Casa nova!

Me mudei terça-feira passada para Brühl, cidadezinha aconchegante entre Bonn e Köln, a 10 minutos de trem de ambas. Tenho um apartamento inteiro, com um banheiro só pra mim, e uma cozinha a cinco passos do quarto. Não sabia pra que lado andava com tanto espaço.

Não tenho microondas, o que por um lado é bom, assim como comida de verdade. Em compensação, tenho uma banheira (já comprei até espuma!), livros e castanholas. (fotos)

Adorei.

Lei Fundamental da Renânia

Assim como a Alemanha, que tem sua Grundgesetz (Lei Fundamental - é como eles chamam sua Constituição), a região às margens do Rio Reno - Renânia - também tem sua Rheinische Grundgesetz. Me veio bem a calhar na nova fase que vou encarar.

Preâmbulo
Jede Jeck es anders. (dialeto local)
Alle Menschen sind gleich. (alemão)
Cada um com seu cada qual.

Artigo 1
Et es wie et es.
Sieh den Tatsachen ins Auge!
Encare os fatos. (As coisas são como são)

Artikel 2
Et kütt wie et kütt.
Habe keine Angst vor der Zukunft!
Não tema o futuro. (Venha o que vier)

Artikel 3
Et hätt noch emmer joot jejange.
Lerne aus der Vergangenheit!
Aprenda com o passado. (Até agora tudo tem ido muito bem)

Artikel 4
Wat fott es, es fott.
Jammere den Dingen nicht nach!
Não guarde mágoas. (O que passou, passou)

Artikel 5
Et bliev nix wie et wor.
Sei offen für Neuerungen!
Esteja aberto a mudanças. (As coisas não ficam como eram)

Artikel 6
Kenne mer nit, bruuche mer nit, fott domett.
Sei kritisch, wenn Neuerungen überhand nehmen!
Seja crítico quando houver mudanças demais. (Não conhecemos, não precisamos, jogamos fora)

Artikel 7
Wat wellste maache?
Füge dich in dein Schicksal!
Confie no destino. (Que se vai fazer?)

Artikel 8
Maach et joot, äwwer nit ze off!
Achte auf deine Gesundheit!
Cuide da saúde. (Aproveite com moderação)

Artikel 9
Wat soll dä Quatsch?
Stelle immer zuerst die Universalfrage:
Faça sempre a pergunta universal: mas que naba é essa?

Artikel 10
Drenkste eene met?
Komme dem Gebot der Gastfreundschaft nach!
Pratique a hospitalidade. (Bebe uma?)

Artikel 11
Do laachste dich kapott!
Bewahre dir eine gesunde Einstellung zum Humor!
Mantenha sempre o bom humor.

Ir embora é agridoce

Mistura a tristeza por causa do que se deixa pra trás com a excitação pelo que vem pela frente. E embora a gente saiba que para que uma coisa comece, outra precisa terminar, o coração não se acostuma, fica emburrado no canto. Aí dali a pouco, que nem criança, volta feliz da vida pra brincadeira.

Venga!

Até mais ver, Instituto Goethe

Ontem foi meu último dia de aula no Instituto Goethe-Bonn, em Bad Godesberg. As aulas terminam oficialmente hoje, e à noite tem uma festinha de despedida, mas daqui a pouco já viajo com a Ute para a Floresta Negra, no sul da Alemanha, então não estarei lá.

Vou sentir falta do pessoal, do meu quartinho com a sacada que só cabe uma pessoa, e até do café 204 degraus. Foram dois meses muito bacanas. Aprendi alemão, a jogar pingue-pongue e a dançar música turca.

Dia 16/9 volto lá pra fazer o TestDaf e prometi pra dona Iris - Frau Frühstück, como diz o Zivi Michael - que chego mais cedo pra tomar café com ela.

Agora, tudo novo de novo. Para que tudo fique como está, é preciso que tudo mude.

