Santiago de Compostela 7 anos depois

Bastou pisar na Praça do Obradoiro para perceber que eu continuo no mesmo Caminho. A última vez que estive em Santiago de Compostela foi no dia 5 de julho de 2002, depois de caminhar mais de 800 km desde a França. Dessa vez cheguei de avião, mas o Caminho era o mesmo.

Eu estava com as mesmas botas e a mesma mochila da minha peregrinação, então as pessoas achavam que eu tinha recém terminado o Caminho de Santiago. Se diz que depois de percorrer o Caminho uma vez, somos para sempre peregrinos, então não me constrangi de ser confundida com um.

Fiquei mais de uma hora dentro da catedral e tirei todas as fotos que tive vontade - na última vez vim com câmera de filme. O pórtico onde os peregrinos colocam a mão e dizem “Senhor, eu creio”, como símbolo do final do Caminho, estava interditado. Tirei fotos dos cinco buracos profundos que peregrinos desde mil anos esculpiram no mármore. Somos como água que bate na pedra, pensei...

Em Madrid soube que o Seminário Menor, onde eu tinha dormido da última vez estava fechado desde 1 de novembro. Fiquei preocupada de não encontrar lugar para dormir e cheguei até a pensar em cancelar a viagem. Aí me lembrei que sou peregrina, botei a mochila nas costas e o pé na estrada. Tudo sempre dá certo.

Ainda hoje Santiago me apronta das dele. Eu já ia para a saída da cidade em busca de outro albergue quando achei melhor voltar até o centro de informações turísticas. Uma peregrina estava lá para saber como chegar à Corunha. Ela era alemã e está no Caminho há cinco meses. Começou na porta de casa, perto de Colônia, conheceu os picos a Europa, foi a Finisterre e agora está voltando para casa, quer chegar até o Natal.

Eu já ia saindo quando ela me convidou para o jantar dos peregrinos no Parador dos Reis Católicos. Eu tinha lido no livro do Máqui - que fez o Caminho em 1990 - que todas as noites os primeiros 10 peregrinos a chegar tinham direito a uma refeição gratuita no hotel de luxo. Em 2002 eu nem tentei, porque a chance de ser uma dos dez primeiros era remota. Dessa vez, fui de penetra e jantei de graça no parador.

Sete anos depois eu estava em uma mesa com seis peregrinos, dormi no refúgio do Monte do Gozo e até ganhei um sello (carimbo) no meu livrinho de anotações, já que não tinha a minha credencial. Foi como se o tempo não tivesse passado.

Gracias, Santiago.

Veja as fotos:
Santiago de Compostela

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