Weimar: terra de Goethe, Schiller, da república e de um campo de concentração


Férias. Weimar é uma cidadezinha de 50 mil habitantes conhecida por muitos motivos, mas principalmente porque aqui foi proclamada a república da Alemanha, em 1919 - mais de trinta anos depois da do Brasil. De fato a Alemanha é bem jovem, nasceu em 1871, antes disso era um conjunto de ducados e principados independentes. Aí depois de três reis e uma guerra mundial, os alemães ficaram de saco cheio da monarquia e fundaram a república.


Eles teriam feito isso em Berlim, se pudessem, mas depois da Primeira Guerra veio a guerra civil, e Berlim estava perigosa demais para o governo. Alguém se lembrou da pequena Weimar, a 300 km de distância, onde os maiores escritores da Alemanha, Goethe e Schiller, tinham vivido. Ela estava longe do fogo cruzado, e lá poderiam escrever a constituição. Assim nasceu a República de Weimar, a mesma que, em 1933, deu poderes a Adolf Hitler como chanceler. O partido nazista – que infelizmente tinha muitos membros em Weimar – fez propaganda durante seis anos, até que em 1939 Hitler invadiu a Polônia e desencadeou a Segunda Guerra Mundial.

Weimar abrigou um campo de concentração a cinco quilômetros do centro da cidade, mas não fomos lá visitar porque a Ute disse que fica sempre muito mal. “Vocês não podem imaginar o que é para um alemão hoje pensar nas coisas que aconteceram aqui.”

Decidimos então ficar só com a parte boa. Visitamos as casas onde Goethe e Schiller viveram, no final dos anos 1700 e começo dos 1800, andamos de bicicleta por todos os parques e assistimos a concertos, na igreja e no bar.

Vi a poltrona onde Goethe estava sentado quando morreu, aos 82 anos. Estava lá ainda do mesmo jeito, de frente para a janela que dá para o jardim. Suas últimas palavras foram: “Deixem entrar a luz”. Na época não existiam agências internacionais, e a notícia da morte de Goethe foi manchete na Europa durante um mês inteiro, até que todo mundo ficasse sabendo.

Conto mais no álbum. Dá uma olhada lá.

Um bom motivo para ir à igreja (vídeo)



Como diz a Ute, “schön, né?”

Bicicleta que nem a do vô França

Domingo e segunda fez sol – coisa rara neste país – e resolvemos trocar o carro por bicicletas. Foi a melhor idéia do feriadão. Sol nas costas, vento no rosto, cheiro de planta. Pedalamos mais de 15 km cidade a dentro, entre ruas, parques, estradas e bosques.

Assim, sim, me sinto aqui.

p.s.: No segundo dia furou o pneu da minha bicicleta e entendi por que os alemães não são os melhores em prestação de serviços. O conserto levou uma hora e meia e custou 19 euros.

'Quando tudo pede um pouco mais de calma'

Neste final de semana me dei conta de que minha vida não é um romance, mas um livro de contos. Domingo à noite eu e a Ute ficamos tomando vinho e conversando sobre as coisas da vida. Falei sobre meus planos, medos, expectativas, e ela me deu um conselho que serviu para me aquietar. Ela disse: “Não perca o sono pensando em decisões. Se preocupe em preencher os próximos dez anos com vida.”

Colhi flores no Jardim de Goethe





















O charme da Alemanha Oriental

Depois da Segunda Guerra - aqui tudo se divide invariavelmente entre antes e depois da guerra – a rica Alemanha Ocidental decidiu passar uma borracha na História e construir tudo novo, moderno, futurista, enquanto a Alemanha Oriental, comunista e sem dinheiro, permaneceu mais ou menos em ruínas até 1989.

O lado bom é que eles começaram a reconstrução quando o trauma da guerra já tinha passado, então se preocuparam em preservar o patrimônio e restaurar as construções antigas. O resultado hoje é uma combinação graciosa de cidades antigas planejadas segundo os padrões atuais.

A vodka brasileira não presta

Foi o que disse a Tania, minha colega russa. Ela me ofereceu um gole da legítima vodka russa, que me ficou queimando a barriga uma boa meia hora. Antes disso, ela já tinha tomado meia garrafa sozinha.

Eu contei que no Brasil temos Smirnoff e Orloff (não cheguei a citar a Raiska, Gio...), e ela me disse que as nossas melhorezinhas são as piores da Rússia... Eu disse que lementava, e ela foi muito amável: "Ah, tudo bem, na Rússia não temos bons cafés". Risos. Recomendou a Russische Standart, que se escreve mais ou menos assim:

PYCCUÚ CTAHAAPT

Aí aprendi russo também!

Olá = príviat
Adeus = poká (com o 'o' bem curto)
Saúde! = nastaróvia!
Muito obrigado = bolshoia spáicibo (o 'bolshoi', do balé, significa "muito")
Eu te amo = iá tbiá lublu

Nastaróvia!

Cumprido 1/4 da missão

Hoje foi o último dia de aula. Os cursos aqui no Goethe duram apenas um mês, e amanhã vai quase todo mundo embora. Dia 4 recomeçam as aulas, eu fico mais um mês, junto com alguns colegas.

Com o tempo se apresentar e se despedir das pessoas se torna rotina, e nos damos conta de que alguns amigos simplesmente não veremos mais. É daquelas coisas que a gente entende, mas não se acostuma.

Recebemos hoje nosso certificado de desempenho. Terminei o curso com 88% de aproveitamento e mês que vem vou pular um nível, do B2.1 para o B2.3. Muito bom.

Agora vamos pro bar tomar umas Pils pra comemorar. Fotos da despedida aqui.

Amanhã, Düsseldorf, depois Weimar, depois Mar do Norte.
O blog vai junto, claro.

Alcatra no alho

Depois do episódio desta manhã na Ausländeramt, e considerando que só tive tempo de almoçar um sanduíche, resolvi me levar pra jantar no restaurante brasileiro que tem aqui em Bad Godesberg, o "Limão".