Minha 3ª consulta na Secretaria de Estrangeiros

Foi um sucesso! Desta vez quem nos atendeu foi Herr Stein, diretor da Ausländeramt em Bonn. Muito simpático, até falou francês com o Crispin e o Jean-Claude, o novo bolsista de Togo.

Já estou com meu visto no passaporte, válido até 30 de novembro. Depois de uma chuvarada logo cedo, abriu o sol, e eu e o Jean-Claude saímos de lá cantando "I can see clearly now the rain is gone..."

Deutsche-Welle!

Ontem de manhã a Ute me levou pra conhecer o pessoal com quem vou trabalhar na redação brasileira da Deutsche-Welle online e conheci também o Johannes Beck, diretor da redação portuguesa da DW-Radio, pra onde venho de janeiro a março. Todo mundo muito, muito bacana. Almoçamos lá, em meio ao burburinho de jornalistas de redações em 30 idiomas diferentes, fora o pessoal do correio, que trabalha do lado. Certamente vou me perder várias vezes, porque a sede em Bonn é gigante, com vários corredores iguais...

A Deutsche-Welle é a rede internacional de comunicação da Alemanha, e faz parte da ARD (Consórcio de Instituições Públicas de Radiodifusão da República Federal da Alemanha). As redações online e de rádio, ambas em 30 idiomas, ficam em Bonn. A DW-TV, em alemão e inglês, com alguns blocos em espanhol e árabe, em Berlim. Na página deles diz que há cerca de 1.500 colaboradores vindos de mais de 60 países.

Inaugurada em 1953, a emissora alcança hoje por mês quase 300 milhões de ouvintes e telespectadores em todo o mundo, transmitindo através de satélites, emissoras associadas e pela internet. Os programas de rádio são transmitidos em ondas curtas digitais e, em algumas regiões, via AM ou FM.

Nada mal.

Censura ao umbigo brasileiro

Hoje desci pro café com uma "roupa de ficar em casa", porque mais tarde vou na Deutsche-Welle conhecer meus futuros colegas (viva!) e deixei pra me arrumar depois. Por acaso, estava com blusa de alcinha que aparecia o umbigo.

Quando entrei na cantina, a tia do café, dona Iris, me disse que eu não devia usar esse tipo de roupa, porque temos muitos árabes aqui, e eles podiam ficar ofendidos. Como eu gosto muito dela e não falo alemão tão bem que pudesse responder sem parecer rude, apenas concordei.

Mas fiquei pensando, se eu preciso aceitar que eles tratem suas mulheres como prisioneiras, cobertas da ponta do dedão até a cabeça, com um ferro que tapa a boca, o nariz e os olhos, como vi essa semana, por que eles não podem aceitar o meu umbigo?

Estamos em território neutro, e minha cultura merece tanto respeito quanto a deles. Ou não?

Há 20 anos, o fim da Guerra Fria

No dia 19 de agosto de 1989 era liberada a fronteira da Alemanha Oriental com a Ungria. Foi o primeiro sinal de abertura política promovida por Mikhail Gorbachev, que levaria, três meses depois, à queda do muro de Berlim e ao fim da Guerra Fria.

Depois de 28 anos de controle total de uma ditadura comunista, os alemães tiveram pela primeira vez permissão para viajar livremente para a Ungria e de lá para a Áustria, por onde podiam entrar na Alemanha Ocidental.

O que significa Rammstein?

O nome da banda alemã mais famosinha internacionalmente na verdade não tem tradução. Stein é pedra, e Ramm não significa nada, mas descobri pelo menos daonde vem.

Ramstein (com um S só), é o nome de uma cidade alemã que abriga uma base militar norte-americana. Em 1988, três jatos italianos colidiram num show nessa base, e mais de 50 pessoas morreram. A primeira música da banda foi sobre essa tragédia. Por isso o nome.

Entre os maiores sucessos da banda de rock pesadinho estão "Amerika", "Ohne dich" e "Du hast".

A conquista de Godesburg

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra.

