holanda

Amsterdã ainda não foi dessa vez, mas já deu pra ter uma provinha da Nederland, que em neerlandês significa literalmente "País Baixo", onde em alguns pontos as terras ficam a mais de seis metros abaixo do nível do mar.

Domingo fomos passear em Nijmegen, cidadezinha muito simpática perto da fronteira e à beira do Reno. Como tudo virou União Européia, a fronteira é só uma placa, o que é bem frustrante pra quem, como eu, ficaria muito mais feliz com vários carimbos no passaporte.

Vi vacas e moinhos holandeses, comi um sanduíche e não consegui ler o cardápio. Tulipas, infelizmente, só na primavera...

Veja as fotos.

Mico no trem

Segunda-feira tinha que pegar o trem em Düsseldorf para voltar pra casa. A estação tem 20 plataformas, e o bilhete que se compra simplesmente não diz que hora sai o trem, nem de onde, então a pessoa tem que ficar procurando em painéis eletrônicos com mil e duzentas informações diferentes. Andei que nem barata tonta durante uns 15 minutos, até que achei um posto de informação.

Trem para Bad Godesberg, plataforma 15/16, ok.

Cheguei lá e tinha um ICE estacionado, o trem mais chiquezinho daqui. Achei que aquilo não era pra mim, mas enfim, o meu cartão dava tireito a uma porção de trens diferentes, e o tiozinho me falou que era lá. Entrei.

É, eu não podia pegar o ICE. Chegou o cobrador, mostrei a passagem e ele falou alguma coisa que eu não entendi, mas adivinhei que tinha a ver com o meu cartão e já me preparei pra tomar uma bela multa. Sorte que o dia amanheceu ensolarado e ele estava feliz, daí me cobrou só a diferença. Mesmo assim, a passagem que custaria 14 euros me saiu por 25 - tá certo que a viagem demorou metade do tempo, mas esse é um luxo a que não posso me dar o tempo todo.

Só entro num ICE de novo quando tiver certeza de que paguei por ele.

Ach so, o 'bah' alemão

Os alemães têm uma variedade tão grande de 'ach so' quanto os gaúchos têm de 'bah'. E os estrangeiros comprovam que se pode sobreviver pelo menos uma semana aqui só com o ach so. Alguém fala alguma coisa, você responde "Ach, so!", e o interlocutor acredita que você entendeu tudo. Variações:

Ách so! = Ah, tá. (curto, com a tônica no A)

Ach sOo? = Não diga! (meio cantado)

Ach sôôô... = Não é bem assim... (longo e grave)

Ach sô! = Entendi (curto e grave)

p.s.: depois de uma breve consulta à gramática, arrumei o post.

Festa de verão - e afinal, cadê o verão?

Ontem Bad Godesbeg estava toda enfeitada para a Festa de Verão. Feirinha, show na praça, um monte de gente na rua. Entendi que estamos no auge do verão, embora eu tenha passado o dia todo de casaco - ontem fez 18ºC; em compensação hoje abriu o sol e deve fazer 28ºC.

O Instituto Goethe fez uma Sommerfest particular (Fotos na galeria). Éramos 51 países reunidos. Tinha banda de rock e blues, salsicha, pão e cerveja, lógico - cem litros de Pils na faixa. Hoje acordei com uma ressaca daquelas dos tempos da faculdade.

Todas as turmas fizeram apresentações de música, teatro, brincadeiras, e como todo mundo é meio inseguro com o alemão, parecíamos o jardim de infância. O primeiro grupo fez um jogral... risos. Depois dançamos música turca com passinhos ensaiados, e a minha turma encenou três esquetes de teatro, foi hilário.