Não tem arroz com feijão, mas tem feijoada e churrasco, o nome dos pratos está em português e só toca MPB. Pedi toda segura uma alcatra no alho - aposto que o garçom não consegue pronunciar a palavra 'alho' - e um Guaraná Antarctica.

Me trouxeram um naco colossal de alcatra com aipim frito que eu não teria coragem de comer no Brasil - repara no tamanho do prato em relação à latinha de guaraná.

Saí de lá com os botões da blusa esgarçando.

Minha 2ª consulta na Secretaria de Estrangeiros

Não deu certo de novo, mas acho que hoje fiz a Frau Linden muito feliz. Ela me deixou esperando em pé no corredor durante 40 minutos para me dizer que teríamos que marcar uma nova consulta. Deve ter sido o momento mais prazeroso do seu dia.

No fim das contas, preciso do documento da Deutsche-Welle, mesmo depois de a Ute ter falado direto com o diretor-geral da Ausländeramt.

Quando a Frau Linden se ofereceu para marcar nosso próximo encontro, eu agradeci, mas declinei. Disse que marco eu mesma em setembro, depois que começar a trabalhar na DW e tiver o documento em mãos. Ela respondeu: "Por mim tanto faz." Até lá, gente, por favor, todo mundo rezando pra eu cair na mão de outro funcionário.

Sorri, agradeci e hoje ainda lhe desejei um "lindo dia".

Pelo menos a consulta foi às 10h.
E não estava chovendo.

Dresden para os olhos, Leipzig para os ouvidos

Viajamos 1.300 km, eu e mais quatro colegas, para visitar Dresden e Leipzig, na região leste da Alemanha. Valeu cada quilômetro.

Leipzig é música. Se ouve na igreja, no museu, na calçada... e na história. Visitamos a última casa de Mendelssohn (marcha nupcial) e as catedrais onde Bach regeu coros e compôs grande parte da sua obra.

Dresden te faz perder o fôlego a cada esquina. É uma das cidades mais bonitas que já vi. Além dos monumentos, castelos, ruelas, e tudo de bonito que se pode encontrar, vimos uma exposição de obras de pintores renascentistas, incluindo Botticelli e Rafael...

Clique aqui para ver as fotos de Leipzig e Dresden.

Um Mercedes e 1.300 km de Autobahns

As estradas da Alemanha (Autobahns) são conhecidas por serem perfeitas e, principalmente, por não terem limite de velocidade. Tudo verdade. Bem, passamos por alguns trechos em obras, trechos COM limite e pegamos congestionamento no caminho para Frankfurt, mas na maior parte dos 1.300 quilômetros que percorremos neste final de semana, as Autobahns são tudo o que falam, mesmo.

E estávamos em um Mercedes. Com GPS e câmbio, luzes, limpadores de parabrisa e ar condicionado automáticos. No início paguei uns micos, porque no reflexo para pisar na embreagem - que não existe - dei freadas cinematográficas. Sorte que o reflexo só acontece quando o carro está devagar, quase parando. A primeira vez foi num cruzamento, e quando passei pelo senhor do carro da frente, ele estava às gargalhadas. Depois peguei o jeito.

E por falar em velocidade...


p.s: 1.300 km depois, na chegada em Bad Godesberg, levei uma multa. A velocidade máxima era 50km/h e eu estava a 60km/h... ¬¬

Alemão doido na contra-mão

Acontece umas três vezes por dia, e é a notícia mais importante das rádios na Alemanha.

Cada estúdio de rádio tem uma espécie de semáforo sobre a mesa, com uma luz azul, uma vermelha e uma amarela. A vermelha significa "no ar", a amarela, que chegou alguma informação quente e é bom checar se vale a pena interromper a programação.

Mas se a luz azul acender, meu amigo, para tudo. A programação é interrompida para dar a notícia urgente. E geralmente é de motorista que entrou numa Autobahn (aquelas sem limite de velocidade) na contra-mão.

Vimos tudo isso sexta-feira lá na WDR, rede pública de comunicação aqui da região oeste. Na Alemanha para ver TV as pessoas precisam pagar uma taxa mensal de uns 3o euros. Sem esse imposto, tela preta. O dinheiro sustenta as redes de comunicação regionais como a WDR, pública, independente e sem propaganda. Muito bom.

Fotos da visita aqui.

Me apaixonei

Perdidamente pela minha nova Nikon.
10 megapixel, zoom ótico de 15x, dezenas de modos de foto e vídeo por 260 euros (780 reais, no Brasil está por 1700) na Saturn...

Adeus, porrãozinha

Cansei da conexão do Goethe e comprei um modem 3G pré-pago.
Um link de 3 Giga - sim, Giga - na operadora O2 custou 70 pila o modemzinho USB, com o primeiro mês livre, daí depois posso comprar cartão de 25 pila de crédito com acesso livre por um mês.

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós...

Minha consulta na Secretaria de Estrangeiros...

...estava marcada para as 8h da manhã - se eu soubesse o que estava por vir, teria ficado na cama.

Preciso estender a validade do meu visto porque minha bolsa é de 4 meses, e no consulado do Brasil eles só podem dar 3 meses de permanência - o que é tecnicamente desnecessário, já que brasileiros podem permanecer na Europa durante 3 meses sem visto, mas que diplomaticamente facilita as coisas por aqui.

Peguei o metrô às 7h30 e quando cheguei na estação de Bonn estava chovendo. Marquises são tão raras aqui quanto leite quente, e não existe possibilidade de se comprar um guarda-chuva antes das 10h.

Me perdi duas vezes - na chuva - antes de encontrar a Ausländeramt (Secretaria de Estrangeiros), simplesmente porque ela não fica no endereço indicado no mapa. Cheguei dois minutos atrasada e fui recebida por uma funcionária com carisma para trabalhar em Ausschwitz.

Olhou a documentação e me pediu a foto. Entreguei minha 3x4. Não valia, tinha que ser uma foto biométrica...

- Me desculpe, eu não sabia...
- Sabia sim, a pessoa que marcou a consulta para você informou.
- Er... na verdade quem marcou pra mim foi o funcionário do Instituto Goethe, por e-mail...
- Essa informação é sempre fornecida. Teremos que marcar uma nova consulta.

