Natal no Inverno

É a primeira vez que passo o Natal na neve - e é também a primeira vez longe da minha família, o que deixa a coisa toda, ainda que excitante, difícil.

Acho que gosto mais do Natal no inverno, com todo esse clima aconchegante, mas ainda prefiro o ano novo no verão, pra pular as sete ondas e nadar à meia noite. É, eu sei que tô pedindo demais.

Aqui o mais legal são os mercados de Natal. No fim da tarde, o pessoal sai do trabalho e se reúne no Weihnachtsmarkt (pois, o mercado de Natal, se pronuncia vainárrtsmarkt) para tomar vinho quente, o Glühwein, que é parecido com o nosso quentão de festa junina, mas não é tão cheio de condimentos - o que eu prefiro (não muito sou chegada no cravo).























Tem também cerveja, lógico, e todas as guloseimas alemãs que se possa imaginar. Salsichas de todos os tamanhos, sanduíche de bisteca de porco acebolada, panquecas fritas de batata com mousse de maçã, sanduíches com filé de peixe empanado dentro, flammkuchen, que são como pizzas bem finas cobertas com creme de leite, queijo e bacon. Nos doces, além de frutas com chocolate, têm também milhares de tipos de biscoitos, bolos, mil-folhas... enfim, é uma perdição. E tudo light, como se pode perceber. Mas como nem só de pão vive o homem, também há barraquinhas que vendem todo o tipo de artesanato e outras coisas fofas para se dar de presente de Natal.

Difícil é o frio. Essa semana fui lá com os amigos da DW - Nádia, Diego, Thiago e Dayse. Tomamos dois copos de Glühwein e não aguentamos mais ficar na rua. O frio de 6ºC negativos congelou os nossos pés e a dor era como se as unhas estivessem sendo arrancadas dos dedos. Amarelamos e fomos cada um pra sua casa. Não sei como o povo aguenta ficar lá horas a fio.

Agora só se fala no Weisse Weihnacht (Natal branco - quando neva). Pro alemães, com seu milhão e meio de tradições, Natal só vale se nevar. Aliás, o Natal em alemão é substantivo feminino: die Weihnacht (a Natal).

Eu não vou estar em Bonn, vou pra Lille, na França, passar com a família do meu namorado. Mas já peguei a mania e estou torcendo para que a gente tenha um Natal branco por lá também.

Feliz Natal para todos! Da cor que for :-)

Meu primeiro calendário de Natal

Apesar de o Natal ser meio parecido no mundo (cristão) todo, existem algumas tradições que eu vim conhecer aqui na Alemanha. Como o calendário de natal. É uma caixa com 24 portinhas numeradas.

A ideia é abrir uma portinha de cada vez, do dia 1 ao dia 24 de dezembro, em contagem regressiva até o Natal. Dentro das portinhas geralmente há doces ou brinquedos (tem gente que faz com cerveja também). No meu vêm bonequinhos de chocolate.

Andando pelas lojas, vi calendário de Natal de tudo que é tipo, tamanho e preço. E ainda tem gente que prefere fazer o seu em casa, artesanalmente.


















Estou seguindo o meu religiosamente .

A pontualidade alemã II

Depois de 16 meses de Alemanha e algumas aulas de comunicação intercultural, entendi que a "pontualidade alemã" não significa que eles vão sempre chegar na hora, mas indica o tamanho do estresse no caso de atraso.

Um exemplo:

Hoje de manhã cheguei com cinco minutos de antecedência para um treinamento na Deutsche Welle e a sala estava fechada. Pouco depois, uma moça veio abrir a porta e avisou que nosso instrutor ia se atrasar porque houve um problema com o trem. Depois que todos os colegas tinham chegado pontualmente às 9h, a moça veio de novo se desculpar pelo atraso do nosso instrutor e explicar a situação.

Quando meus colegas estavam pensando em sair para buscar um café, nosso instrutor chegou esbaforido. Ao mesmo tempo em que tirava o casaco e largava a pasta, explicava que hoje a viagem entre Colônia e Bonn, que costuma durar 40 minutos, durou duas horas e meia porque os trens estavam atrasados e foi tudo um verdadeiro caos. Disse que costuma chegar às 8h. E deu todas as explicações que costumamos dar às pessoas quando queremos que elas entendam que nosso atraso não foi um ato de desrespeito.

Olhei no relógio e eram 9h10.

Guloseimas no ônibus

É um sorvete? Um chocolate? Um biscoito?
Não! É um pepino cru e com casca.
O alemãozinho de uns 5 anos estava
atracado roendo no ônibus, bem satisfeito.
Senhores pais, alimentação saudável tem limite.

Ah, e eu já mencionei que aqui eles também
comem pepino no café da manhã?
Graçasadeus não existe chuchu neste país...

Alemanha multiculti

Outro dia no ônibus vi uma cena que reflete muito do que a Alemanha é hoje.

Uma menina de uns 8 anos estava aprendendo a falar chinês (mandarim) com a mãe. Ela perguntava como se falavam as coisas, se confundia, enrolava a língua, ria de si mesma e continuava conversando em alemão. Filha de chineses, ela provavelmente nasceu na Alemanha, aprendeu alemão na escola e agora está tentando resgatar a cultura dos pais. Coisa que a gente vê aqui em cada esquina.

A imigração na Alemanha foi incentivada primeiro pela constituição (Grundgesetz), promulgada em 1949, que previa asilo para perseguidos políticos - alterada em 1993 por causa do grande número de requerimentos. E depois porque, nas décadas que sucederam o fim da Segunda Guerra, a Alemanha capitalista passou por uma fase de milagre econômico que demandava mão-de-obra estrangeira, já que não havia sobrado muitos homens na Alemanha para trabalhar.

Assim, a Alemanha experimenta hoje um processo pelo qual o Brasil passou no final do século XIX, com o fim da escravatura e a imigração europeia, principalmente alemã e italiana - nossos avós, bisavós e tataravós.

Aqui, a maioria dos imigrantes ainda está na primeira ou segunda geração, como no caso da menina chinesa que eu vi no ônibus. Aí fico pensando que a filha dela será alemã, filha de alemã, e que na próxima geração teremos alemães de todas as caras, como o Brasil.

Acho isso muito bom.

Viver na Alemanha é...

sair de casa ranhento todos os dias.

Aqui, lenço de papel na bolsa não serve só pra semana em que você está gripado: é sempre. É botar o pé na rua, mergulhar no ar gelado e o nariz começa a escorrer.

E não se acanhe, você não é o único. Todo mundo no ônibus vai ter seu respectivo lencinho e assoar o nariz na sua frente, sem pudor.

Mensa, o R.U. alemão

Quando fiz minha matrícula para o mestrado, ganhei a "Revista da Mensa" (que equivale ao nosso Restaurante Universitário) e pensei que tem coisas que só se vê aqui.

Imagine que eles planejam o cardápio de um mês inteiro dos seis R.U. que existem na cidade e arredores. Há sempre duas opções de almoço: uma com carne, outra vegetariana, e a refeição mais cara para estudantes custa 2,50€.

Folheei a revista e pensei, tudo bem que é útil ter o cardápio para saber que dia vai ter aquele prato que você adora, mas também acho meio deprimente saber o que se vai comer na quinta-feira daqui três semanas...

Na UFSC, tínhamos só o menu do dia, que era liberado umas duas horas antes do almoço. Aliás, o Cardápio do RU era o nosso campeão de audiência na finada Unaberta, agência de notícias do curso de Jornalismo.

O preço das coisas

Eu faço as contas e fico abismada com o preço das coisas na Alemanha e como o custo de vida aqui é proporcionalmente mais baixo do que no Brasil - em Florianópolis, pelo menos, que é de onde eu posso falar. A comida, especialmente. Só pra dar alguns exemplos:

1 kg de arroz parboilizado (barato): Floripa = R$ 1,65 / Bonn = 0,89 €
1 litro de leite integral de caixinha: Floripa = R$ 1,69 / Bonn = 0,56 €
500 g de café de boa qualidade: Floripa = R$ 6,99 / Bonn = 4,99 €

E por aí vai. Sem contar outras coisas, como aluguel, energia, telefone celular. No caso dos alimentos, um dos motivos é porque o governo alemão subvenciona alguns produtos importados, para que cheguem às gôndolas do supermercado com o mesmo preço dos produtos nacionais.