Minha apresentação favorita foi dessa música (tradução livre):

Wann wird's mal wieder richtig Sommer
Quando voltará a ser verão de verdade

Wie alle machten eine lange Reise
Sind angekommen in Bad Godesberg
Und lernen hier auf wunderbare Weise
Deutsch und alles, was dazugehört

Todos nós fizemos uma longa viagem
Chegamos em Bad Godesberg
E aprendemos aqui com uma maravilhosa abordagem
Alemão e tudo que com ele tem a ver

Präsens haben wir gecheckt
Perfekt ist noch nicht perfekt
Doch wir können schon recht viel vestehen

O presente nós conferimos
O pretérito perfeito ainda não está perfeito
E sim, muita coisa já entendemos

Aber eins verstehen wir nicht
Im Unterricht da brennt oft Licht
Ja die Sonne wollen wir gern viel öfter sehen

Mas uma coisa não dá pra entender
Na aula geralmente as luzes temos que acender
Queríamos ver o sol com muito mais frequência do que vemos

Wann wird's mal richtig Sommer
Ein Sommer wie er's früher einmal war
So mit Sonnenschein von Juni bis September
Und nicht so nass und so bewölkt wie dieses Jahr

Quando voltará a ser verão de verdade
Um verão como uma vez já houve
Com luz do sol de junho a setembro
E não tão úmido e nublado como em 2009

Einige von uns fahren bald nach Hause
Manches war nicht schelcht und vieles gut
Klar, wir lernen weiter ohne Pause
Und denken an das Goethe-Institut

Alguns de nós voltarão em breve para casa
Alguns não foram tão mal, muitos foram bem
Claro, nós estudamos sempre sem pausa
E pensamos no Instituto Goethe também

Haben, sein war kein Problem
Werden werden wir verstehen
Und mit ein bisschen Zeit noch vieles mehr

Ter, estar não foi problema
O futuro ainda vamos entender
E com um pouco mais de tempo,
muito mais ainda podemos saber
Aber eins war uns nicht klar
Warum das so viel Regen war
Das hat genervt, manchmal sogar sehr

Mas uma coisa não dá pra endender
Porque aqui tanto tem que chover
Isso incomoda, muitas vezes pra valer

Wann wird's mal richtig Sommer
Ein Sommer wie er's früher einmal war
So mit Sonnenschein von Juni bis September
Und nicht so nass und so bewölkt wie dieses Jahr

Quando voltará a ser verão de verdade
Um verão como uma vez já houve
Com luz do sol de junho a setembro
E não tão úmido e nublado como em 2009

Cinema dublado

Essa semana fui pela primeira vez no cinema aqui. Vimos "Inimigos Públicos", e descobri que a maioria dos filmes na Alemanha são dublados. Prefiro sempre a versão original, mas foi engraçado ver o Johnny Depp falando alemão. E fiquei orgulhosa de mim por ter conseguido entender quase tudo - ok, mais da metade do filme foi barulho de metralhadora, mas mesmo assim.

E descobri também por que não vou com a cara daquele Christian Bale. Ele é parecidíssimo com o George W. Bush.

Depois me aconteceu uma coisa muito triste. Na saída esqueci meu guarda-chuva vermelho na Subway. Voltei outro dia pra procurar, mas não estava mais lá. Estou na Alemanha, né, não na Suíça. Enfim, aí comprei uma sombrinha azul royal que cabe na bolsa - porque eu andava aos tombos com o outro no trem -, assim não perco.

Chegou meu café!

Minha mãe me mandou 1 kg de café pelo correio.
Chegou hoje de manhã.
Adeus, Nescafé.
Adeus, chafé das padarias alemãs.
Daqui para frente só tomo meu Sul de Minas 204 degraus.

p.s.: Já comprei duas garrafas térmicas de meio litro cada. Uma para o leite quente, outra para o café. Tô contente que nem pinto no lixo.

Ganhei outra bolsa!

Soube esta semana que ganhei uma segunda bolsa de estágio para trabalhar na Alemanha. Vai ser na Rádio Deutsche-Welle em português, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010. A bolsa é oferecida pela própria DW (mais informações em português aqui).

Em setembro e outubro também vou estagiar lá, mas na redação brasileira da DW-Online, através do convênio entre a Fundação Heinz-Kühn (da minha bolsa atual) e a Deutsche-Welle, rede internacional de comunicação da Alemanha.

