Clínica de recuperação de Verbos

Quando fui morar em Florianópolis, em 2001, para me integrar na nova cultura comecei a usar o "você", coisa que no Rio Grande do Sul ninguém fala e, se fala, soa estranhíssimo. Lá usamos o tu mal conjugado na fala informal - tu viu, tu fez -, e bem conjugado na fala e em textos formais - tu viste, tu fizeste. Ainda tem gente que quer falar bonito e conjuga errado: tu fizestes.

Enfim, quando o "você" entrou na minha vida, o meu português virou uma salada. Um pouco de tu bem conjugado, um pouco de tu mal conjugado e outro tanto de você, não conjugado - isso na língua falada, claro, e na internet. Textos de verdade eu escrevo direitinho, risos.

Agora entre portugueses, guineenses, moçambicanos e cabo-verdianos, para quem o você é ainda mais entranho do que para os gaúchos, tenho voltado a usar o tu e a conjugar os verbos direitinho. E nada de comer o início das palavras: é "estou" e não "tô".

Se o alemão vai melhorar nessa nova temporada, eu não sei, mas o português, vai.

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