No preço dos carros a diferença é ridícula. Um Honda Fit, que no Brasil custa mais de R$ 50 mil, aqui é vendido por 13.000 €. Ou um Mercedes Classe C, que no Brasil custa R$ 120 mil e aqui se compra por 32.000 €.

Daí vem um leitor e diz: "Ah, Francis, mas se eu for comprar aí para trazer para o Brasil, com o câmbio, os impostos e o frete, vai custar a mesma coisa."

Sim, mas não é isso que eu quero dizer. O que quero dizer é que uma pessoa que ganha 1.000 € de salário na Alemanha tem um poder de compra muito maior do que uma pessoa que ganha R$ 1.000 no Brasil.

Isto é, além de os países desenvolvidos serem mais ricos e a renda média da população ser mais alta, essa renda ainda compra muito mais do que a equivalente no Brasil.

Só pra terminar essa reflexão, você sabe qual é a cidade mais cara do mundo? Tóquio? Errou. Tóquio é a segunda. A cidade com o custo de vida mais alto do mundo fica na África. É Luanda, capital de Angola, país onde 70% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Supermercados baratos na Alemanha

Várias pessoas já entraram no meu blog procurando supermercados baratos na Alemanha e não encontraram, coitadas. Então aqui vai um post pra ajudar na pechincha.


Lembrando que, por serem baratos, esses supermercados geralmente não têm muita variedade, mas mesmo assim os produtos normalmente são de boa qualidade. Outras lojas legais para economizar são:

- Promarkt (eletrodomésticos)
- Ikea (móveis)
- Saturn (eletrônicos)
- Mediamarkt (eletrônicos)

A publicidade é gratuita, mesmo. Depois de ter ganho apenas US$ 3,88 em dois anos com os meus blogs, desisti de qualquer ambição financeira na blogosfera.

A volta ao mundo em uma sala de aula














Meus colegas no mestrado vêm dos seguintes países:

Alemanha, Argentina, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, China, Estados Unidos, Etiópia, Indonésia, Kosovo, Nova Zelândia, Paquistão, Quênia, República Checa e Rússia.

E é todo mundo gente boa pra caramba.

A magrela ambulante

Na quinta-feira andei pela primeira vez com a bicicleta que o Johannes Beck me deu no final de abril. Ela estava com o banco emperrado e alto demais para mim, e depois de algumas tentativas frustadas de consertá-la sozinha, da tentativa frustrada de amigos e da preguiça de um dono de loja de bicicletas, a vida acabou embolando e não consegui mais cuidar dela.

Até a semana passada. Fui finalmente na Radstation de Bonn, atrás do Hauptbahnhof, a estação principal de trens, e eles desencantaram a magrela. Ela ficou lá por dois dias e, quando fui buscar, o assento estava novo em folha, e o conserto me custou só 9,50 EUR.

Nossa primeira experiência juntas foi pura adrenalina. Ao sair da oficina, me dei conta de que não tinha levado nem o cadeado, nem as luzes dianteira e traseira, obrigatórias para ciclistas na Alemanha sob pena de multa. Era fim de tarde e pensei: tenho que chegar em casa antes que anoiteça.

Quando chegamos, já tava meio escurinho e uma mulher num carro até buzinou reclamando (typisch deutsch), mas deu tudo certo.

Prost pra magrela.

A vida em 17,68m2

Desde o início do mês moro em uma Studenten Wohnheim, uma moradia de estudantes, em Bonn Castell. Fica do ladinho do rio, a 1,5km do centro e 4km da Deutsche Welle, onde serão as minhas aulas.


Meu novo apê é uma caixinha de fósforos, como disse a minha priminha Fernanda quando o viu pelas fotos, mas é bonitinho. Dentro dos meus 17,68m2 tenho meu próprio banheiro, a mini cozinha com frigobar e fogão de duas bocas, ou melhor, pratos (elétricos), prateleiras suficientes para dois anos de vida de estudante e 2 mesas de estudo. Tem também uma cama, lógico. Pequena, mas tem.

A única janela dá para o leste, e nos dias que tem sol, ele entra em cheio de manhã e se espalha pela casa toda.

Tô contente.

Matéria de buraco de rua

Na Alemanha, é capa de jornal.
"O imenso buraco de Düsseldorf - 4,5 metros de profundidade"
Só pra explicar: no jargão jornalístico, matérias de "buraco de rua" são as mais comuns e desprestigiadas do jornal, dadas a repórteres iniciantes.

Comida alemã

Semana passada meus amigos Ana e Nas, que moram em Madrid, foram me visitar em Bonn e fizemos um verdadeiro roteiro gastronômico na terra da batata. Aliás, esse nome é mesmo bem apropriado para definir a culinária alemã, já que quase tudo vem acompanhado de batata - em suas mais variadas formas e texturas.

Provamos e aprovamos:
  • Schweinebraten: o famoso porco assado, tenro por dentro, crocante por fora.
  • Schweinshaxe: joelho de porco. O nome assusta, mas é uma delícia, a carne desmancha na boca.
  • Bratwurst: a salsicha grelhada que você pode comprar tanto na barraquinha da esquina como em uma Brauhaus, as famosas casas de comida e cerveja típicas alemãs.
  • Currywurst: a mesma salsicha, mas cortada em rodelas com molho curry.
  • Schnitzel: filé de carne de porco empanado.
  • Bratkartofeln: minha batata favorita. Cortada em rodelas e dourada na frigideira, com cebola e bacon picadinhos.
  • Klößer: Difícil de definir. Se pronuncia "kloesser". São grandes bolas do que parece ser um nhoque de batata gigante. Muito bom acompanhado de Sauerkraut, o famoso chucrute.
  • Spätzle: Um tipo de massa comum, feita de ovos, farinha e sal, mas mais leve e com uma textura mais porosa.
  • Flammkuchen: típica da região da Alsacia (França) e também do sudoeste da Alemanha. É uma pizza bem fininha, quase um crepe, coberta com queijo coalho ou de cabra, bacon e cebola.
Esse humilde cardápio foi cumprido em seis dias de viagem. Entre as refeições, passeamos. :-)

Enfim, o mestrado

Pois é, meu povo, consegui a bolsa de mestrado. Começo em setembro o curso International Media Studies, um projeto da Deutsche Welle Akademie em parceria com a Universidade de Bonn e a Universidade de Ciências Aplicadas Bonn Rhein-Sieg.

Serão dois anos de curso, com colegas que vêm da América Latina, África, Oriente Médio, Ásia e Leste Europeu, além de alguns alemães.

Obrigada pela torcida de quem torceu mais uma vez. :-)

Nessas horas eu me lembro de uma tarde no início de 2008, quando eu trabalhava na Revista Empreendedor e estava falando dos meus planos pros meus editores, Alexsandro Vanin e Gustavo Cabral. Eu dizendo que viria pra Alemanha com bolsa da Heinz-Kühn-Stiftung por 4 meses em 2009, depois por mais três meses pela DW-Radio e depois faria dois anos de mestrado aqui. Daí o Cabral me perguntou: "Ah, você já ganhou a bolsa, então?" E eu: "Não, ainda nem me inscrevi."

Fraudarôsa

Muito prazer, sou eu.

A primeira vez que me chamaram assim faz um ano, quando fui abrir a conta no banco aqui na Alemanha. Eu não respondi, claro, não achei que fosse comigo. Meu nome completo é Francis da Rosa França, mas profissionalmente assino Francis França.

Ao preencher formulários, tenho que colocar o nome como está no passaporte, senão dá problema. E como na Alemanha eles não estão acostumados a dois sobrenomes mais uma preposição, encurtam a história.