Ficou pra terça que vem, às 10h. Preciso também levar uma autorização de trabalho da Deutsche-Welle - que eu não tenho ainda, preciso pedir pra Ute.

Respirei fundo e pensei na 'Lei dos 10%'. Segundo esta lei, 10% das coisas ruins que acontecem na sua vida são inevitáveis, mas 90% são provocadas pelas atitudes que você toma por causa dos 10%. Sorri, agradeci e saí.

Não há de ser nada. Hoje à tarde vamos visitar uma grande emissora de TV aqui do estado, a DWR. E à tardinha vou dirigir um Mercedes em uma Autobahn até Leipzig, a 500 km de Bonn. Segunda-feira posto as fotos e conto como foi!

p.s.: Quando faltavam 300 metros para chegar no instituto, comprei um guarda-chuva vermelho.

Homesick

Eu não sou da sua rua
(Marisa Monte - composição de Branco Mello e Arnaldo Antunes)



Eu não sou da sua rua,
Eu não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.

Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é meu
Esse mundo não é seu.

Chucrute. O quê?

Tá sentado? Os alemães não sabem o que é chucrute. Essa palavra faz parte de dialetos antigos que hoje ninguém mais conhece. Pois tenho a honra de lhes apresentar o famoso Sauerkraut - o famoso chucrute, conserva de repolho.

Assalto no Instituto Goethe

Quem diria. Na madrugada de domingo (12) para segunda, ladrões arrombaram a janela do departamento financeiro do Instituto Goethe-Bonn e roubaram o cofre. A polícia especula que pelo menos três pessoas estejam envolvidas - para conseguirem carregar a caixa de chumbo -, e que os "meliantes" conhecem o prédio, já que entraram direto na sala onde estava todo o dinheiro do instituto.

Ficou uma bagunça. A diretoria já providenciou reforços para as portas e trocou a fechadura. A porta que dá para os dormitórios também tem marcas de arrombamento, mas não chegou a ser aberta. Ninguém viu nem ouviu nada, e eu, no segundo andar, muito menos.

Hoje de manhã, a Íris - a divertida tia do café com voz de dubladora - alertou todo mundo a manter a porta dos quartos sempre trancada.

O Instituto Goethe-Bonn fica em Bad Godesberg, considerado um dos bairros mais seguros e tranquilos de Bonn.

Quem terá sido?

Aikido!


Achei!
Na verdade peguei o trem certo no outro dia, só que no sentido oposto... Hoje fui direitinho, mas só para descobrir que não preciso pegar um segundo trem. Dá pra ir tranquilamente a pé por uma alameda de conto de fadas (fotos). Dez minutinhos, só.

Ah! E olha que interessante: aqui na Alemanha não existem faixas coloridas. Só branca e preta.

Já me inscrevi pra treinar até o final de outubro, segundas e quartas.

Shugyo!

Por um café com leite quente...

...204 degraus.

Preparo o nescafé no quarto - tenho que colocar dois sachês porque a medida deles é muito fraca -, vou pra cozinha, esquento mais do que o necessário - pra que ele não esfrie até eu chegar no quarto de volta - e volto pra tomar meu café na minha sacada onde cabe só uma pessoa.

Hoje descobri que meu quarto dá para o leste, e que se não fosse pelo pinheiro gigante que tem na frente da minha janela, eu teria vista para o Petersberg.

Mais um almoço frustrado

Preciso definitivamente aprender o nome das comidas. Fui toda feliz pra cozinha com meu macarrão de microondas embaixo do braço e, quando ficou pronto, descobri que era com uva, manga e molho curry. Não estava ruim, mas eu queria tanto uma comida salgada basiquinha...

p.s.: comprei Nescafé e leite. Rá!

Kandinsky, Modigliani e um domingo de chuva

Como na Alemanha o tempo é ruim na maior parte do ano, eles têm muita coisa boa pra fazer em domingos cinzentos como hoje. Você pode encontrar, por exemplo, uma exposição de Wassily Kandinsky e outra de Amadeo Modigliani na mesma estação do metrô. Foi o que eu fiz (fotos).

Na saída tomei um café com Beethoven... eheh
Pena que o café aqui é tão ruim. O 'normal' é fraco, e o expresso parece o normal, só que é minúsculo. Tenho que pedir sempre expresso duplo com leite - o que horroriza a platéia. E, pra piorar, não tem leite quente neste país... quando a criatura pede leite, eles dão potinhos de plástico com 10 ml de leite frio pra colocar no café... grrr...

Koblenz - amada por Napoleão

A folha soltou do galho
era plátano
dançou no ar
e caiu no Reno.

Acompanhe o passeio pelas fotos.

Feliz aniversário em 9 idiomas

Ontem a Benek, da Turquia, estava de aniversário. Foi dia de happy hour, tava todo mundo no bar e cantamos parabéns pra ela em alemão, inglês, espanhol, russo, francês, português, japonês, coreano e kölnish, o dialeto alemão aqui da região.

Pocahontas! (vídeo)


O Carlo Soria, das Filipinas, tocou pra mim. =)

Have you ever heard the wolf cry to the blue corn moon
Or asked the grinning bobcat why he grinned?
Can you sing with all the voices of the mountains?
Can you paint with all the colors of the wind?
Can you paint with all the colors of the wind?

Meu lugar em Bonn

Achei. Um pub irlandês muito aconchegante em Bad Godesberg onde toca Creed e Perl Jam, tem cerveja clara Pils (aquela escura tem gosto de azedo, blérgs) e... SINUCA!

Que chova...

Festival particular de culinária

Nossa cozinha é uma festa. Ontem os chineses estavam preparando um feijão verde miúdo que eu nunca vi na vida. A suíça assou uma torta de maçã (!). A tailandesa fez um cozido de legumes com bacon muito cheiroso. A espanhola, rabanadas. E o francês tá sempre inventando alguma coisa requintada. Ontem foi beringela com tomate, capeletti e mussarela. Filei, lógico. No mais, geralmente faço comida de microondas... risos.