Falando nisso, a Fundação Heinz-Kühn está com as inscrições abertas até 30 de novembro. Precisa ser jornalista, ter até 35 anos e falar alemão. Mais informações em português aqui.

Então, aí fico aqui até 14 de novembro, depois passo seis semanas de "férias" no Brasil (muito chique) e volto em janeiro pra mais um trimestre. Urrúl!

"Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade. Viram copos, viram mundos, mas o que foi nunca mais será..."

Um pedido de desculpas à professora Marlene

Durante os três anos do segundo grau, mais um ano de faculdade que fiz em Torres/RS, tive muitos atritos com a Marlene, minha professora de português.

Na verdade simpatizávamos uma com a outra, mas eu não aguentava mais ela ensinar as mesmas coisas sobre análise sintática - que pra mim eram óbvias -, e ela perdia a paciência comigo fazendo perguntas que deixavam os colegas ainda mais confusos.

Pois hoje peço publicamente desculpas por ter reclamado da professora Marlene e das suas intermináveis sessões de análise sintática, anos a fio. De fato elas estão ajudando muito nas aulas de alemão, a compreender e comparar as estruturas dos idiomas, e tenho aprendido bem mais rápido.

Justiça seja feita.

O 'não' alemão

No meu segundo dia de aula aqui, mês passado, meu professor perguntou o que a gente achava do 'não' alemão. Na hora não entendi a pergunta, mas poucos dias depois já tinha me especializado no assunto.

É muito simples. Na maioria dos países, quando alguém diz "não", é sempre um "não, mas..." e daí vem alguma alternativa para resolver a situação. Os alemães dizem "não".

- Não trouxe o meu passaporte, serve uma cópia?
- Infelizmente não.

- Minha máquina de lavar estragou uma semana depois de vencer a garantia, será que vocês ainda podem consertá-la?
- Não, sinto muito.

- Posso trocar as batatas fritas por cozidas?
- Hã... não.

Mas a inflexibilidade alemã - assim como a pontualidade - tem suas excessões.

Nas férias, quando fomos para a ilha de Fröh, por exemplo, tentamos pegar o ferry e a mulher no caixa disse que não tinha mais lugar. Ou íamos sem o carro, ou teríamos que esperar até às oito da noite (eram dez da manhã). Não discutimos - não adianta - e entramos na área de embarque só pra fazer o retorno. Um guarda fez sinal para a gente entrar na fila pro navio, aí demos uma de João-sem-braço e perguntamos se ainda tinha vaga, porque a mulher falou que estava lotado e tal. Ele checou a tabela e disse: "Ah, mas tem vaga, sim, podem passar."

Semana passada aconteceu outra vez. Fui renovar minha carteirinha do trem e não vi que a carteira do Instituto Goethe estava vencida desde 27 de julho, eles não tinham me dado uma nova. O atendente da SWB disse que não seria possível renovar. Olhei pra ele com cara de cachorro que caiu da mudança e disse "poxa, não tem como, mesmo? eles esqueceram de me dar uma nova, mas fico lá um mês ainda..." Aí ele: "... Um mês? ... ... Tá bom", e carimbou. Bem à brasileira...

Chuva + frio = museu

Depois de uma semana de sol escaldante e temperaturas acima dos 30ºC, nossos velhos amigos chuva, vento e frio vieram passar o final de semana em Bonn. Resolvi fazer o que qualquer pessoa faz numa situação dessas: fui pro museu. Fui não, fomos - eu e o guarda-chuva vermelho.

O Museu König tem réplicas empalhadas de animais do mundo todo, com uma ala para a savana, outra para floresta tropical etc., além de uma exposição lindíssima de fotos da natureza e uma mostra especial em comemoração aos 200 anos do nascimento de Charles Darwin (Veja as fotos).

Tinha um número ensurdecedor de crianças lá, acho que eu era a única adulta sem filhos no museu. Valeu a pena, e fez valer o sábado, como direi... pacato. Para fechar a noite, tomei um legítimo e delicioso Nescafé 204 degraus.

p.s.: Na volta passei no supermercado para comprar pão e aproveitei para comprar o vinho que a Ute me pediu. Na hora de pagar, a tia do caixa pediu pra ver a minha identidade, pra saber se eu podia comprar bebidas alcoólicas. Fiquei toda boba.