Um bocadinho de Holanda

Amsterdã ainda não foi dessa vez, mas já deu pra ter uma provinha da Nederland, que em neerlandês significa literalmente "País Baixo", onde em alguns pontos as terras ficam a mais de seis metros abaixo do nível do mar.

Domingo fomos passear em Nijmegen, cidadezinha muito simpática perto da fronteira e à beira do Reno. Como tudo virou União Européia, a fronteira é só uma placa, o que é bem frustrante pra quem, como eu, ficaria muito mais feliz com vários carimbos no passaporte.

Vi vacas e moinhos holandeses, comi um sanduíche e não consegui ler o cardápio. Tulipas, infelizmente, só na primavera...

Veja as fotos.

Mico no trem

Segunda-feira tinha que pegar o trem em Düsseldorf para voltar pra casa. A estação tem 20 plataformas, e o bilhete que se compra simplesmente não diz que hora sai o trem, nem de onde, então a pessoa tem que ficar procurando em painéis eletrônicos com mil e duzentas informações diferentes. Andei que nem barata tonta durante uns 15 minutos, até que achei um posto de informação.

Trem para Bad Godesberg, plataforma 15/16, ok.

Cheguei lá e tinha um ICE estacionado, o trem mais chiquezinho daqui. Achei que aquilo não era pra mim, mas enfim, o meu cartão dava tireito a uma porção de trens diferentes, e o tiozinho me falou que era lá. Entrei.

É, eu não podia pegar o ICE. Chegou o cobrador, mostrei a passagem e ele falou alguma coisa que eu não entendi, mas adivinhei que tinha a ver com o meu cartão e já me preparei pra tomar uma bela multa. Sorte que o dia amanheceu ensolarado e ele estava feliz, daí me cobrou só a diferença. Mesmo assim, a passagem que custaria 14 euros me saiu por 25 - tá certo que a viagem demorou metade do tempo, mas esse é um luxo a que não posso me dar o tempo todo.

Só entro num ICE de novo quando tiver certeza de que paguei por ele.

Ach so, o 'bah' alemão

Os alemães têm uma variedade tão grande de 'ach so' quanto os gaúchos têm de 'bah'. E os estrangeiros comprovam que se pode sobreviver pelo menos uma semana aqui só com o ach so. Alguém fala alguma coisa, você responde "Ach, so!", e o interlocutor acredita que você entendeu tudo. Variações:

Ách so! = Ah, tá. (curto, com a tônica no A)

Ach sOo? = Não diga! (meio cantado)

Ach sôôô... = Não é bem assim... (longo e grave)

Ach sô! = Entendi (curto e grave)

p.s.: depois de uma breve consulta à gramática, arrumei o post.

Festa de verão - e afinal, cadê o verão?

Ontem Bad Godesbeg estava toda enfeitada para a Festa de Verão. Feirinha, show na praça, um monte de gente na rua. Entendi que estamos no auge do verão, embora eu tenha passado o dia todo de casaco - ontem fez 18ºC; em compensação hoje abriu o sol e deve fazer 28ºC.

O Instituto Goethe fez uma Sommerfest particular (Fotos na galeria). Éramos 51 países reunidos. Tinha banda de rock e blues, salsicha, pão e cerveja, lógico - cem litros de Pils na faixa. Hoje acordei com uma ressaca daquelas dos tempos da faculdade.

Todas as turmas fizeram apresentações de música, teatro, brincadeiras, e como todo mundo é meio inseguro com o alemão, parecíamos o jardim de infância. O primeiro grupo fez um jogral... risos. Depois dançamos música turca com passinhos ensaiados, e a minha turma encenou três esquetes de teatro, foi hilário.