Mas vou começar a honrar os França e cozinhar também, assim que eu encontrar alho e sal no supermercado. Eu já sou meio tonta pra encontrar as coisas na prateleira. Aqui, que tem 128 tipos de cada coisa, então...

E descobri que tem um restaurante brasileiro em Bad Godesgerg também, chama-se 'Limão'. Ainda vou lá.

Chove em Bonn

In................

...........can...

...sa..............

...............vel

.....men........

..............te...

Por que ninguém quer aprender alemão

machen = fazer
aufmachen = abrir
zumachen = fechar
einmachen = acender/ligar
ausmachen = apagar/desligar

E esses verbos ainda são repartidos.
Pra dizer "eu abro", você não diz "ich aufmache", não...
Você diz "eu bro a", "ich mache auf".

Super simples. ¬¬

Ah, eu sou gaúchoooo! (vídeo)

Ouvir um turco, um árabe e uma espanhola gritando isso não tem preço.



Ontem foi aniversário de um colega e fizeram uma festa na república deles.

Encontrei dois gaúchos lá que tinham levado a bandeira do Rio Grande (fotos aqui), uma camiseta do Grêmio e os aparatos do chimarrão. Bah, tomei até ficar verde.

Quando vimos, metade da festa estava no quarto com a gente provando o tximarrôm, cada um dando um golinho, risos...

Tivemos que explicar que era só um chá, sem droga e totalmente legal.

Onde nenhuma outra erva daninha jamais chegou

Vesti a blusa e senti aquela espetada nas costas. Fui olhar e era uma porção daquelas bolinhas espinhentas que tem no gramado de casa. Dói...

Catei uma por uma, espetei os dedos, joguei-as fora e parabenizei pelos 11 mil km percorridos para perpetuar a espécie. Sua mãe ficaria orgulhosa.

Invernico

Hoje amanhecemos com 13ºC lá fora. Ainda bem que na última hora peguei algumas blusas quentes pra trazer. Aqui tá marcando chuva e temperatura entre 12ºC e 21ºC até domingo...

E dá-lhe museu no lombo.

Curiosidades aleatórias

Tem um esquilo morando na árvore em frente ao Instituto Goethe.

É normal ver cães e bicicletas em ônibus e trens.

Vi um bebê de uns dois anos comendo pão com linguiça (Wurst).

O sal aqui é diferente do nosso, é um pouco mais grosso, da textura da areia.

Ontem conheci uma menina grega que se chamava Constantina e seu apelido era Tina.

E aí, praticidade ou conforto?


A paz de Bad Godesberg

Me perdi!

Até a estação central de Bonn foi tranquilo, daí começou a lambança.

Eu estava procurando o centro de treinamento (dojo) de Aikido aqui de Bonn, tinha visto no mapa onde era e precisava pegar dois trens e caminhar uns 500 metros. Ok. Linha 63 e depois 62. Na hora de sair, caiu a internet e eu não consegui copiar o endereço, mas eu lembrava que era a linha 63, depois a 62.

Quando desembarquei no Hauptbahnhof (estação central), olhei para os lados e veio aquele "e agora?" Plataformas e placas pra tudo que é lado, e aquele mapa com dezenas de linhas coloridas de trem, metrô e ônibus misturadas. Subi até a plataforma do trem e perguntei pra uma senhora onde ficava a estação de Koenigstrasse. Ela não sabia. Mau sinal. Disse pra eu pedir informações no balcão. Não achei nem o balcão.


Você também se perderia, vai...

Saí da estação e fui andando na direção de onde me disseram que tinha um posto de informações turísticas. Quando cheguei lá, estava fechado. Voltei. Aí vi um trem elétrico na rua. Lembrei que o Mohammed lá do instituto disse que eu precisava pegar um Strassbahn (trem de estrada), mas eu jamais pensei que fosse literamente um trem de estrada.

A parada era na frente do Hauptbahnhof, e a linha 62 ia chegar em 3 minutos. Viva! Entrei no trem. Minha parada devia ser a segunda depois da estação principal, de acordo com o mapa que eu tinha na cabeça. Veio a terceira, a quarta, a oitava, até que chegamos no fim da linha. E agora? Voltar, né, cabeçuda, eu devia ter descido várias paradas atrás.

Aí começou a chover. Scheisse...

Desisti do Dojo e decidi voltar pro Goethe. Teria um ônibus de volta para o Hauptbahnhof em seis minutos. Entrei no ônibus - de verdade - bem frustrada, com três alemaezinhos hiperativos do meu lado... Pelo menos o metrô pra voltar pra casa eu achei fácil (ok, tive que perguntar).

Aí na minha frente sentou a Ghertrude! Tem coisa que acontece comigo que nem eu acredito.

A Ghertrude (suponho que se escreva assim) é vietnamita, mora há 18 anos na Alemanha e já morou na República Tcheca. Ela viu que eu tava meio jururu e puxou assunto, queria saber de onde eu era e tal. Contei a minha saga e ela perguntou quando eu voltaria lá. Eu disse que na quinta-feira e ela se ofereceu pra ir comigo! Ficou com meu telefone, falou que vai estudar a rota direitinho em casa e me leva lá, sem problema.

Cheguei no Goethe bem mais contente. Fui estudar de novo o bendito Fahrplan (plano de viagem) pra ver onde eu tinha me perdido. Na verdade eu peguei os trens certos, só não desci onde devia descer. De qualquer forma, descobri que o Dojo fica a apenas 1km do Hauptbahnhof. Quinta-feira vou a pé. Com o segundo trem fico ainda 500 metros longe... por 500 metros ando outros 500 e não me perco.

p.s.: isso que a tonta levou a bússola para não se perder, porque sabia que o dojo ficava a oeste do Hauptbahnhof...

