Era uma vez um strogonoff...

feito com creme de leite que era bem mais leite do que creme (aguado, aguado) e com batata chips - porque não tem palha - meio doce e apimentada.

Convidei a Clau, colega da DW-Radio, pra almoçar comigo. Não ficou ruim. Foi, digamos, mais uma experiência única - dessas que se deve experimentar uma única vez na vida.

Em tempo: carne de bife rolê dá mesmo certo em strogonoff.

Como assim não tem batata palha?

Ir ao supermercado é uma das experiências mais estressantes para um estrangeiro em qualquer lugar. Para mim, que não sou fã de supermercado nem no Brasil, o exercício é realmente penoso.

A culpa foi do Pierre. Ele foi embora em junho e me deixou um vidro de champignon de herança. Aí pensei, vou fazer um strogonoff no domingo.

Saí na manhã de sol em Brühl, um monte de gente na rua, musiquinha, panfletos de campanha porque amanhã tem eleições federais, tudo muito agradável.

Cheguei no mercado, deixei minhas garrafas pet na máquina, peguei minha cestinha e fui Toom adentro.

As coisas que a gente sabe onde estão são sempre as mais pesadas, leite, água, vinho, coca-cola. Preciso ainda de carne, extrato de tomate, creme de leite e batata palha. Aí começa...

Chego no açougue e não sei que carne comprar. O nome é o de menos, o pior são os cortes, todos diferentes. Andei em volta uns 10 minutos até que resolvi pegar o que eles dizem que serve pra bife rolê.

Como a pessoa não conhece os produtos e não sabe onde eles podem estar, tem que prestar atenção em tudo e, quando percebe, está exausta. Tem uns 30 tipos de molho de tomate, mas cadê o extrato de tomate? Procura, procura, procura. Achei, a embalagem é igual a tubo de pasta de dente.

Aí vem o creme de leite. Por que o creme de leite não está do lado do leite condensado? Por quê? A sorte é que leite codensado em alemão é Kondensmilch, não tem perigo de trocar. Mas e o creme de leite? Anda, anda, anda. Tava perto da manteiga.

A essa altura a cestinha já parece pesar 20 kg, com a alça cortando a circulação do antebraço. A ideia de almoçar pão com manteiga começa a ficar muito atraente. Dói o ombro, a cabeça, as pernas e a única coisa que se consegue pensar é

MAS CADÊ A PORCARIA DA BATATA PALHA!?

Não tem. Tem batata de tudo que é tipo, menos palha. Diz a lenda que existe uma batata palha sabor pimentão pra vender na Alemanha, mas eu não encontrei. E olha que procurei. Peguei uma tipo Ruffles.

O strogonoff é pro domingo. E hoje? Arroz com feijão. Compro feijão de lata, mesmo, eu tinha visto ele durante a busca do extrato de tomate. Peguei e saí o mais rápido possível.

Em casa, prato de feijão com arroz na mesa, dei a garfada do triunfo. O bendito feijão era pura pimenta. Scheisse...

Paguei minha multa


Foi naquela viagem a Leipzig. Chegou a multa pelo correio, paguei no banco, tudo automático. Eheh, até que a foto ficou bonitinha.

O limite de velocidade era 50km/h e eu estava a 58km/h...

Nos filmes policiais, quando vão checar a ficha de alguém inocente, sempre tem aquele clichê: "O cara está limpo, não tem nem multa de trânsito".

No meu caso, ia ser: "Olha, chefe, não consta nada, mas ela estava na Alemanha há menos de um mês e já tinha levado uma multa...

É, Bonn, gosto de você

Hoje, pela primeira vez desde que cheguei, andei a esmo em Bonn. A terça-feira amanheceu tão bonita que o povo desconfiou. Levantei cedo - aqui não consigo dormir muito, sei lá por que - e resolvi sair antes da hora pra olhar o dia.

Ia pela calçada ao som do vendedor de batatas e legumes. Só consegui entender lá pela terceira vez que ele berrou: "Kartofeeeeeeeeeeeeln, ooooooooooobst, ái ooooooooooobst", com uma sineta.