Assim me tornei Frau da Rosa, ou seja, Dona da Rosa, porque aqui eles sempre chamam as pessoas pelo sobrenome.

Agora já acostumei.

Vergonha é comprar e não poder carregar

Sabe no Brasil, quando você compra uma geladeira e é óbvio que eles vão entregá-la na sua casa de graça? Na Alemanha é diferente. Se você comprar uma geladeira, é melhor ter como carregá-la você mesmo.

Aqui muitas pessoas não têm carro. Umas porque não podem - apesar de os carros aqui serem muito mais baratos do que no Brasil, e as estradas viverem atrolhadas - outros porque não querem, já que aqui, diferente do Brasil, o transporte público funciona e muitas vezes se chega mais rápido de trem do que de carro.

Nas lojas, o serviço de entrega costuma ser caro (tipo 80 euros pra entregar a sua geladeira), então muitas pessoas optam por alugar carros. Grandes lojas de móveis e utilidades, como a Ikea, por exemplo, alugam camionetes por 27 euros cada hora e meia, o que é bem prático.

Mas tem seus problemas.

Outro dia, fui à Ikea com minha ilustríssima amiga Renate Krieger e optamos por alugar uma Van para transportar umas estantes e um sofá. Chegamos em Bonn - eu ao volante - e veio aquele: putz, e agora?

Como estamos acostumadas a andar pela cidade a pé, de bicicleta ou metrô, não tínhamos a menor noção de como andar por lá de carro.

O resultado foi um retorno proibido e uma rua na contra-mão.

Liga de vôlei de praia em... Bonn (!?)

O Beethoven ficou espremido entre as duas quadras de areia que colocaram no meio da Münsterplatz, a praça central de Bonn. Trouxeram mais de 650 toneladas de areia para o campeonato nacional de vôlei de praia, o "Smart Beach Tour", que acontece neste final de semana de 24 e 25 de julho. A final feminina é sábado, às 15h. E a masculina, domingo, às 16h. Todos os jogos têm entrada franca.

Hoje passei por acaso pelo centro e parei pra ver um pouquinho dos jogos.


Vai dar um trabalho limpar isso depois...

Beethoven de camarote. Se bem que ele deve ter se sentido meio outsider.

Eliminatória feminina. Ouvi uns: "Bora! Bora!"

Sabia que tinha brasileira no meio... e elas ganharam por 2 sets a zero!!

O verão alemão

é curto, mas é tão quente quanto o inverno é frio.

E só porque é curto eles acham que tudo bem a gente cozinhar dentro de um ônibus/metrô/bonde/trem lacrado sem ar condicionado.

Resignada, comprei um leque.

O leitor de Berlim

Acompanho as visitas do Blog pelo serviço do Google Analytics, e uma coisa que me chama a atenção é um leitor de Berlim. Ele acessa o Denke Ich com muita frequência, vem através do Blogger e passa geralmente mais de 10 minutos no blog.

Fico muito feliz! Mas queria saber: quem é você, leitor de Berlim?

Capricha aí!

Esses dias fui tomar sorvete em uma das muitas sorveterias de Bonn que cobram 70 centavos a bola e, em um ímpeto de brasilidade, pisquei pro atendente e disse:

– Eu quero uma GRANDE bola de sorvete de iogurte – meu novo sabor predileto.

Ele me deu a bola bem caprichada, eu paguei com uma moeda de 1 euro e ele não me deu troco. Eu perguntei por quê.

– Você pediu uma bola grande.

Dicas para o TestDaF

A pedido da Ana, seguem aqui algumas dicas para quem pretende/precisa fazer o TestDaF, o exame de proficiência em alemão.

Eu fiz a prova em setembro de 2009 e consegui TDN 4, 3, 4, 4. O 3 foi em Hörvestehen. Na época eu tinha recém terminado o nível B2.2 no Instituto Goethe - estudava alemão havia um ano e meio.

Para mim o resultado foi suficiente, porque o mestrado para o qual eu me inscrevi, por ser voltado para o público internacional, pedia nível 3 nas quatro partes da prova: Leseverstehen, Hörverstehen, Schriftlicher Ausdruck e Mündlicher Ausdruck.

É bom destacar que programas alemães normais de pós-graduação exigem nível 4 em todas as partes.

Me preparei com o livro "Mit Erfolg Zum TestDaf":

O livro traz 3 simulados da prova, mais áudios e sugestões de respostas. Fiz todas as lições em uma imersão durante 14 dias. Pra mim funcionou, mas exige disciplina. Tem gente que prefere fazer um curso específico. Curso é sempre bom, mas é bem mais caro e o professor também vai dar simulados.

Não achei esse livro pra vender no Brasil. Como alternativa achei o "Fit für den TestDaF", que usa o mesmo método:







A maior dificuldade do TestDaF, na minha opinião, é o tempo. A gente tem que responder tudo muito rápido. Foi o que me prejudicou na prova de Hörverstehen, eu sabia a respostas, mas simplesmente não tive tempo de pensar para escrevê-las. Por isso, fazer simulados para treinar respostas e pegar o ritmo da prova é super importante.

Sucesso!

Acho que vou ter que comprar uma TV

Eu não tenho TV em casa, nem no Brasil assistia muito, mas tô achando que vou precisar comprar uma para não perder o pouco do alemão que me deu tanto trabalho pra aprender.

Eu trabalho nas redações brasileira e portuguesa. Quase todos os meus amigos são brasileiros ou portugueses ou africanos de países lusófonos. Com meu namorado eu falo inglês. Com alguns amigos alemães do CouchSurfing, também.

Só falo alemão quando vou comprar coisas, e o pessoal do comércio aqui não é muito comunicativo, pra dizer o mínimo.

Minha saída vai ser algum seriadinho...

O jeito alemão de lavar a louça

No ano passado durante um happy hour do Instituto Goethe, um estudante alemão ofereceu 20 euros para o nosso colega da Coréia do Sul mostrar como ele lava a louça. Fazia parte de um estudo, e eu descobri que lavar a louça é algo tão culturalmente peculiar como gastronomia.

Os alemães, por exemplo, enchem a pia de água e detergente, colocam toda a louça dentro, esfregam com a esponja e colocam para secar, sem exaguar, tudo cheio de espuma. Curiosamente a louça não fica com gosto de sabão. Lembro que a minha bisavó Carolina, que era descentende de alemães, fazia assim também.

Eu sempre achei e continuo achando esquisito.

A saga do removedor de ferrugem

Quando o tiozinho da loja de bicicleta disse que eu ia ter que comprar removedor de ferrugem, já senti o drama. Removedor de ferrugem em alemão é Rostlöser. Chego no supermercado e pergunto, em alemão:

- Vocês têm Rôstlöser? - O tio me olha com cara de tacho.
- Hein?
- Hã... Rôstlöser... pra remover Rost (ferrugem).
- Ahhh, Róstlöser! Não, não temos.

Saio de lá e entro em uma drogaria, que aqui são lojas que têm de tudo, e pergunto, em alemão:

- Vocês têm Róstlöser?
- Hein?
- Róstlöser, pra remover Rost.
- Ahhh, Rôstlöser! Não, não temos.

Floresta Negra, o retorno

Passei de quarta a domingo na Floresta Negra com a Ute e outros colegas da Heinz-Kühn-Stiftung. Aí vão as fotos!

A magrela adormecida

Já faz quase dois meses que herdei uma bicicleta do Johannes Beck e ainda não pude andar. Minha nova velha magrela está com os pneus murchos e o banco, alto demais pra mim, está emperrado por causa da ferrugem.

Nada que o Seu Alvair da mecânica ali do Campeche não resolveria pra mim em 10 minutos, mas você está na Alemanha, lembra?

Numa terça-feira dessas, fui na loja de bicicletas que tem na frente da minha casa. O tiozinho olhou pro ferro do assento enferrujado e disse que teria que serrar uma pecinha, mas que só poderia fazer isso no sábado. E que o banco emperrado não era com ele, eu teria que comprar removedor de ferrugem e desemperrar eu mesma.