A Casa da História

conta os passos da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial até o presente. O museu é muito legal, nada entediante, com muitas fotos, objetos e relatos multimídia. Na foto abaixo, por exemplo, se pode sentar nas cadeiras onde ocorreram as assembléias para escrever a Lei Fundamental alemã, que era para ser uma lei provisória, até que se criasse a Constituição, mas acabou que vale até hoje. E mais, assistir no telão os discursos dos políticos daquela época. Me sentei numa das cadeiras e perguntei pra Canan, que estava na outra fileira: "e aí, o que você quer pôr na constituição?" Uma alemã sentada do meu lado caiu na gargalhada.

Réplica (ou pedaço, não sei bem) da sala da Constituinte de 1949, formada por representantes do Parlamento, Senado, Assembléias Estaduais e representantes livres do povo para escrever a constituição pós-Nazismo.

Algumas coisas me chamaram especialmente a atenção, como as fotos das cidades destruídas ao lado das reconstruídas, impressionante. Em 1949 a Alemanha era ruína pra tudo que é lado. Aí tiveram aquelas reuniões durante quatro anos no Petersberg, que eu contei no outro post, para decidir se os Aliados ajudariam a reconstruir a Alemanha, ou abandonariam os alemães à sua própria sorte. Ficaram com a primeira opção.

As fotos dos judeus mortos são sempre chocantes, e tinham objetos da época também, de arrepiar. Um dos relatos fala sobre um sobrevivente que caminhou 800 km para voltar ao seu país. Sei quanto significa, mas não imagino o que seja depois de 5 anos em um campo de concentração.

Entrei também na carcaça de um avião dos Aliados, daqueles que usavam para levar comida e remédio para as pessoas. Pena que não pude tirar nenhuma foto, as câmeras eram proibidas. O pessoal ficava me cuidando o tempo todo, a brasileira que toca em tudo... eheh. Sou como o Saramago escreveu: "pessoa simples, daquelas que precisam de pôr a mão em cima das coisas para as reconhecerem”.

Mais sobre o museu aqui.

Campanha contra a xenofobia

Seu Cristo, judeu.
Seu carro, japonês.
Sua pizza, italiana.
Sua democracia, grega.
Seu café, brasileiro.
Suas férias, turcas.
Seus números, arábicos.
Seu alfabeto, latino.
E seu vizinho não passa de um estrangeiro?
(DSR - Deutschen Städten Reklame. Estava escrito em um cartaz gigante na Casa da História)

102 degraus

me separam da cozinha.

Decidi contar na terceira vez que esqueci meus talheres e precisei voltar pra buscar. Meu quarto fica no segundo andar, a cozinha também, só que no prédio do lado, que tem ligação só pelo porão, então é um sobe e desce sem fim.

Pelo menos assim faço um exerciciozinho, porque vou te contar, tudo o que se come aqui é super calórico. Todo mundo conta que dá pra engordar um quilo por semana tranquilo. Comigo não, violão!

Ontem já coloquei em prática meu plano de comprar comida no supermercado. Por 3,50 euros consegui frango grelhado com arroz, brócolis e pimentões que ficou pronto em 8 mintos no microondas.

Tem também comida fresca pronta por quilo, só que não é bufê que nem no Brasil - aqui os restaurantes servem um PF. Essa comida por quilo é toda separada, salada custa X, frango com molho Y e etc. Com a diferença de que aqui o mais caro que vi aqui custa 4 euros o quilo, não 30, que nem no Iguatemi em Floripa...

A melhor sala de aula


Esse aí é o Saeed, da Arábia Saudita. Nossa sala de aula fica no porão também, do lado da mesa de pingue-pongue, e o professor nos deixa entrar pela janela quanto acaba o intervalo. Quem deu a idéia na primeira vez? Quem? Quem? Risos...

Mais fotos da sala aqui.

p.s.: O professor também pula a janela.

A falácia do almoço por 3 euros

A cantina que oferece almoço por 3 é uma experiência única (daquelas que se deve experimentar uma única vez na vida). Não sei se dei azar com o menu, mas me serviram um macarrão grudento com um molho de queijo muito ordinário. O refrigerante até era bom, parecia guaraná, mas era feito de maçã. Enfim, nunca mais.

Já decidi que daqui pra frente vou sair todo dia de manhã pra ir ao supermercado comprar meu almoço e jantar, barato igual e muito melhor. Assim já aproveito e dou uma caminhada pra espairecer.

Deixei metade do "menu" no prato... será que eles ficaram bravos comigo?
O Vô França ficaria...

A foto da discórdia


Levei um xingão por causa dessa foto. Quando viu o flash, a mulher do meio veio tirar satisfação, querendo saber se a foto era delas. Eu, bem cara de pau, respondi, 'não, é do centro comercial ali atrás'. Ela acreditou, ufa. Pena que a foto ficou uma porcaria. Preciso definitivamente de uma câmera melhor.

Hoje foi o dia dos estranhamentos. Além do piti das muçulmanas, também experimentei um iogurte da Turquia, com água e bicarbonato de sódio. Seria gostoso, se não fosse salgado. Comi também um Kebab, sanduíche descomunal feito com carne de carneiro moída.

Aí de noite o Pierre e a Canan ficaram chocados porque eu coloquei leite no café expresso.

Música no Trem (vídeo)



Eles vêm do leste Europeu, provavelmente da Romênia.
Na Alemanha oferecem música em troca de moedas, e mesmo que a situação pareça triste (principalmente pela menina), ainda é muito melhor do que em seus países de origem, onde a pobreza é mais cruel do que no Brasil, por causa do frio.

Pena que a qualidade está ruim. Preciso aprender a fazer vídeos um pouco melhores, mas que não fiquem muito pesados. Estou usando o Vegas como editor, alguém tem alguma sugestão?

ps: Perceberam que eu ganhei um sorriso da menina? =)

Pensa rápido: o que é mais barato na Alemanha, Coca-Cola ou cerveja?

Cerveja, é claro. Por um copo com 200 ml num pub bacaninha (em bares mais simples é mais barato):

Cerveja: 1,60 euro
Coca-cola: 2,30 euros
Suco de maçã (de garrafa): 2,50 euros*
Suco de laranja (de garrafa): 3 euros*

A pesquisa (eheh) foi realizada durante nosso Passeio em Köln.