É nóis na fita, mano. Digo, na webpage.

Ainda não tinha visto a página da
Heinz-Kühn-Stiftung atualizada. Ói nóis lá!




















Diz:
Aqui estão eles.
Nossos novos bolsistas para o ano de 2009.
Parabéns!

Os seguintes candidatos estrangeiros receberam bolsas no estado da Renânia do Norte:

Akoueté Abalo (Togo)
Crispin Dembassa Kette (República Centro-Africana)
Francis França (Brasil)
Luciano Nagel (Brasil)

TestDaF: conversa de gente grande

Me inscrevi pro exame de proficiência em alemão, o TestDaF (Test Deutsch als Fremdsprache...). A prova vai ser dia 16 de setembro.

Assim como o DSH, o TestDaF é o certificado oficial de proficiência para quem quer fazer cursos de graduação ou pós-graduação na Alemanha. Minhas pretensões são para um mestrado.

A Heinz-Kühn-Stiftung se ofereceu para pagar a inscrição pra mim (150 euros). A Ute só pediu que eu, por favor, passe na prova, caso contrário ela tem que dar explicações ao curatório. Eu disse que, se não passar, devolvo o dinheiro. O pior é que o resultado só sai depois de seis semanas...

São quatro partes: ler, ouvir, escrever e falar. Preciso do nível mínimo. Ouvi dizer que é casca grossa.

Respira, respira...

Pergunte ao Zivi

Na Alemanha todos os homens a partir dos 17 anos são obrigados a servir. Não dá pra ficar na reserva, como no Brasil, mas em compensação, como alternativa ao serviço militar, eles podem prestar serviço civil, o Zivildienst.

Temos três 'Zivi' (se fala tsívi) aqui no Goethe, todos muito gente boa. Atuam exemplarmente na função de 'faz-tudo', nos mostram a cidade, dão o endereço do supermercado, trocam lâmpadas, levam a gente pra passear, cortam a grama, servem o café, marcam hora na Ausländeramt, etc.

Tem Zivi por toda a parte, em hospitais, asilos, escolas, órgãos públicos, agricultura, proteção ambiental, etc, etc. O tempo de serviço é de 9 meses, e eles ganham um salário por isso, naturalmente.

Aqui no Goethe a primeira coisa que os novatos aprendem é: em caso de pepino, chame o Zivi.

50 mil habitantes, 29 mil jornais vendidos por dia

Assim é a vida no 'Dithmarscher Landeszeitung', o jornal onde a Katrin trabalha, no Norte da Alemanha. Duas pautas por dia, cinco dias de trabalho por semana e nada de horário fixo.

O diretor é como os nossos, só reclama. Heide, a cidade onde o jornal foi fundado há mais de 140 anos, está perdendo população - logo, leitores - para Hamburgo, principalmente jovens com nível de escolaridade mais alto.

Ainda assim eles têm uma tiragem diária de 29 mil exemplares em uma região de 50 mil habitantes. No Brasil, cidades desse tamanho nem pensam em ter jornal diário, muito menos secular.

Aqui chamam o editor de CVD (Chef vom Dienst, que na tradução literal significa chefe de trabalho). Se pronuncia 'cêfáudê'. Dependendo de onde se trabalha, a sonoridade é muito apropriada. Risos.

Veja mais sobre a viagem ao Mar do Norte no álbum de fotos.

Mar do Norte - o incompreendido (vídeo)

Imagine uma praia em Florianópolis. Agora troque a areia por grama, o biquíni por um casaco e o mar por uma planície lamacenta de 10 quilômetros de comprimento.

Voilá, você está no Mar do Norte durante a maré baixa!



Mais sobre a bucólica viagem às praias alemãs no álbum.