Minha apresentação favorita foi dessa música (tradução livre):

Wann wird's mal wieder richtig Sommer
Quando voltará a ser verão de verdade

Wie alle machten eine lange Reise
Sind angekommen in Bad Godesberg
Und lernen hier auf wunderbare Weise
Deutsch und alles, was dazugehört

Todos nós fizemos uma longa viagem
Chegamos em Bad Godesberg
E aprendemos aqui com uma maravilhosa abordagem
Alemão e tudo que com ele tem a ver

Präsens haben wir gecheckt
Perfekt ist noch nicht perfekt
Doch wir können schon recht viel vestehen

O presente nós conferimos
O pretérito perfeito ainda não está perfeito
E sim, muita coisa já entendemos

Aber eins verstehen wir nicht
Im Unterricht da brennt oft Licht
Ja die Sonne wollen wir gern viel öfter sehen

Mas uma coisa não dá pra entender
Na aula geralmente as luzes temos que acender
Queríamos ver o sol com muito mais frequência do que vemos

Wann wird's mal richtig Sommer
Ein Sommer wie er's früher einmal war
So mit Sonnenschein von Juni bis September
Und nicht so nass und so bewölkt wie dieses Jahr

Quando voltará a ser verão de verdade
Um verão como uma vez já houve
Com luz do sol de junho a setembro
E não tão úmido e nublado como em 2009

Einige von uns fahren bald nach Hause
Manches war nicht schelcht und vieles gut
Klar, wir lernen weiter ohne Pause
Und denken an das Goethe-Institut

Alguns de nós voltarão em breve para casa
Alguns não foram tão mal, muitos foram bem
Claro, nós estudamos sempre sem pausa
E pensamos no Instituto Goethe também

Haben, sein war kein Problem
Werden werden wir verstehen
Und mit ein bisschen Zeit noch vieles mehr

Ter, estar não foi problema
O futuro ainda vamos entender
E com um pouco mais de tempo,
muito mais ainda podemos saber
Aber eins war uns nicht klar
Warum das so viel Regen war
Das hat genervt, manchmal sogar sehr

Mas uma coisa não dá pra endender
Porque aqui tanto tem que chover
Isso incomoda, muitas vezes pra valer

Wann wird's mal richtig Sommer
Ein Sommer wie er's früher einmal war
So mit Sonnenschein von Juni bis September
Und nicht so nass und so bewölkt wie dieses Jahr

Quando voltará a ser verão de verdade
Um verão como uma vez já houve
Com luz do sol de junho a setembro
E não tão úmido e nublado como em 2009

Cinema dublado

Essa semana fui pela primeira vez no cinema aqui. Vimos "Inimigos Públicos", e descobri que a maioria dos filmes na Alemanha são dublados. Prefiro sempre a versão original, mas foi engraçado ver o Johnny Depp falando alemão. E fiquei orgulhosa de mim por ter conseguido entender quase tudo - ok, mais da metade do filme foi barulho de metralhadora, mas mesmo assim.

E descobri também por que não vou com a cara daquele Christian Bale. Ele é parecidíssimo com o George W. Bush.

Depois me aconteceu uma coisa muito triste. Na saída esqueci meu guarda-chuva vermelho na Subway. Voltei outro dia pra procurar, mas não estava mais lá. Estou na Alemanha, né, não na Suíça. Enfim, aí comprei uma sombrinha azul royal que cabe na bolsa - porque eu andava aos tombos com o outro no trem -, assim não perco.

Chegou meu café!

Minha mãe me mandou 1 kg de café pelo correio.
Chegou hoje de manhã.
Adeus, Nescafé.
Adeus, chafé das padarias alemãs.
Daqui para frente só tomo meu Sul de Minas 204 degraus.

p.s.: Já comprei duas garrafas térmicas de meio litro cada. Uma para o leite quente, outra para o café. Tô contente que nem pinto no lixo.

Ganhei outra bolsa!

Soube esta semana que ganhei uma segunda bolsa de estágio para trabalhar na Alemanha. Vai ser na Rádio Deutsche-Welle em português, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010. A bolsa é oferecida pela própria DW (mais informações em português aqui).

Em setembro e outubro também vou estagiar lá, mas na redação brasileira da DW-Online, através do convênio entre a Fundação Heinz-Kühn (da minha bolsa atual) e a Deutsche-Welle, rede internacional de comunicação da Alemanha.