Assim a magrela continua lá no porão. A tal pecinha enferrujada que o tio só ia poder serrar no sábado eu arranquei a martelada. Mas o banco nem se mexe. Um tio turco gente boa que tem uma loja aqui perto até me emprestou um removedor de ferrugem, mas não fez nem cócegas. Essa semana vou levar numa outra oficina que me recomendaram, pra ver se tem um pessoal mais disposto.

Que saudade do Seu Alvair.

Alemanha: Lado "A"

Experiência própria:

Você liga às 10h para marcar uma consulta no médico às 15h, faz os exames no próprio consultório, recebe o resultado e a receita na hora, sai da clínica às 16h e compra o antibiótico na farmácia da esquina por 5 euros.

Alemanha: Lado "B"

Experiência própria:

Você chega no consultório médico e tem uma placa na porta escrito "frisch gestrichen". Você nunca leu essa frase na vida e só se dá conta de que ela significa "tinta fresca" quando está com os dedos brancos. A secretária, com olhos de fúria, grita:

- A tinta está fresca, você não enxerga?

A última sobre o sinal vermelho

O meu amigo Rodrigo Benincá leu o post Crônicas do Sinal Vermelho e me mandou um recado por e-mail, não aparece aqui no blog. Ele disse:

"vc está muito fascinada pelas faixas de pedestres e sinais vermelhos sendo respeitados... lembro do seu post ano passado (algo assim) falando da bronca que levasse ao cruzar a faixa com sinal vermelho
agora vc fica observando isso direto
heheehhe
acho legal"


Então, explico por quê.

Na verdade eu sou um pouco crítica em relação a essa história. Por um lado eu acho bacana que as pessoas respeitam as regras e fico feliz de saber que ninguém vai atravessar a rua correndo na frente dos carros, causando risco de acidente.

Mas por outro, eu acho que falta um pouco de senso crítico nessa atitude. Às vezes está frio, chovendo, não vem absolutamente nenhum carro na rua e as pessoas ficam lá, plantadas, esperando o sinal ficar verde para cruzar.

Quando eu era pequena, me ensinaram que eu tinha que olhar para os dois lados antes de atravessar. Se viesse carro, não atravessava. Pronto. Quase três décadas depois, estou aqui, vivinha, zero atropelamento.

Não seria melhor ensinar as crianças a avaliarem os riscos em vez de simplesmente obedecerem a uma luz? O que vocês acham?

"Meus" pássaros

Desde que comecei a jogar arroz no gramado, o passaredo faz uma festa aqui no jardim.






Acho que eles nunca tinham visto arroz na vida, só batata.

Barzinhos legais em Bonn

Já que estamos falando de diversão, aqui estão os meus barzinhos favoritos até agora (não necessariamente nesta ordem):
  • Tacos Mexican Bar
    Mexicano, com boa comida, bons coquetéis e música latina.

  • Café Bistrô Pendel
    Do lado do Stadttor, o Portal da Cidade, bem no centro, local bacaninha.

  • James Joyce
    Irish Pub com uma área de não-fumantes (adoro). Tem torradas deliciosas.

  • Café Pawlow
    Durante o dia é um café, à noite um barzinho mega-pop. Cerveja barata e música boa. Nos domingos tem brunch.

  • Das Nyx
    Onde foi a World Beat Party. Fui lá só uma vez, mas achei o ambiente bacana, cerveja a bom preço e bom atendimento.
  • Biergarten am alten Zoll
    Fica na beira do rio, ao lado da Universidade de Bonn e é ponto de encontro dos estudantes. Lugar super bacana e vista linda.



Visualizar Bares em Bonn em um mapa maior

A melhor festa de Bonn

se chama World Beat Party. Fui com alguns colegas da DW no sábado passado e me diverti como nunca aqui na Alemanha.

Rola música do mundo todo, de Fado a Bollywood, em espanhol, árabe, chinês, francês, alemão, e, claro, em português. Fomos à loucura com o axé da Ivete e o Rap das Armas (O parapapapapá do Tropa de Elite).

Desde o ano passado, quando fui a duas festas horrorosas aqui em Bonn com o pessoal do Instituto Goethe, tinha desistido de sair pra dançar e só ia a barzinhos. Pois sábado passado Bonn se redimiu.

A World Beat Party acontece uma vez por mês. A próxima vai ser no dia 12 de junho, na Brotfabrik.

Uhuw!

Crônicas do Sinal Vermelho

No cruzamento da Oxfordstrasse, o alemão de quarenta e poucos anos atravessa no sinal vermelho. Atrás de mim, a vozinha:

Mãe, mãe, ele passou no vermelho!

a mãe:

É... isso é muito perigoso.

Encontrei batata palha!

A Arlete tinha razão, tem batata palha no supermercado!


Mas não vá ficando todo animadinho.
O pacote é de 100g, custa 1,49 EUR e é daquele jeito, né, agridoce picante.

Mas é melhor que nada, vai.

O poder ideológico do sinal vermelho

Estava eu parada no sinal vermelho como todo mundo, esperando para atravessar a Oxfordstrasse, quando ouvi uma conversa em português.

Eram dois brasileiros com sotaque do nordeste, um deles com a camisa da seleção. Falavam sobre amenidades até que uma menina riponga atravessou no sinal vermelho. O mais bicho-grilo deles interrompeu a conversa e disse para o que devia ser recém-chegado:

- Isso aí não se faz, bixo. Dá mau exemplo. Ainda mais se tiver criança por perto.

Atravessei a rua rindo sozinha.

Reno em Chamas

Rhein in Flammen

O Festival Rhein in Flammen (Reno em Chamas) é um show de fogos de artifício que acontece todo ano ao longo do Reno, de maio a setembro, cada mês em um ponto diferente do rio.

Fui com os colegas da Deutsche Welle e fiz algumas fotos e vídeos. Foram 20 minutos de fogos sincronizados com música. Pra mim a parte mais bonita foi com a 9ª Sinfonia de Beethoven. Show!

Primavera em Bonn

Primavera

Quando cheguei aqui, em julho do ano passado, não entendia a moral dos “Biergarten” ou “Jardim da Cerveja”, que nada mais são que mesas na rua dos bares. Tá, sentar do lado de fora, e daí?

Depois de conhecer o inverno daqui, a gente entende o valor do Biergarten, das mesas na rua, de sentar na grama, do calor do sol...

Papai do céu, obrigada pela primavera.

Minhas coisas

Sou a feliz proprietária de duas panelas, um tapete verde, alguns talheres, canecas, pratos, copos e xícaras. Também tenho uma flor, uma vassoura, um rodo, um edredon, toalhas e lençóis. E semana passada ganhei uma nova bicicleta velha de presente.

Gente, tenho coisas!

Casa nova

Guerra da Droga no México

Esse documentário foi meu primeiro trabalho como freelancer para a DW-Radio. Gostei do resultado.

} México: Guerra da Droga entra no quarto ano de violência brutal

Notícia velha é melhor contar tudo de uma vez

Onde eu parei? Então...

1) Consegui meu visto
Como diria Zagallo, eles vão ter que me engolir! Hehe... saiu meu visto, tenho permissão pra ficar na Alemanha pelo menos até 31/12/2010 (devo prolongar por outros 2 anos quando começar a estudar). Cheguei na Ausländeramt toda apavorada, porque tinha me registrado em Bonn antes de me mudar de fato pra cá - porque se fosse fazer pela secretaria de estrangeiros de Brühl, ia ser um calvário. A lembrança da Frau Linden me assombrando e eu cá comigo: ferrou.

Que nada. Quem me atendeu foi a Frau Rösch, uma flor de menina. Simpática, alegre e com um piercing de strass no dente. Em menos de uma hora, meu visto estava na mão. A Frau Linden até passou por lá pra pegar não-sei-o-quê. Nem olhou para mim, mas parecia mais feliz. Deve ter se apaixonado.