* Ainda não vi outro suco além destes por aqui.

Nur Bar / Just cash

É raro encontrar algum lugar aqui que aceite cartão de crédito. De débito até tem, mas também não é muito comum. Está certo, as bandeiras exploram os empresários e como os europeus são mais politizados, se recusam a adotar os cartões.

Almoçamos num lugar onde cabem 1700 pessoas (são quatro andares, do térreo para o subsolo, tudo de pedra, muuuito legal) e eles só aceitam pagamento em dinheiro vivo. A boa notícia é que está cheio de caixas eletrônicos por aqui. Mas, por via das dúvidas, é bom ter sempre um par de euros no bolso.

No castelo onde Michael Schumacher se casou


Foi onde eu almocei na sexta-feira (que exibida, eheh). Me senti chiquíssima, e gastei o equivalente ao almoço de uma semana no restaurante pertinho do instituto...

Petersberg hoje é uma casa para grandes recepções, conferências internacionais, e é aqui que ficam as figuras mais ilustres quando vêm a Bonn. Já passaram por aqui a Rainha Elizabeth II, Yasser Arafat, Bill Clinton, o rei da Etiópia, o Xá da Pérsia...

Alguns dos eventos mais importantes da história também aconteceram aqui, como a Conferência do Afeganistão, em dezembro de 2001, para decidir o que seria do país depois dos atentados do 11 de setembro. E durante quatro anos, de 1949 a 52, os Aliados se reuniram em Petersberg para decidir o futuro da Alemanha pós-guerra.

O castelo foi construído no século XII, era um monastério e permaneceu assim até o início do século XIX, quando todas as igrejas na Alemanha foram estatizadas - pois é - e depois privatizadas. Petersberg foi vendida para um banqueiro ricaço, que a comprou para dar de presente para a esposa como residência de verão... Foi reformado em 1936, quando deixou de ser monastério para virar castelo. Em 1978 foi vendido por 9 milhões de euros para uma família e transformado em casa de eventos, entre eles, o casamento do Schumacher. Tcha-ran!

Aprendi turco!

Obrigado = Sagol - com um traço em cima do g.
Se pronuncia "çáaoel"

De nada = Bir Sey Degil - com uma cedilha no S e um circunflexo no g.
Se procuncia "Birrr shêi dêil"

Bom dia = lyi gunler - com um til no u.
Se pronuncia "Iii guenlerrrshh"

(!)

Colombiano vestido de índio americano serve caipirinha em parada gay na Alemanha (vídeo)





E viva a globalização.

Carros falantes

Praticamente todos os carros alemães - e europeus - têm um computador de bordo, onde se pode digitar o destino para onde se quer ir e o computador vai falando "vire à direita", "depois de 200 metros, vire à esquerda", "siga em frente por 600 metros", etc. Achei muito legal, mas descobri que eles simplesmente não conseguem dirigir sem as instruções. A Ute se perdeu duas vezes porque não tinha a rua onde a mulher mandava virar... risos. E na volta ela ficou na dúvida se estávamos no caminho certo e eu disse, estamos sim, passamos por essa casa, eu tirei uma foto, lembra? Ela não lembrava.

Palavra do dia: abbigen (virar)

Galeria de fotos atualizada (clique aqui)

A menina atrás da porta

Descobri por acaso que a internet pega melhor atrás da porta do meu quarto. Mais precisamente sob o marco da porta, mas não dá pra ficar sentada no corredor, então elegi o 1 m2 entre a porta e o guarda roupa como escritório. Ainda bem que ninguém consegue me ver. Seria cômico. (foto a pedidos...)

A pontualidade alemã

A Ute me ligou para avisar que se atrasaria 15 minutos.
E quando chegou me pediu muitas desculpas.

Do porrãozinha para a mundo

Risos...
Antes de vir para cá meus amigos Rada e Gelson, de Caxias do Sul, tiraram um sarro dizendo pra eu não aceitar entrar no "porrãozinha" de ninguém aqui - piadinha com humor negro (eheh) por causa daquele monstro austríaco.

Ironia do destino, a sala de estudos do Goethe - o único lugar onde a internet funciona direito - fica no porão, e é daqui que escrevo os posts.

A margarida é um buquê

Tivemos uma aula de botânica com o Pierre, que estuda biologia. Ele explicou que uma única margarida são muitas flores. Se vc olhar com uma lupa, vai ver que na parte amarela estão dezenas de flores amarelas miudinhas. E as pétalas são grudadas umas nas outras. Se você arranca, vêm duas ou três juntas, e cada porção dessas é uma flor. Voilá.

As esquisitíssimas tomadas de luz

Antes de vir pra cá eu tinha lido que as tomadas eram "muito estranhas", só tinham entrada para pinos redondos e seria preciso trazer um adaptador. Comprei dois Ts e vim pra cá me sentindo suuuper preparada. Um deles se mostrou totalmente inútil e o outro só funciona meio enjambrado.

Muito bem, vamos entender o que "muito estranhas" significa. Imagine uma circunferência com o raio de um relógio de pulso grande (o suficiente para não caber a parte plástica do plug) e com uns dois centímetros de profundidade. Assim são as tomadas aqui, e nenhum T do Brasil serve direito.


Passeio na Torre de Bad Godesberg (vídeo)

Ah, o supermercado...

Fui três vezes a diferentes supermercados e acho que já comecei a entender como as coisas funcionam.

Primeiro, não existem sacolas, você precisa levar as suas ou comprar lá. Comprei uma, e, daqui pra frente, lá vou eu com minha sacolinha de feira. Quando você passa pelo caixa, precisa colocar tudo rapidamente na sua sacola, ou no carrinho (pra depois colocar na sua sacola) ou no chão. E tem que ser rápido, porque já vem gente atrás. Eu não me aguentava de rir com a correria.

Achei a comida barata. Dá pra comprar porções prontas de macarrão, frango, fricassê e mais um monte de coisas por 2 euros e pouco e só esquentar no microondas. Agora que encontrei a cozinha, tô feita.