Weimar: terra de Goethe, Schiller, da república e de um campo de concentração


Férias. Weimar é uma cidadezinha de 50 mil habitantes conhecida por muitos motivos, mas principalmente porque aqui foi proclamada a república da Alemanha, em 1919 - mais de trinta anos depois da do Brasil. De fato a Alemanha é bem jovem, nasceu em 1871, antes disso era um conjunto de ducados e principados independentes. Aí depois de três reis e uma guerra mundial, os alemães ficaram de saco cheio da monarquia e fundaram a república.


Eles teriam feito isso em Berlim, se pudessem, mas depois da Primeira Guerra veio a guerra civil, e Berlim estava perigosa demais para o governo. Alguém se lembrou da pequena Weimar, a 300 km de distância, onde os maiores escritores da Alemanha, Goethe e Schiller, tinham vivido. Ela estava longe do fogo cruzado, e lá poderiam escrever a constituição. Assim nasceu a República de Weimar, a mesma que, em 1933, deu poderes a Adolf Hitler como chanceler. O partido nazista – que infelizmente tinha muitos membros em Weimar – fez propaganda durante seis anos, até que em 1939 Hitler invadiu a Polônia e desencadeou a Segunda Guerra Mundial.

Weimar abrigou um campo de concentração a cinco quilômetros do centro da cidade, mas não fomos lá visitar porque a Ute disse que fica sempre muito mal. “Vocês não podem imaginar o que é para um alemão hoje pensar nas coisas que aconteceram aqui.”

Decidimos então ficar só com a parte boa. Visitamos as casas onde Goethe e Schiller viveram, no final dos anos 1700 e começo dos 1800, andamos de bicicleta por todos os parques e assistimos a concertos, na igreja e no bar.

Vi a poltrona onde Goethe estava sentado quando morreu, aos 82 anos. Estava lá ainda do mesmo jeito, de frente para a janela que dá para o jardim. Suas últimas palavras foram: “Deixem entrar a luz”. Na época não existiam agências internacionais, e a notícia da morte de Goethe foi manchete na Europa durante um mês inteiro, até que todo mundo ficasse sabendo.

Conto mais no álbum. Dá uma olhada lá.

Um bom motivo para ir à igreja (vídeo)



Como diz a Ute, “schön, né?”

Bicicleta que nem a do vô França

Domingo e segunda fez sol – coisa rara neste país – e resolvemos trocar o carro por bicicletas. Foi a melhor idéia do feriadão. Sol nas costas, vento no rosto, cheiro de planta. Pedalamos mais de 15 km cidade a dentro, entre ruas, parques, estradas e bosques.

Assim, sim, me sinto aqui.

p.s.: No segundo dia furou o pneu da minha bicicleta e entendi por que os alemães não são os melhores em prestação de serviços. O conserto levou uma hora e meia e custou 19 euros.

'Quando tudo pede um pouco mais de calma'

Neste final de semana me dei conta de que minha vida não é um romance, mas um livro de contos. Domingo à noite eu e a Ute ficamos tomando vinho e conversando sobre as coisas da vida. Falei sobre meus planos, medos, expectativas, e ela me deu um conselho que serviu para me aquietar. Ela disse: “Não perca o sono pensando em decisões. Se preocupe em preencher os próximos dez anos com vida.”

Colhi flores no Jardim de Goethe





















O charme da Alemanha Oriental

Depois da Segunda Guerra - aqui tudo se divide invariavelmente entre antes e depois da guerra – a rica Alemanha Ocidental decidiu passar uma borracha na História e construir tudo novo, moderno, futurista, enquanto a Alemanha Oriental, comunista e sem dinheiro, permaneceu mais ou menos em ruínas até 1989.

O lado bom é que eles começaram a reconstrução quando o trauma da guerra já tinha passado, então se preocuparam em preservar o patrimônio e restaurar as construções antigas. O resultado hoje é uma combinação graciosa de cidades antigas planejadas segundo os padrões atuais.

A vodka brasileira não presta

Foi o que disse a Tania, minha colega russa. Ela me ofereceu um gole da legítima vodka russa, que me ficou queimando a barriga uma boa meia hora. Antes disso, ela já tinha tomado meia garrafa sozinha.