2) Virei freelancer da Deutsche Welle
Meu estágio terminou. Agora trabalho como freelancer na Deutsche Welle, alguns dias por mês na redação brasileira online, alguns na redação portuguesa de rádio. Estava nos meus planos desde o ano passado, quando soube do estágio na rádio, mas não tinha ideia se isso afinal seria possível. E não é que era? \o/

3) Minha avó caiu da escada rolante
Não teve a menor graça, como o episódio do post anterior. Foi num sábado, quando voltávamos para casa em Brühl. Minha avó subiu sozinha por engano na escada rolante da estação de trens de Colônia. Ficamos embaixo esperando que ela terminasse de subir por uma para descer de volta pela outra, mas quando ela estava quase lá em cima, olhou para nós, desequilibrou-se e caiu de frente na escada. Foi um pânico. Fraturou o ombro esquerdo, o pulso direito, levou oito pontos na testa e dois na boca. Os médicos queriam operá-la, mas como ela e minha mãe esqueceram-se de fazer seguro de saúde para a viagem, a operação custaria mais de 5 mil euros (só o atendimento ambulatorial foi 500). Então ela teve que ficar na minha casa por uma semana a base de analgésicos esperando voltar para o Brasil. Agora já está bem, foi operada e em mais cinco semanas está nova em folha.

Lição: Quando for viajar, faça SEMPRE um seguro de saúde internacional. Qualquer torsão no pé pode lhe custar algumas centenas de dólares.

4) Me mudei
Agora sou uma feliz cidadã de Bonn. O apartamento em Brühl era bacana, mas meio longe do trabalho, e como meu contrato terminou, resolvi me mudar. Agora estou instalada em uma simpática quitinete de 23 m2 a 7 minutos a pé da estação central de Bonn. Tenho uma janela grande para um jardim, um tapete verde e uma porção de pássaros que vêm todo dia ciscar na grama. (fotos em breve)

5) Me candidatei a uma vaga de mestrado
Finalmente fiz minha inscrição para o Mestrado em Mídia Internacional da Deustche Welle em parceria com a Universidade de Bonn. O resultado sai no final de junho. Dedos cruzados!

Uma queda pela Europa

A da minha mãe foi por Düsseldorf. Ia pela rua encantada olhando os prédios, não viu que a calçada acabou e levou um tombo espetacular. Não se machucou, ufa.

A da minha avó foi pela cidade de Manage, na Bélgica, quando voltávamos de Paris. Saiu da loja de conveniências do posto, não viu o degrau e, tal qual Terezinha de Jesus, de uma queda foi ao chão.

Os incidentes renderam meia hora de gargalhadas e, como prometido, um post no Denke Ich, para todos os nossos amigos ficarem sabendo (eh, eh).

A chegada das tigras

Minha mãe e minha avó vieram me visitar. Chegaram dia 11/3 e ficam até a Páscoa. Como vocês devem ter percebido pelos 21 dias sem atualizar o blog, nossos dias têm sido movimentados.

Além da metrópole Brühl, elas já estiveram em Bonn, Colônia e Königswinter, com suas ruínas de Drachenfells - o castelo do dragão.

Também fomos a Paris, de carona no minibus dos tiozinhos turcos que fazem concorrência à Deutsche Bahn com suas linhas regulares para a cidade luz. Encontramos o François lá e comemoramos o aniversário da minha mãe. Foi tudo maravilhoso, exceto por um resfriado que me deixou o final de semana inteiro (e até hoje) tossindo que nem cusco pesteado.

Ontem à noite elas chegaram a Roma, ciceroneadas pelo meu querido amigo Sérgio, que conheci em Floripa pelo CouchSurfing.

Assim que eu sobreviver ao mês de março, posto as fotos. Juro.

21 dias é demais

Hoje de manhã quando me interessei pelo post "Como ressuscitar um blog em 5 passos", do Edney Souza, concluí que precisava atualizar o Denke Ich - antes que algum portal teuto brasileiro desaconselhe a leitura por eu não bater ponto diariamente no Blogspot.

O milagre da ressurreição é para blogs caducados há mais de um ano, então vou ficar só com a dica e ignorar os passos.

Sugiro o seguinte: Faz de conta que eu não passei pela chegada da primavera sem publicar um post esfuziante e toquemos em frente. A seguir vocês vão entender por que passei tanto tempo off.

Resultado do TOEFL!

Acabei nem contando da prova, né, esqueci. Pois então, fiz o TOEFL no dia 13 de fevereiro, em pleno carnaval - é claro que eu não tinha me dado conta disso quando me inscrevi. Achei que ia fazer a prova sozinha, mas que nada, a sala estava cheia.

Deu tudo certo. Saiu hoje o resultado, fiz 102 pontos no TOEFL iBT, que vai até 120. Para o programa de mestrado em que vou me inscrever o mínimo era 79 pontos. Ueba!!

Barrada no jogo

Entrei sedenta na página do Globo Esporte para assistir ao jogo da seleção contra a Irlanda e me deparei com a seguinte mensagem:












"Acesso internacional: Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro."

Sacanagem...

A criminosa

Eu devo estar absorvendo a mentalidade alemã. Hoje estava me sentindo toda culpada (e apavorada) por pegar o trem sem pagar.

Aqui na Alemanha os trens não têm catraca. Você compra o bilhete em uma máquina, valida em outra e embarca. Durante a viagem, um cobrador pode aparecer - ou não - e pedir pra ver seu bilhete. Normalmente eles não vêm, no mês passado eu só tive que mostrar o meu três vezes. Maaaas, se ele vem e você não tem a passagem, a multa é de 40 euros.

Pois bem, a Francis tem um tíquete mensal que lhe dá direito a pegar qualquer trem, metrô, bonde ou ônibus entre Bonn e Brühl. Segunda-feira, dia 1º de março, o tíquete de fevereiro não valia mais, naturalmente, mas eu só podia renová-lo em Bonn.

Como para ir até lá o bilhete individual custa absurdos 4,40 euros e eu não tinha dinheiro na carteira, decidi entrar sem pagar. Na verdade não tem nada de mais, eu já esqueci de comprar passagem e só me dei conta quando cheguei, mas enfim, dessa vez era intencional e eu estava me sentindo uma criminosa.

Chego no trem e tem um adesivo na porta - que não estava lá ontem - com os dizeres: "só embarque se tiver um bilhete válido".

Bateu aquele peso na consciência e eu já estava inventando mil desculpas para dar ao cobrador: "Mas que dia é hoje?", "Este ano não é bissexto?", "Eu vou comprar meu tíquete mensal quando chegar em Bonn e ele terá pago por esta viagem também, o senhor pode ir comigo se quiser". A úlcera velha gritando e o coração aos saltos cada vez que entrava alguém de preto no vagão.

Doze minutos de suplício depois, desembarquei em Bonn.

O tio da batata!!

Rá! Consegui registrar esse momento folclórico do cotidiano em Brühl.



Obs.: Isso não é uma gravação, e ele não tem microfone.

São as águas de março...

...abrindo a PRIMAVERA!!

Sábado fez 12ºC em Brühl, com céu azul e brisa nas plantinhas. Dizem as santas línguas que o inverno foi-se embora de vez, e até o final do mês as janelas da Alemanha devem estar entupidas de flores.

Depois de experimentar o inverno, fica fácil entender por que os alemães ficam tão felizes com o verão.

Carnaval de Colônia

Parte 1: O desespero

Os estagiários da redação foram escolhidos para cobrir o carnaval de Colônia, que é o maior da Alemanha, talvez da Europa e há quem diga que é o mais bam-bam-bam depois do brasileiro. Quem me conhece, sabe como eu odeio adoro o carnaval, então levantei hoje de manhã como quem ia pra forca.

Ao frio de -5ºC, saímos eu, a neve e a dor de cabeça. Eu ia bem desconfiada pela rua por não ver ninguém fantasiado. Eu não estava exatamente fantasiada, mas coloquei o cachecol mais colorido que tinha e pintei o nariz de vermelho, pra não destoar muito.