Aí na saída ganhamos um presentinho. Uma alemã nos pediu informação e eu disse que éramos estrangeiros. Ela ficou nos ouvindo conversar na fila e disse que nosso alemão era ausgezeichnet (excelente). Voltamos pro Goethe bem faceiros.

p.s. 1: Minha internet continua péssima.
p.s. 2: Meu quarto já é mais fresco do que o corredor. Rá!

Os alemães e o sinal vermelho

Meu professor nos explicou por que os alemães ficam bravos quando alguém atravessa a faixa de pedestres no sinal vermelho, mesmo quando não vem nenhum carro. As crianças podem ver e seguir o mau exemplo (pareceu o Vô França falando... eheh). Ok, bom motivo.

Aí hoje estávamos voltando para o instituto eu, a Canan e o Pierre e ficamos parados - o sinal vermelho e a estrada vazia. Depois de uns trinta segundos, o Pierre se revoltou e atravessou a rua. Nós ficamos. Ele gritou do outro lado: "Venham! Não tem nenhuma criança aqui!"

kkkkkkkk...

Cartões postais de uma figa

Passei no correio pra comprar cartões postais.
O atendente me vendeu um pacote fechado com dez, mais os selos pra mandar para o Brasil.
Quando cheguei no meu quarto e abri o pacote, os cartões estavam em branco, dos dois lados.
Fala sério, quem compra um cartão postal em branco?

Coisa de alemão...

Novos amigos



Hoje fiz meus primeiros amigos - fora o Crispin e a Ute, lógico, eu quis dizer amigos espontâneos =)
A Canan (se fala Xânaa), da Turquia, e o Pierre, da França. Os dois são da minha turma e são muuuito gente boa. Ambos têm 19 anos, o que me faz sentir uma tia, mas tudo bem... eheh.

Hoje saímos juntos pra conhecer a cidade, fazer compras e almoçar. Depois da aula fomos no mercado, e o Pierre, como bom francês, deu uma de cheff e fez um macarrão com calabresa e mussarela ralada no forno, daqueles de se comer rezando. (descobri que tem uma cozinha no instituto, vivaaa). A Canan é uma turca bem diferente do que se imagina. É islamita também, mas não usa véu, toma vinho numa boa, nada a ver com o estereótipo que temos na cabeça.

O jantar me lembrou os tempos do Caminho de Santiago. (suspiro)

O mundo é uma vila

Depois de almoçar na Subway, e de encontrar Vanish e Colgate no supermercado pra vender, vi hoje na saída de um centro comercial uma arara cheia de chinelos da Grendene com uma fotona da Gisele Bündchen no fundo.

Aí o meu professor me pergunta se eu senti algum choque cultural...

No rastro dos brasucas

Encontrei quatro nomes na lista dos alunos que me parecem ser de brasileiros.
Fiquei contente e ao mesmo tempo ressabiada, melhor não falar português com eles.
Ouvi uma menina de Curitiba conversando no jardim - tão fácil de entender...

E hoje de noite descobri por acaso um menino de São Paulo. Todo mundo empolgado na conversa e eu perguntei de onde ele era. "Brasilien". Pronto. Mas trocamos só meia dúzia de palavras em português, até por questão de educação com os outros, e concordamos conversar só em alemão.

Encontrei também o Bar Brasil aqui perto.
Acho que vou levar o pessoal lá pra tomar uma caipiurrrínia.

Babel-Institut

Japonês, russo, espanhol, turco, árabe, inglês, chinês, francês, alemão, se ouve de tudo aqui pelos corredores.

É uma alegria descobrir que meu espanhol está a salvo e, segundo as meninas espanholas, com um forte sotaque latino que ganhei de um certo chileno...

E é uma tristeza constatar que meu inglês está moribundo, misturo tudo com o alemão. Sacanagem...

Goethe Institut-Bonn (vídeo)

A primeira Wurst a gente nunca esquece


Ok, comi a tal salsicha. E salada de batata com maionese (acho).

Dez e meia da noite, clima de final de tarde, 27ºC, e eu comendo a tal da Bockwurst mit Kartoffelsalat.

Na verdade as minhas intenções eram inocentes, achar um sanduíche e tomar um café, mas não encontrei em lugar nenhum. Aí achei que já era hora de encarar a famosa salsicha bock. Até porque era o prato mais barato do restaurante: 3,5 euros.

A comida aqui é bem mais barata do que no Brasil, se levarmos em consideração que 1 euro pra eles é como 1 real pra nós.

Perfeita noite germânica. Até tiraram a música breguinha em inglês que estava tocando para colocar o que julgo ser música popular alemã.

E mais:

1) Cruzei um parque como a Redenção, em Porto Alegre, à noite, sozinha, e foi a coisa mais normal do mundo;
2) Atravessei a rua com o sinal vermelho para os pedestres e, mesmo sem vir nenhum carro, os alemães ficaram bravos comigo.

Primeiras impressões

Fui acometida por uma felicidade indizível quando descobri que a janela do meu quarto abre para trás. É uma janela de vidro grande, maior do que uma porta, e eu achava que só dava para abrir uma fresta que o pobre do vento nem enxergava pra conseguir entrar... aí hoje, desesperada porque meu quarto tinha se transformado numa sauna, dei uns trancões na maçaneta até que ela abriu inteira para trás e o quarto refrescou na hora. Posso dizer que sou uma bolsista muito mais feliz agora.

Aliás, hoje foi uma compensação do dia de ontem, que os alemães definiriam como “schwer”. O lance da porta foi insuperável, mas aconteceram outras coisas legais. De manhã saí com o Crispin, que ficou encarregado de me ciceronear na parte burocrática. Paguei 55 euros numa carteirinha que me dá passe livre no metrô e em qualquer ônibus durante um mês. Comprei um chip novo pro meu celular (o chip não funcionou, amanhã tenho que ir lá ver o que houve) e me inscrevi na prefeitura – quando alguém vem morar na Alemanha, mesmo que seja por pouco tempo, precisa fazer um registro. A gente pega uma senha e demora tanto quando no Brasil.