Desci na estação central e saí pela rua, dobrando nas esquinas que deu vontade. Na volta do trabalho, em vez de ficar 20 minutos parada esperando o trem, vaguei de novo. Vi Bonn vestida de amanhecer e de entardecer.

Descobri que a universidade é mais perto do que eu pensava, e que na parte de trás tem um gramado onde as pessoas deitam ao sol. Estudantes, velhinhos, cachorros, malabaristas. E bem ao lado fica o bar na beira do Reno, aonde todo mundo gosta de ir.

Também encontrei a livraria que vende os mapas que quero, a loja que vende crédito pro meu modem e duas Starbucks.

É, Bonn, gosto de você.

p.s.: coloquei fotos novas na galeria. Para ver clique aqui.

Minha matéria foi pra capa!

Minha matéria passou o dia todo hoje no espaço mais nobre da página da DW em português. "Resultado das eleições alemãs pode influenciar parcerias com o Brasil no setor energético"

Aff, mas eu fiquei toda boba...

Movimento dos Sem Vida Social

Eu já estava lançando a campanha "Adote a Francis abandonada em Brühl", quando resolvi ir no happy hour do Instituto Goethe, sexta-feira passada. Foi bem legal, reencontrei alguns colegas que ainda estão em Bonn e vi que tá todo mundo mais ou menos na mesma situação.

Fazer amigos nessa naba de Alemanha não é uma coisa muito fácil, viu... a Ascención, ex-colega espanhola, tadinha, tá fazendo doutorado e trabalha na biblioteca da universidade. Ela contou que seus colegas dizem "bom dia" quando chegam e "boa noite" quando vão embora. Aí na sexta-feira ela fica feliz porque ganha um "bom final de semana" de bônus. Tava bem deprimida.

É que aqui o pessoal não costuma conversar com alguém sem ter sido apresentado. E também não basta ser apresentado pra irem te convidando para festas e eventos, nanã, tem todo um processo.

Enfim, daí nos rebelamos e resolvemos formar uma corrente particular de Soziale Beziehungen. Sábado já convidei a Ascención pra ir a Köln comigo, mais a Ute e o Rodrigo, depois tomamos uma cerveja com a Cláudia, paulista, estagiária da DW-Rádio, e já combinamos de sair mais vezes.

Se ninguém nos adota, a gente se adota. Humpf!

Viajar barato pela Europa

Resolvi apagar o tópico anterior e escrever este, mais completo. E é mochilão, né, gente, se conforto for prioridade, melhor contatar uma agência de viagens. Vamos lá:

Avião

Trem
Na Alemanha: www.db.de
Na Espanha: www.renfe.es
Na Europa toda: www.raileurope-world.com

Ônibus

Carona
p.s.: as caronas na Alemanha funcionam com um sistema organizado, com linhas, horários e preço pré-estabelecido

Hospedagem
www.couchsurfing.com (intercâmbio de viajantes, é possível encontrar lugar para se hospedar ou simplesmente alguém para mostrar a cidade, etc)

Nós e as búlgaras

No andar onde eu trabalho na Deutsche-Welle está a divisão América Latina - nós e o pessoal da redação em espanhol - o pessoal da fotografia, a rádio em português para a África e as redações da Polônia e da Bulgária.

Aí na minha sala somos eu, a Erika, minha colega baiana, e duas búlgaras.

Pera, antes das búlgaras, um parágrafo especial para a Erika: ela mora na Alemanha já há cinco anos, está fazendo faculdade de Ciências Políticas e Econômicas aqui, na Universidade de Marburg. Temos uma sinergia muito bacana. Ela me ajuda com as dificuldades da língua, me ensina sobre a política da Alemanha e sobre como se vive aqui, e eu a ajudo com as matérias, apuração e estrutura de texto, porque ela nunca tinha trabalhado como jornalista antes. Semana que vem ela vai embora. Vou sentir muita saudade...

Ok, agora sim, as búlgaras. Outro dia uma delas teve problema com a impressora e pediu a minha ajuda. Ela imprimiu um texto e reclamou que estavam aparecendo uns caracteres malucos, aí veio me mostrar a página.