(Tenho um trauma com essa coisa de se fantasiar. Foi na Semana Farroupilha, quando eu tinha 7 anos. O caso é que a Semana Farroupilha não é de segunda a sexta. Se o 20 de setembro cai numa quinta-feira, a semana começa na quinta anterior e vai até o dia 20. Aos 7 anos de idade eu não sabia disso e fui vestida de prenda na sexta-feira. Resultado: eu era a única menina pilchada de toda a escola. Aí até hoje, dez anos depois (eheh), eu fico ressabiada.)

Cheguei na estação de trem e encontrei o primeiro bando de ursos polares com cachecol. Ufa... Depois ainda chegou um búfalo, alguns vampiros e um milho transgênico. Apesar de eu ser a mais discretinha de toda a plataforma, tava todo mundo interessadíssimo no meu microfone e no gravador.

Quando o trem começou a andar - e só depois disso - eu me dei conta de que tinha saído uma hora mais cedo. Estúpida...

Parte 2: A redenção

Cheguei na Severinskirchplatz, isto é, a Praça da Igreja do Severino, e o pessoal já estava animado. As fantasias hilárias e o extraordinário bom humor daquela alemoada toda acabaram amolecendo o meu coração. Minutos depois eu já estava balançando com a galera ao som de "In Kölle jebützt", que no dialeto local significa "Beijado em Colônia", o slogan desse carnaval. Em um ímpeto de atrevimento, os alemães têm permissão para dar bitocas no rosto uns dos outros. Igualzinho no Brasil.

Falando nisso, o frio foi um escândalo. Ao meio-dia a sensação térmica em Colônia era de -8ºC. Depois de duas horas, eu não sentia mais os dedos das mãos nem dos pés. E o frio dói. A sensação é de que alguém está prensando seus dedos com um alicate. Eu batendo queixo e todo mundo na maior empolgação. Algumas meninas estavam de mini-saia e meia arrastão, como se isso adiantasse pra alguma coisa. Aff, no Brasil soltar a franga é menos martirizante.

Resumo final da história: curti pra caramba!

Eis as fotos:

Câmera indiscreta (frustrada)

Passei a manhã toda de butuca pra filmar o tio da batata e ele não apareceu. Ele passa toda terça de manhã aqui na rua, berrando a pulmões de tenor:

"Kartofeeeeeeeln, oooobst, ái oooooooobst"
"Batataaaaaaaaa, vegetais, ái vegetaaaaaaais"

Dá pra ouvir claramente com as janelas fechadas, aquelas de vidro com isolamento térmico. Hoje ouvi a sineta e me preparei: câmera no parapeito da janela, modo vídeo selecionado, eu naquela expectativa.

Depois, silêncio. Foi só para eu encarangar com a janela aberta ao frio de -8ºC (a propósito, lembra da previsão do tempo no post anterior? Esquece).

Te espero terça que vem, tio da batata, me aguarde...

Imersão para TOEFL

Como aconteceu com o TestDaF, tenho prova do TOEFL no dia 13/2 e vou mergulhar nos livros.

Reconheço que este blog está meio chatinho... por enquanto vai indo assim, aos trancos, mas prometo que a partir do dia 14/2 a coisa engrena de novo.

Ah... e vá preparando seu coração para um evento inesquecível: O carnaval de Colônia!

Boletins na DW-Rádio em Janeiro

14 de janeiro - manhã
Estudo do Ipea indica que Brasil pode erradicar pobreza extrema em 2016 - aos 18'40''

17 de janeiro - noite
Programa Juventude em Foco - O programa começa aos 13'12''. Fiz a locução e uma matéria que começa aos 16'25'' sobre o ensino obrigatório de História da África nas escolas brasileiras .

19 de janeiro - manhã
Organizações internacionais denunciam danos da GDF Suez no Rio Madeira - aos 24'00''

21 de janeiro - noite
Pescadores da Baía de Sepetiba vão à Alemanha protestar contra ThyssenKrupp - aos 13'35''

24 de janeiro - noite
Programa Juventude em Foco, locução. O programa começa aos 14'38''

25 de janeiro - manhã
Fórum Social Mundial mudou a mentalidade do mundo, dizem líderes sociais, aos 10'30''

26 de janeiro - noite
Entrevista com Leonardo Boff sobre Fórum Social Mundial, aos 20'31''

27 de janeiro - manhã
Justiça Federal dá sentenças favoráveis à construção das usinas do Rio Madeira, aos 19'29''

27 de janeiro - noite
Manuel Zelaya deixa embaixada brasileira em Tegucigalpa, aos 23'40''

28 de janeiro - noite
Brasil compra 83 milhões de vacinas contra vírus da Gripe A, aos 19'15''

31 de janeiro - Noite

O fenômeno do inverno em Brühl

Nunca vi tantos vizinhos como agora em Brühl. Por uma razão misteriosa as pessoas parecem ficar mais ativas no frio. Várias luzes de janelas acesas, gente na rua, crianças, jovens fazendo festinhas, gente vendo TV. É uma alegria.

Arroz, feijão e bife acebolado

Trá-lalá... como sou feliz.

A consulta no médico

Segunda-feira passada chegou pelo correio a minha krankenversicherungskarte, que nada mais é do que o cartão-do-seguro-de-saúde.

Aqui na Alemanha, o seguro de saúde é obrigatório para quem ganha até 5 mil e poucos euros por mês. Acima disso, a Cristina estava me explicando, é facultativo, mas a maioria das pessoas têm.

O meu é obrigatório, naturalmente. E como não é barato, resolvi marcar exames de rotina.
Cheguei na hora marcada e fiquei 45 minutos na sala de espera - algo lhe soa familiar? A vantagem é que a médica morou em São Paulo e fala português, bem querida.

Marquei os exames e descobri que estou na faixa etária mais cara da Alemanha. Não sou jovem o suficiente para ter desconto no transporte, nem velha o suficiente para fazer exames gratuitos.

Mensch...

Barzinho com música ao vivo: o conceito alemão

Em outubro fui num bar bem bacaninha com uns amigos do couchsurfing. Tinha coquetel, o ambiente era legal, mas a música vinha de caixas de som. Aí a Francis pensou alto: "ah, bem que podia ter música ao vivo aqui, né, ainda não vi ninguém tocando em bares em Colônia."

Foi o suficiente para a experiência "música ao vivo" virar um acontecimento. Depois de dois meses planejando, quando voltei, o pessoal me convidou pra ir no tal bar. De fato era um bar com música ao vivo, só que o bar ficava de um lado e a música do outro, em uma sala de espetáculos separada, onde a gente ficava em pé ouvindo, como um show. Quem estava tocando era um brasileiro.

Foi bizarro. O cara tinha uma guitarra com todas as cordas desafinadas de propósito. Ele cantava samba e MPB à Caetano Veloso e, nas pausas dos compassos, chacoalhava as cordas da guitarra fazendo ruídos ensurdecedores - imagine um menino de 5 anos brincando de ACDC com uma guitarra de verdade. Meus amigos alemães definiram como música impressionista.

Eu achei uma droga.

Na pausa, fomos para o subsolo, onde uma banda inglesa estava tocando baladinhas de comédia romântica. Bem melhor, mas ainda em pé. Antes das 22h30, o show acabou.

Fim.

Ok. Tá frio.

Ontem saí com uns amigos em Colônia e cheguei em Brühl às 23h.
Na frente do castelo Augustusburg, o catavento colorido girava insandecido com a ventania, que veio graciosamente acompanhada de uma garoa, ora de neve, ora de chuva. Como perdi as minhas luvas em Basel, ao longo do caminho precisava escolher entre manter a mão no bolso ou segurar o capuz. O nariz, a mão do capuz e as pernas ficaram dormentes.