Abri também uma conta no banco pra receber a bolsa. Foi hilário, eu tava lá sentada esperando, e a mulher do banco: "Frau Da Rosa?" Eu fiquei olhando pra ela sem entender. Ela me chamou de Senhora Da Rosa (que saiu algo como fráudarôssa), aqui eles chamam todo mundo pelo sobrenome. Se ela tivesse me chamado de Frau França eu já ia demorar pra responder, mas Frau Da Rosa ... kkkk... muito bom.

Descobri que o café da manhã é de graça e que posso almoçar por 4 euros num restaurantezinho muito bom perto daqui. Viva! Ainda não conheci porque no meio da correria acabei almoçando um sanduíche na Subway (quanta originalidade). Até passei por um carrinho de salsichas, mas não deu pude parar naquela hora e depois não encontrei mais.

Hoje tive minha primeira aula de alemão, fiquei no nível B2.1, o que é muito bom! Meus colegas são da Colômbia, Espanha, China, Turquia, Líbia, Arábia Saudita, França e Coréia do Sul. O pessoal é muito bacana. Os caras da Líbia me parabenizaram pela Copa das Confederações, eheh.

Que mais... hum, descobri que apesar de o banheiro ser coletivo, é bem tranquilo, não cruzei com ninguém até agora. Acho que moram poucas meninas no meu andar.

Ah! E na prefeitura me deram um bloco grosso cheio de entradas gratuitas para o circuito cultural de Bonn, museus, teatros, concertos, etc. Super!

Só a internet ainda não se redimiu, é péssima. Escrevo os posts no Word e quando consigo conexão, tenho que postar correndo. Vou começar a publicar posts menores, melhor pra quem escreve e pra quem lê.

Palavra do dia: abheben (sacar [dinheiro])

Cheguei!

Dezenove horas de viagem, três aviões, quatro aeroportos e uma estrada até Bonn.

Fora o calor inacreditável que está fazendo aqui. Cheguei em Zurique com 29ºC, e eles estão tão faceiros com o verão que nada tem ar-condicionado...

Aí a Ute me buscou no aeroporto de Düsseldorf e me levou até o Instituto Goethe. Ela é muito, muito bacana. Que nem me disseram. O Instituto fica num casarão antigo em frente a um parque verde, e fica em algum lugar de Bonn que eu ainda não sei onde é, espero ter tempo de dar umas voltas por aí. E espero que os dias daqui pra frente não sejam como hoje, senão esses alemães vão me tirar o couro...

Cheguei de viagem e qual foi o primeiro gesto de boas vindas? Um teste de nivelamento para o curso de alemão com 70 questões e uma entrevista. Fui bem – não me pergunte como – fiquei numa turma um pouquinho mais avançada, com aulas todos os dias das 13h às 18h, fora os exercícios extraclasse.

Tenho um quarto só pra mim, mas o banheiro é coletivo. Preciso providenciar um ventilador com urgência, porque meu quarto foi feito para o inverno e está uma verdadeira estufa. Mas é bem bonitinho.

Quando consegui chegar no meu quarto eram mais de 17h, e em menos de uma hora a Ute ia passar para nos levar – eu e o Crispin (se fala Crispâm), meu colega bolsista da República Centro-Africana – pra jantar. Tomei um banho de 5 minutos e saímos. Jantamos num restaurante lindo na margem do Rio Reno.

Nada de salsicha, comi uma carne normal, bem gostosa. E tomei – pasme – cerveja com limonada. Sim! Bah, é muito boa. Tem só 2,5% de álcool. Fiz cara feia quando pediram, mas quando tomei... muito bom! Juro! Ah, eu falei pra Ute que ninguém ia acreditar quando eu contasse. Mas é gostoso, sim! E tava gelada. Até agora, nenhum estereótipo – frio, cerveja quente e salsicha - exceto pela total falta de compaixão no Goethe (eh, eh).

Agora são 18h43 no Brasil, mas estou tão cansada que pra mim valem as 23h43 daqui mesmo.

Postei algumas fotos na galeria, para ver, clique no link na barra lateral ou aqui.

Um post para Carol Veiga

Depois de quatro meses, me dei conta de que ainda não escrevi uma linha neste blog sobre uma menina chamada Carol Veiga, o que é uma grandessíssima injustiça, porque ela foi o meu anjo da guarda na batalha para conseguir essa bolsa. Aí esses dias ia mandar o link do Denke ich pra ela e percebi que faltava um post. Fiquei com vergonha e nem passei o endereço.

A história toda foi assim: Em agosto de 2007 recebi um e-mail da Débora K, ex-colega de faculdade na UFSC. Ela encaminhou um release sobre a bolsa da Fundação Heinz-Kühn (HKS), da Alemanha. Os pré-requisitos eram ter diploma de jornalista, menos do que 35 anos de idade, ser natural de um país em desenvolvimento e falar alemão. As inscrições eram até 30 de novembro, tinha que mandar currículo, certificado de proficiência e uma carta de apresentação, dizendo por que o candidato queria a bolsa.

Eu cumpria todos os requisitos, menos falar alemão. Não ia dar tempo de aprender em três meses, então deixei para me inscrever no ano seguinte. Em julho de 2008 consegui o certificado de proficiência (fiz o Teste OnDaf, na UFSC mesmo), aí só precisava escrever a tal carta, que devia convencer a fundação a me escolher.

Um dia, bisbilhotando na página da HKS, encontrei os bolsistas que estavam lá e encontrei a Carol Veiga, deduzi pelo nome que fosse brasileira, encontrei seu perfil no Orkut e resolvi escrever pra ela.

A Carol foi um amor. Li alguns depoimentos sobre ela no perfil e com o tempo vi que ela era exatamente o que falavam: tudo de bom. Ela me deu dicas sobre o que falar na carta de apresentação, me contou que eu tinha tido uma baita sorte, porque no ano anterior uns 80 brasileiros tinham concorrido à bolsa, e em 2008 foram só oito. E ainda falou bem de mim para a Ute. Me deu muita energia boa e me fez acreditar que eu já estava lá.

Mil vivas para Carol Veiga.
E a felicidade infinita.