Eu ri.

Búlgaro se escreve mais ou menos assim:

"По някакъв начин невъзможно да се разбере"

E ela queria que eu identificasse os caracteres estranhos ali no meio...

Matérias na DW-World.de

Tó, pra não dizerem por aí que eu vim a passeio:

CIDADES & ROTEIROS | 12.09.2009
Trilhas da Floresta Negra são sob medida para espíritos peregrinos

ESTUDAR NA ALEMANHA | 10.09.2009
Deutsche Welle inicia programa de mestrado em Estudos de Mídia Internacional


UNIÃO EUROPEIA | 09.09.2009
Europa protesta contra cobrança de entrada para turistas europeus nos EUA


CULTURA | 08.09.2009
Romances policiais de nova geração viram febre na Alemanha


E o resultado, que é bom, só no final de outubro

É de a pessoa se revoltar. Temos 3 HORAS para responder a 55 questões, conduzir sete diálogos e escrever uma redação, e eles precisam de 6 SEMANAS para corrigir isso.

Enfim, o TestDaF está feito (êêê!). Obrigada pela torcida de quem torceu – sei que foi bastante gente. E como ajudou, eu estava a 220V hoje de manhã.

Tenho a impressão de que me saí bastante bem em pelo menos ¾ do exame. A prova de compreensão auditiva é que foi duríssima, barbaridade. Uma das partes era uma palestra sobre a influência do aquecimento global na biodiversidade dos peixes do Lago Tanganyika, na África... Acho que até em português seria difícil, o tempo para responder é simplesmente muito curto.

Agora é esperar. Dai-me paciência.

Véspera de TestDaF

Acordei às 4h da madrugada com meu cérebro formulando sozinho frases em alemão para a prova oral de amanhã. Aproveitei a inspiração e levantei pra estudar. Fiz esqueminhas, organizei as idéias e encarei o simulado da prova. Meio, a outra metade faço quando voltar do trabalho.

Não me saí estupendamente bem como gostaria, mas também não fui tão mal assim. Espero que seja o suficiente pra conseguir o certificado.

Amanhã chego cedo no Intituto Goethe, tomo café com a Dona Iris, que vai me abraçar e me desejar um monte de coisa boa, e depois vou pra prova - começa às 9h. Caso alguém esteja acordado às 4h da manhã no Brasil e por acaso lembrar de mim, pode mandar energia positiva que tô estocando.

Uma nação de faz-tudo

Na Alemanha, quando você sai para ir no cabeleireiro, você não avisa em casa: "Vou cortar os cabelos" (Ich werde meine Haare schneiden). Você precisa de combinação especial de verbos para isso, o schneiden lassen, que seria mandar cortar o cabelo.

Quando me falaram, achei uma tolice. Ora, é obvio que se vou cortar o cabelo é porque vou mandar cortar.

Agora já entendo perfeitamente a utilidade do lassen. Se um alemão disser para você que ele vai construir uma casa, em vez de "mandar construir", pode apostar que não tem nenhum pedreiro nessa história.

Eles constróem casas, consertam bicicletas, estofam sofás, e se a obra deixou entulho na frente de casa, são eles que levam até um depósito, pagam para entrar e descarregam a carga sozinhos.

Esqueça frentista, lava-car, zero-entulho, carregador de malas, entrega das compras do supermercado em casa. Você está no país do "deixa pra mim", como dizia o vô França.

Deutsche-Welle pelo lado de dentro


Intranet


Primeira matéria! Sou FF... eheh. EAB é a Erika, minha colega. dpa e ap são agências de notícias. (clique na imagem para ler)



p.s.: Acordei 40 minutos antes do despertador e pensei: blog!

Shhh... imersão para o TestDaF

A partir de amanhã, terei exatos 15 dias para me preparar para o TestDaF, no dia 16 de setembro. Comprei um livro específico sobre a prova cujo título é “Com sucesso para o TestDaF” (amém) e, para dar conta, preciso vencer 10 páginas por dia. É provável que o blog fique meio quietinho nesses dias. Espero voltar dentro de duas semanas com boas notícias.