Em casa, o Weather Channel confirmou: -7ºC
E pensar que em Berlim esta semana fez -21ºC...

português versus português

Sabe como chama trem em Portugal? Comboio.
E ônibus? Autocarro.
E xícara? Xávena.
E talvez? Se calhar - se calhar a gente se encontra hoje à noite.
E se uma coisa foi muito bacana ela é...? Gira. Esse CD é muito giro, o pá.
Esse "o pá" eles usam pra tudo, mesmo.

E hoje o moçambicano Daniel veio me perguntar o que é "baque".

Estás a ver?

Olimpíadas domésticas de inverno: o aquecedor

Todo mundo faz cara de apavorado quando os termômetros marcam -10ºC, mas na verdade aqui a gente só sente frio quando está na rua, porque dentro de casa, no trabalho, no supermercado ou no restaurante, é sempre 20ºC.

No meu apê, em cada cômodo tem um aquecedor de ferro branco em forma de sanfona que dá pra regular a temperatura de 6ºC a 24ºC.

Mas como tudo mais na Alemanha, manter a casa quentinha exige um método. A Anne-Rose me deu um cursinho de capacitação em operação de aquecedores quando cheguei. As regras são simples:

1) Todas as portas de todos os cômodos devem ficar fechadas para economizar energia (particularmente, acho um saco).

2) Ao sair de casa, devo ajustar os aquecedores para a temperatura mínima - para economizar energia.

3) Depois de tomar banho, tenho que abrir totalmente a janela e passar o rodinho nas paredes para tirar o excesso de água, senão cria mofo. Sem esquecer de desligar previamente o aquecedor, é claro, para economizar energia.

4) Quando chego em casa à noite, devo desligar todos os aquecedores e abrir as janelas para arejar a casa por cinco minutos. A Anne-Rose me sugeriu usar o timer do fogão para controlar os cinco minutos (!). E eu uso (!).

Piadinha verídica

A brasileira e a portuguesa estavam no trem para Wuppertal (elas me pediram para não revelar seus nomes... risos). Conversando para se conhecerem, a brasileira disse:

- Ah, no Brasil eu vivia de bicos.
- Não fales isso! - disse a portuguesa apavorada, olhando em volta.

Aí a brasileira descobriu que em Portugal fazer bico é fazer sexo oral.

Imagens do inverno

Inverno


Tirei essas fotos na primeira semana que cheguei. Final de semana passado a neve derreteu toda e o mundo voltou a ter cores... risos.

Escorregou na sua calçada, a culpa é sua.

Saiu na página da DW em Português semana passada. Achei genial. Destaque para os trechos:

Ao amanhecer, depois de uma nevasca noturna, os alemães vão para as ruas com suas pás coloridas e começam a retirar a camada branca e congelada que cobre as calçadas e as trilhas. A ação é para impedir que alguém escorregue.

(...) se alguém escorregar numa calçada, quem paga a conta é o dono do imóvel. E não é pouco: principalmente se ficar provado que houve desacato às normas que regulamentam a retirada da neve e do gelo.

Caso alguém escorregue no gelo, nem sempre o dono do imóvel precisa indenizar a vítima. Se o tombo for às três da manhã, por exemplo, o custo fica exclusivamente a cargo do convênio médico. (...) em geral a obrigação de manter a calçada livre da neve vai das sete da manhã às oito da noite.

E quando o proprietário está de férias, ou tenha ele mesmo escorregado numa calçada e esteja de cama? As leis alemãs chegam a este nível de detalhe: nesse caso, o dono do imóvel tem que incumbir outra pessoa de cuidar da calçada em seu lugar.

Risos...

Leia a matéria completa.

Fátima Tchumá Camará, de Guiné-Bissau para o mundo

Minha colega de estágio chegou na DW dois meses antes de mim e foi embora 13 dias depois de eu chegar. Conversamos, de fato, umas duas vezes, mas a história de vida da Fátima me impressionou.

Aos 32 anos, casada e mãe de três filhos, o mais novo de 7 meses, o mais velho de 7 anos, ela saiu de casa no dia 16 de novembro e só deve voltar no dia 4 de fevereiro.

A Fátima mora com o marido, os filhos e uma sobrinha em Bissau, capital da Guiné-Bissau, na costa leste africana. O país tem mais ou menos 1,5 milhão de habitantes e sérios problemas de infra-estrutura. Na casa da Fátima não tem energia elétrica, a televisão e a geladeira funcionam com gerador a diesel.

Ela trabalha na Rádio Nacional há sete anos. Faz reportagem e grava boletins sem acesso a internet, e quem edita as matérias são técnicos em máquinas analógicas. A média de salário de um jornalista lá, ela me contou, é de 70 euros. Começou há pouco o curso de Comunicacao Organizacional e Marketing na Universidade de Bissau, onde o marido, jurista, tornou-se reitor no ano passado.

Pertencente à etnia Fula, muçulmana praticante, mas não fundamentalista, como ela própria se define, é casada por amor com um homem da etnia Cassanga, animista não praticante. Na Guiné-Bissau não temos conflitos entre etnias nem religiões, diz ela.

Seu pai morreu em 1998, no último dia da guerra civil com uma bala perdida, quando levava o café da manhã para a família que estava refugiada em um bunker do Ministério da Saúde. A mãe mora com seus outro cinco irmãos. Eram seis, mas uma irmã morreu aos 29 anos de uma doença repentina.

A primeira vez que Fátima veio à Alemanha foi no ano passado, para fazer um curso sobre jornalismo ambiental na DW Akademie. Além do trabalho na Rádio Nacional, ela também colabora com a Televisão Pública de Angola, TPA, e é membro da Associalção dos Jornalistas da África Ocidental.

Ela já esteve em Portugal, Senegal, Gâmbia, Níger, Burquina Fasso, Abidjã e Líbia. Este ano ainda vai a Cabo Verde e em janeiro a Brasília, como membro da Comissão da Conferência Internacional Infanto-Juvenil, Vamos Cuidar do Planeta - Brasil 2010.

Olimpíadas domésticas de inverno: lavar a roupa

Se você lavar a roupa e estender na rua a -2ºC ela vira pedra, me explicou a Anne-Rose, dona do apartamento que eu alugo. O que fazer? Calma, você está na Alemanha, e eles têm um plano detalhado para tudo.

A minha máquina de lavar não fica dentro de casa, como no Brasil, fica no porão, junto com todas as máquinas do prédio - são nove apartamentos -, e nesse porão existe um varal. Mas não pense que você pode ir simplesmente estendendo a sua roupa onde bem entender.

Existe uma tabela para conhecimento de todos, dividindo o uso do varal interno. Uma semana para cada dois moradores. A minha foi a semana passada. Vou poder estender lá embaixo de novo daqui duas semanas. O horário vai de uma segunda-feira à tarde até a segunda seguinte pela manhã.

E nesse meio tempo? Melhor não lavar roupa. Lave só as peças pequenas e estenda dentro do apartamento.

A Anne-Rose me disse que se eu lavasse as roupas no sábado, na segunda de manhã estariam secas - olha a situação. Assim fiz, e como eles tem produtos especiais para lavar as roupas de inverno, sempre orgânicos, a roupa não ficou com cheiro ruim.

Ah, die Deutsche...

Matéria no programa Juventude em Foco de 10 de janeiro

Meu boletim foi sobre o programa de incentivo do time de futebol FC Köln para que os jovens jogadores não deixem os estudos. Está aos 18'45''


Primeira matéria na DW-Rádio!

Meu primeiro boletim na DW-Radio em Português saiu no programa matutino do dia 8 de janeiro. A matéria começa aos 19 minutos e 50 segundos.

Clínica de recuperação de Verbos

Quando fui morar em Florianópolis, em 2001, para me integrar na nova cultura comecei a usar o "você", coisa que no Rio Grande do Sul ninguém fala e, se fala, soa estranhíssimo. Lá usamos o tu mal conjugado na fala informal - tu viu, tu fez -, e bem conjugado na fala e em textos formais - tu viste, tu fizeste. Ainda tem gente que quer falar bonito e conjuga errado: tu fizestes.