Falando nisso, a Fundação Heinz-Kühn está com as inscrições abertas até 30 de novembro. Precisa ser jornalista, ter até 35 anos e falar alemão. Mais informações em português aqui.

Então, aí fico aqui até 14 de novembro, depois passo seis semanas de "férias" no Brasil (muito chique) e volto em janeiro pra mais um trimestre. Urrúl!

"Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade. Viram copos, viram mundos, mas o que foi nunca mais será..."

Um pedido de desculpas à professora Marlene

Durante os três anos do segundo grau, mais um ano de faculdade que fiz em Torres/RS, tive muitos atritos com a Marlene, minha professora de português.

Na verdade simpatizávamos uma com a outra, mas eu não aguentava mais ela ensinar as mesmas coisas sobre análise sintática - que pra mim eram óbvias -, e ela perdia a paciência comigo fazendo perguntas que deixavam os colegas ainda mais confusos.

Pois hoje peço publicamente desculpas por ter reclamado da professora Marlene e das suas intermináveis sessões de análise sintática, anos a fio. De fato elas estão ajudando muito nas aulas de alemão, a compreender e comparar as estruturas dos idiomas, e tenho aprendido bem mais rápido.

Justiça seja feita.

O 'não' alemão

No meu segundo dia de aula aqui, mês passado, meu professor perguntou o que a gente achava do 'não' alemão. Na hora não entendi a pergunta, mas poucos dias depois já tinha me especializado no assunto.

É muito simples. Na maioria dos países, quando alguém diz "não", é sempre um "não, mas..." e daí vem alguma alternativa para resolver a situação. Os alemães dizem "não".

- Não trouxe o meu passaporte, serve uma cópia?
- Infelizmente não.

- Minha máquina de lavar estragou uma semana depois de vencer a garantia, será que vocês ainda podem consertá-la?
- Não, sinto muito.

- Posso trocar as batatas fritas por cozidas?
- Hã... não.

Mas a inflexibilidade alemã - assim como a pontualidade - tem suas excessões.

Nas férias, quando fomos para a ilha de Fröh, por exemplo, tentamos pegar o ferry e a mulher no caixa disse que não tinha mais lugar. Ou íamos sem o carro, ou teríamos que esperar até às oito da noite (eram dez da manhã). Não discutimos - não adianta - e entramos na área de embarque só pra fazer o retorno. Um guarda fez sinal para a gente entrar na fila pro navio, aí demos uma de João-sem-braço e perguntamos se ainda tinha vaga, porque a mulher falou que estava lotado e tal. Ele checou a tabela e disse: "Ah, mas tem vaga, sim, podem passar."

Semana passada aconteceu outra vez. Fui renovar minha carteirinha do trem e não vi que a carteira do Instituto Goethe estava vencida desde 27 de julho, eles não tinham me dado uma nova. O atendente da SWB disse que não seria possível renovar. Olhei pra ele com cara de cachorro que caiu da mudança e disse "poxa, não tem como, mesmo? eles esqueceram de me dar uma nova, mas fico lá um mês ainda..." Aí ele: "... Um mês? ... ... Tá bom", e carimbou. Bem à brasileira...

Chuva + frio = museu

Depois de uma semana de sol escaldante e temperaturas acima dos 30ºC, nossos velhos amigos chuva, vento e frio vieram passar o final de semana em Bonn. Resolvi fazer o que qualquer pessoa faz numa situação dessas: fui pro museu. Fui não, fomos - eu e o guarda-chuva vermelho.

O Museu König tem réplicas empalhadas de animais do mundo todo, com uma ala para a savana, outra para floresta tropical etc., além de uma exposição lindíssima de fotos da natureza e uma mostra especial em comemoração aos 200 anos do nascimento de Charles Darwin (Veja as fotos).