Cruzem os dedos!

Enfim, Deutsche-Welle

Para aqueles que acham que vim pra cá só para passear (eheh), amanhã começo meu estágio na Deutsche-Welle. Endlich!

E-ticket – mais uma trapalhada da Francis nos trens alemães

Eu só me ferro com a Deutsche Bahn. Comprei uma passagem promocional de Tübingen para Köln por 40 euros. Nem era tão barata assim, mas o preço compensava porque não tive gastos com a ida.

Resolvi comprar pela internet, porque aquelas maquininhas sempre me deixam confusa. Li que bastava imprimir o comprovante e apresentar junto com o cartão de crédito para o cobrador. Beleza.

Chego no trem, o papel que eu imprimi era o errado. Minha passagem não era válida. O cobrador até Manheim perdoou. O segundo meu deu três alternativas: 1) Não embarcar; 2) Pagar uma multa; 3) Comprar outra passagem.

Fiquei com a opção n. 3 e marchei com mais 51 euros só de Manheim até Köln. Baita prejuízo.

Então, quando você comprar tíquetes de trens na Alemanha pela internet, precisa abrir o e-mail que eles mandaram e imprimir o comprovante gerado NO E-MAIL - que vem com uma espécie de código de barras – e não no site da DB. Entendido?

Tübingen - visita ao mais profissional

Passei o final de semana na casa do Fabrício – o mais profissional – (eheh, ele fica sem jeito quando faço essa piadinha em referência ao seu papel de líder do nosso grupo de Trilhas em Florianópolis) e da Carla, sua mulher. O Fabrício foi embora do Brasil em agosto do ano passado, veio fazer doutorado aqui em neurociência.

Lembro que na despedida eu prometi visitá-lo na Alemanha, mas naquela época eu não tinha nem me inscrito para a bolsa ainda, quanto mais ganhado. Foi uma boa profecia. E um ótimo final de semana. Veja as fotos dos passeios em Tübingen e ao castelo de Hohenzollern aqui.

Eu queria ser uma árvore da Floresta Negra

só pra ficar lá 200 anos olhando para ela.

Fui com a Ute visitar seus pais, e fiquei absolutamente encantada com o Sul da Alemanha. O outono está chegando, e daqui duas semanas a floresta vai ficar toda colorida de vermelho, amarelo, marrom e cobre. E em poucas semanas mais, tudo branco.

O seu Kilian nos contou que no inverno passado nevou durante sete meses. A primavera dura apenas 8 dias, o outono duas semanas, e o verão os quatro meses e pouco que restam.

No segundo dia fizemos uma caminhada de 20 km pela floresta, e foi o seu Kilian, 75 anos de juventude, que nos guiou. Aliás, ele e a dona Mariana, com 80 anos, são um capítulo à parte. Quando a gente os vê, acredita no amor. Casados há 41 anos, ainda se dão selinho quando se veem (tão fofos). Até pouco tempo ela ia para as caminhadas também.

A casa onde eles moram tem 350 anos, uma típica casa da Schwarzwald (Floresta Negra), com as paredes construídas com plaquinhas de madeira, para espantar o frio. Eles reformaram tudo, só com a ajuda dos filhos e amigos. Hoje, seu Kilian diz: “Sem a minha mulher eu não conseguiria fazer nada disso”. Ela ri baixinho, fica toda boba.

Recicla, recicla, recicla...

Agora que tenho minha casa, preciso cumprir regras, e a principal delas aqui na Alemanha é a reciclagem do lixo - eles levam isso muito a sério. Tenho três lixeiras na cozinha. Uma para o lixo orgânico, outra para embalagens e outra para o resto. As garrafas eu junto e depois tenho que deixar em um container específico para vidro.

Sorte que tenho um folder com as fotos pra explicar, porque a coisa não é tão simples quanto parece. Até hoje não sei se meu sachê de açúcar (de papel misturado com plástico), é embalagem ou lixo comum. Um amigo alemão me deu uma boa dica: na dúvida, joga no lixo comum.