Enfim, quando o "você" entrou na minha vida, o meu português virou uma salada. Um pouco de tu bem conjugado, um pouco de tu mal conjugado e outro tanto de você, não conjugado - isso na língua falada, claro, e na internet. Textos de verdade eu escrevo direitinho, risos.

Agora entre portugueses, guineenses, moçambicanos e cabo-verdianos, para quem o você é ainda mais entranho do que para os gaúchos, tenho voltado a usar o tu e a conjugar os verbos direitinho. E nada de comer o início das palavras: é "estou" e não "tô".

Se o alemão vai melhorar nessa nova temporada, eu não sei, mas o português, vai.

Strogonoff - 2ª tentativa

Eu trouxe a batata palha do Brasil desta vez, mas acabei esquecendo o creme de leite. Não sei como aconteceu, eu comprei creme de leite especialmente para trazer. Cheguei a cogitar uma conspiração, alguém abriu a minha mala e tirou o creme de leite de lá - é proibido transportar carne, leite e respectivos derivados no avião - mas o leite condensado veio, então não sei o que houve.

Lá vai a Francis ao supermercado de novo procurar um similar. Em vez de comprar às cegas, aluguei a funcionária. Disse que queria uma "Schlagsahne" (nata batida), mas sólida, não líquida, para fazer strogonoff - ela tinha uma vaga noção do que fosse.

Ela primeiro me sugeriu "Saure Sahne" (nata azeda), definitivamente não. Depois a Schmand, que pela tradução era creme de leite. Ok, levei pra casa. O gosto não é exatamente igual, é meio puxado pro de iogurte natural, o pote é igual ao de iogurte, mas no fim deu certo.

Resultado: Schmand substitui o nosso creme de leite (na comida, não recomendo para doces). A batata palha tem que importar, não tem jeito. E a carne tem que ser de bife rolê (Roulade) mesmo.

Missão strogonoff cumprida!

Brigadeiro de fogão elétrico

Escaldada com os desastres culinários da temporada passada na Alemanha, resolvi pesquisar no Google como fazer brigadeiro no fogão elétrico. Pelos relatos do Blog da Lu e Oi Toronto, as perspectivas não eram nada animadoras.

Paciência, bora pro fogão. Escolhi o bico onde sempre esquento o leite e liguei no número 2 (teoricamente o "fogo" médio). Coloquei lá uma colher de sopa de manteiga, uma lata de leite condensado e sete colheres de sopa de chocolate em pó Milka (foi a coisa mais parecida com Nescau que encontrei no supermercado Rewe).

Mexe, mexe, mexe... depois de uns 20 minutos ele começou a desgrudar do fundo - opa, tá dando certo. Fiquei na dúvida se estava no ponto, tive medo de queimar e desliguei. Cinco minutos na sacada pra congelar e uma noite na geladeira (na sacada viraria pedra).

Hoje de manhã, meu brigadeiro estava no ponto de meleca. Nem duro o suficiente para fazer bolinha, nem mole para comer como mingau. Estava esticando, que nem puxa-puxa de melado, sabe? Achei melhor colocar em taças.

O gosto e a textura ficaram ok. Mais 5 minutos cozinhando e ele teria ficado perfeito, acho. Na próxima eu acerto!

Considerações sobre o frio

Essa semana a temperatura média em Bonn e Brühl foi de -5ºC. Pra dizer a verdade, não notei muita diferença entre o zero grau e os -5. E também não passei mais frio do que já senti na caçamba de uma camionete em São José dos Ausentes, na Serra Gaúcha - pelo menos duas pessoas no mundo sabem do que eu estou falando -, ou seja, é um "muito frio" tolerável.

Os alemães costumam dizer que não existe tempo ruim, apenas roupa inadequada. Meu figurino diário tem sido: meia calça fio 40, meia grossa, calça jeans, camiseta de algodão, blusa segunda pele, blusa de lã de gola alta, casaco até o joelho, cachecol e botas.

Os pés ficam sempre gelados, isso é um fato que a pessoa tem que aceitar. A parte da perna entre a bota e o casaco, idem. Em compensação, o peito e o pescoço ficam quentinhos, até debaixo de neve, como peguei pela primeira vez hoje em Bonn.

A neve, aliás, é um parágrafo à parte. Ela não é comportada que nem a chuva, que cai de cima para baixo e respeita o guarda-chuva. Não. Os flocos são como plumas, voam na horizontal e parecem que escaneiam a gente em busca de frestas no casaco. Quando tocam na pele são tão gelados que chega a dar um choque.

O pessoal hoje estava comentando que vem uma nevasca forte no domingo. Eu vou estar em casa, bem quentinha...

Supermercado - uma nova abordagem

Pela primeira vez fui de carro ao supermercado na Alemanha. A Ute se ofereceu para me levar em casa, então achei melhor já fazer meu ranchinho. Me dei ao luxo de pegar um carrinho - sim, porque quando estou a pé vou só de cestinha, para não perder a noção do peso que vou ter que carregar. E pra melhorar ainda fui com apoio técnico. O marido da Ute precisava comprar umas coisas também e me ajudou a escolher a carne e a achar as coisas nas prateleiras.

Na hora de passar no caixa não existem sacolas. As compras vão do carrinho para a esteira e de volta para o carrinho. No carro há dois cestos modulados no porta-malas, os produtos vão ali pra dentro e dali pra casa.

Bah! Meu trauma de supermercado até passou.

Ano novo, bolsa nova

Daqui a pouco começo meu estágio na Rádio Deutsche Welle para os países de Língua Portuguesa. Se o meu português já ficou meio esquisito por causa do alemão - quando cheguei em casa eu conseguia falar tudo tão fácil e rápido que comecei a engolir os plurais, à Lula -, não vou me admirar se daqui a pouco começar a falaire cmo se stivess em Prtgal.

E ainda têm as histórias verídicas. A Regina, da redação online, contou que estava conversando com uma portuguesa sobre seus respectivos filhos até que ela, nascida no Nordeste, perdeu a paciência:

"Ocê pare de chamar o meu bichinho de puto!"

E a portuguesa:

"E tu vês se paras de chamar meu puto de bichinho!"

Piadinhas à parte, tenho muito a aprender sobre Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Portugal. É melhor apertar os cintos, porque o mundo vai ficar maior!

Você está a ouvir a Rádio Deutsche Welle - A voz da Alemanha.

Chega de férias

A partir de hoje o blog volta à ativa. E de cara nova pra receber 2010! Espero que o novo layout agrade... a foto mostra a Catedral de Colônia e a ponte sobre o Rio Reno. Não moro nem trabalho em Colônia, mas por ser a minha cidade do coração (e ter fotos melhores do que Bonn e Brühl), foi a eleita para o título do Denke Ich...

Minha passagem pelo Brasil foi agridoce. Matei as saudades da minha família, comi arroz, feijão e bife até saltar pelos olhos, fui à praia e vi muitas pessoas importantes pra mim.

Por outro lado, tive a tristeza de perder um primo muito querido. Em menos de dois meses ainda perdi meus dois gatos e não consegui estar com todas as pessoas que eu queria.

Não consegui ver o pessoal do Aikido, nem meu amigo Carlos Rosasse. Não tomei cerveja com o Mariano no Mercado Público, nem com o Juliano na Trindade. Não consegui me reunir com o pessoal da faculdade, não joguei vôlei de praia com a Simone no Riozinho nem sinuca com a Bell.

A todos os amigos que "deixei na mão", peço desculpas. Não tive exatamente férias nesse tempo. Trabalhei nas três primeiras semanas (culpa da Deborinha) e depois acompanhei meu primo no hospital.

Quando me dei conta, 2009 se foi e eu estava em Congonhas, esperando pelo voo outra vez. Aquele aeroporto é como um rito de passagem, uma transição entre a realidade no Brasil e na Alemanha. Passo tanto tempo em trânsito que quando chego é como se tivesse saído do limbo.

Buenas, cá estamos novamente. A Alemanha nos recebeu a -1ºC, monocromática e coberta de neve.