Tinha um número ensurdecedor de crianças lá, acho que eu era a única adulta sem filhos no museu. Valeu a pena, e fez valer o sábado, como direi... pacato. Para fechar a noite, tomei um legítimo e delicioso Nescafé 204 degraus.

p.s.: Na volta passei no supermercado para comprar pão e aproveitei para comprar o vinho que a Ute me pediu. Na hora de pagar, a tia do caixa pediu pra ver a minha identidade, pra saber se eu podia comprar bebidas alcoólicas. Fiquei toda boba.

É nóis na fita, mano. Digo, na webpage.

Ainda não tinha visto a página da
Heinz-Kühn-Stiftung atualizada. Ói nóis lá!




















Diz:
Aqui estão eles.
Nossos novos bolsistas para o ano de 2009.
Parabéns!

Os seguintes candidatos estrangeiros receberam bolsas no estado da Renânia do Norte:

Akoueté Abalo (Togo)
Crispin Dembassa Kette (República Centro-Africana)
Francis França (Brasil)
Luciano Nagel (Brasil)

TestDaF: conversa de gente grande

Me inscrevi pro exame de proficiência em alemão, o TestDaF (Test Deutsch als Fremdsprache...). A prova vai ser dia 16 de setembro.

Assim como o DSH, o TestDaF é o certificado oficial de proficiência para quem quer fazer cursos de graduação ou pós-graduação na Alemanha. Minhas pretensões são para um mestrado.

A Heinz-Kühn-Stiftung se ofereceu para pagar a inscrição pra mim (150 euros). A Ute só pediu que eu, por favor, passe na prova, caso contrário ela tem que dar explicações ao curatório. Eu disse que, se não passar, devolvo o dinheiro. O pior é que o resultado só sai depois de seis semanas...

São quatro partes: ler, ouvir, escrever e falar. Preciso do nível mínimo. Ouvi dizer que é casca grossa.

Respira, respira...

Pergunte ao Zivi

Na Alemanha todos os homens a partir dos 17 anos são obrigados a servir. Não dá pra ficar na reserva, como no Brasil, mas em compensação, como alternativa ao serviço militar, eles podem prestar serviço civil, o Zivildienst.

Temos três 'Zivi' (se fala tsívi) aqui no Goethe, todos muito gente boa. Atuam exemplarmente na função de 'faz-tudo', nos mostram a cidade, dão o endereço do supermercado, trocam lâmpadas, levam a gente pra passear, cortam a grama, servem o café, marcam hora na Ausländeramt, etc.

Tem Zivi por toda a parte, em hospitais, asilos, escolas, órgãos públicos, agricultura, proteção ambiental, etc, etc. O tempo de serviço é de 9 meses, e eles ganham um salário por isso, naturalmente.

Aqui no Goethe a primeira coisa que os novatos aprendem é: em caso de pepino, chame o Zivi.

50 mil habitantes, 29 mil jornais vendidos por dia

Assim é a vida no 'Dithmarscher Landeszeitung', o jornal onde a Katrin trabalha, no Norte da Alemanha. Duas pautas por dia, cinco dias de trabalho por semana e nada de horário fixo.

O diretor é como os nossos, só reclama. Heide, a cidade onde o jornal foi fundado há mais de 140 anos, está perdendo população - logo, leitores - para Hamburgo, principalmente jovens com nível de escolaridade mais alto.

Ainda assim eles têm uma tiragem diária de 29 mil exemplares em uma região de 50 mil habitantes. No Brasil, cidades desse tamanho nem pensam em ter jornal diário, muito menos secular.

Aqui chamam o editor de CVD (Chef vom Dienst, que na tradução literal significa chefe de trabalho). Se pronuncia 'cêfáudê'. Dependendo de onde se trabalha, a sonoridade é muito apropriada. Risos.

Veja mais sobre a viagem ao Mar do Norte no álbum de fotos.

Mar do Norte - o incompreendido (vídeo)

Imagine uma praia em Florianópolis. Agora troque a areia por grama, o biquíni por um casaco e o mar por uma planície lamacenta de 10 quilômetros de comprimento.

Voilá, você está no Mar do Norte durante a maré baixa!



Mais sobre a bucólica viagem às praias alemãs no álbum.