Eu contei que no Brasil temos Smirnoff e Orloff (não cheguei a citar a Raiska, Gio...), e ela me disse que as nossas melhorezinhas são as piores da Rússia... Eu disse que lementava, e ela foi muito amável: "Ah, tudo bem, na Rússia não temos bons cafés". Risos. Recomendou a Russische Standart, que se escreve mais ou menos assim:

PYCCUÚ CTAHAAPT

Aí aprendi russo também!

Olá = príviat
Adeus = poká (com o 'o' bem curto)
Saúde! = nastaróvia!
Muito obrigado = bolshoia spáicibo (o 'bolshoi', do balé, significa "muito")
Eu te amo = iá tbiá lublu

Nastaróvia!

Cumprido 1/4 da missão

Hoje foi o último dia de aula. Os cursos aqui no Goethe duram apenas um mês, e amanhã vai quase todo mundo embora. Dia 4 recomeçam as aulas, eu fico mais um mês, junto com alguns colegas.

Com o tempo se apresentar e se despedir das pessoas se torna rotina, e nos damos conta de que alguns amigos simplesmente não veremos mais. É daquelas coisas que a gente entende, mas não se acostuma.

Recebemos hoje nosso certificado de desempenho. Terminei o curso com 88% de aproveitamento e mês que vem vou pular um nível, do B2.1 para o B2.3. Muito bom.

Agora vamos pro bar tomar umas Pils pra comemorar. Fotos da despedida aqui.

Amanhã, Düsseldorf, depois Weimar, depois Mar do Norte.
O blog vai junto, claro.

Alcatra no alho

Depois do episódio desta manhã na Ausländeramt, e considerando que só tive tempo de almoçar um sanduíche, resolvi me levar pra jantar no restaurante brasileiro que tem aqui em Bad Godesberg, o "Limão".

Não tem arroz com feijão, mas tem feijoada e churrasco, o nome dos pratos está em português e só toca MPB. Pedi toda segura uma alcatra no alho - aposto que o garçom não consegue pronunciar a palavra 'alho' - e um Guaraná Antarctica.

Me trouxeram um naco colossal de alcatra com aipim frito que eu não teria coragem de comer no Brasil - repara no tamanho do prato em relação à latinha de guaraná.

Saí de lá com os botões da blusa esgarçando.

Minha 2ª consulta na Secretaria de Estrangeiros

Não deu certo de novo, mas acho que hoje fiz a Frau Linden muito feliz. Ela me deixou esperando em pé no corredor durante 40 minutos para me dizer que teríamos que marcar uma nova consulta. Deve ter sido o momento mais prazeroso do seu dia.

No fim das contas, preciso do documento da Deutsche-Welle, mesmo depois de a Ute ter falado direto com o diretor-geral da Ausländeramt.

Quando a Frau Linden se ofereceu para marcar nosso próximo encontro, eu agradeci, mas declinei. Disse que marco eu mesma em setembro, depois que começar a trabalhar na DW e tiver o documento em mãos. Ela respondeu: "Por mim tanto faz." Até lá, gente, por favor, todo mundo rezando pra eu cair na mão de outro funcionário.

Sorri, agradeci e hoje ainda lhe desejei um "lindo dia".

Pelo menos a consulta foi às 10h.
E não estava chovendo.

Dresden para os olhos, Leipzig para os ouvidos

Viajamos 1.300 km, eu e mais quatro colegas, para visitar Dresden e Leipzig, na região leste da Alemanha. Valeu cada quilômetro.

Leipzig é música. Se ouve na igreja, no museu, na calçada... e na história. Visitamos a última casa de Mendelssohn (marcha nupcial) e as catedrais onde Bach regeu coros e compôs grande parte da sua obra.

Dresden te faz perder o fôlego a cada esquina. É uma das cidades mais bonitas que já vi. Além dos monumentos, castelos, ruelas, e tudo de bonito que se pode encontrar, vimos uma exposição de obras de pintores renascentistas, incluindo Botticelli e Rafael...

Clique aqui para ver as fotos de Leipzig e Dresden.