A última sobre o sinal vermelho

O meu amigo Rodrigo Benincá leu o post Crônicas do Sinal Vermelho e me mandou um recado por e-mail, não aparece aqui no blog. Ele disse:

"vc está muito fascinada pelas faixas de pedestres e sinais vermelhos sendo respeitados... lembro do seu post ano passado (algo assim) falando da bronca que levasse ao cruzar a faixa com sinal vermelho
agora vc fica observando isso direto
heheehhe
acho legal"


Então, explico por quê.

Na verdade eu sou um pouco crítica em relação a essa história. Por um lado eu acho bacana que as pessoas respeitam as regras e fico feliz de saber que ninguém vai atravessar a rua correndo na frente dos carros, causando risco de acidente.

Mas por outro, eu acho que falta um pouco de senso crítico nessa atitude. Às vezes está frio, chovendo, não vem absolutamente nenhum carro na rua e as pessoas ficam lá, plantadas, esperando o sinal ficar verde para cruzar.

Quando eu era pequena, me ensinaram que eu tinha que olhar para os dois lados antes de atravessar. Se viesse carro, não atravessava. Pronto. Quase três décadas depois, estou aqui, vivinha, zero atropelamento.

Não seria melhor ensinar as crianças a avaliarem os riscos em vez de simplesmente obedecerem a uma luz? O que vocês acham?

5 comentários:

  1. hehehehe
    vc postou o que falei,... heheeh mas não precisa parar de falar das faixas e sinais vermelhos. Eu acho legal as observações e cometarios das coisas que acontecem, pq realmente... sem vir carro algum nevando e tal, e ficam lah plantadas. Eu me divirto com essas historias :)
    []s

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  2. É que aqui é uma via de mão dupla. Não só os pedestres tem que respeitar as regras, mas os carros também. É uma forma de já ir plantando que não importa em que lado da cadeia "ambular" você se encontra, o respeito às regras é fundamental para que se conviva sem maiores riscos. Já pensou um motorista que acredita que só porque é meia noite e não vem ninguem no outro sentido ele pode furar o farol vermelho(como acontece no Brasil)? Ao começar a achar normal quebrar certas regras, vão começar a fazer isso em qualquer situação que esteja, principalmente se for criança. É um jeito de ensinar que para garantirmos nossos direitos temos que cumprir com nossos deveres, mesmo que estes tenham a ver com regras que parecem absurdas para quem vem de um país como Brasil. Em SP, por exemplo, apesar de ser lei que pedestre tem prioridade, principalmente na faixa de pedestres, motoristas estão acostumados a não respeitar esta regra, pois lá os mais fortes se impõem. Aqui, no transito, os mais fortes são responsáveis pela segurança dos mais "fracos" desde que estes respeitem as regras que lhes cabem. Se um motorista atropelar um pedestre que atravessou no farol vermelho para ele, este pedestre terá responsabilidade sobre os danos causados ao motorista, mesmo que tenha se quebrado todo. É justo? O que voce acha?
    Bjs

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  3. Legal, Arlete, era esse debate mesmo que eu queria suscitar. Você disse “ao achar normal quebrar certas regras”. Aí é que tá, o problema não é atravessar a rua em segurança quando não vem absolutamente nenhum carro, o problema é o que as pessoas vão “achar” porque as pessoas sempre “acham” que uma coisa leva a outra. Não sei como é São Paulo, eu morava em Florianópolis e lá a gente dá preferência ao pedestre na faixa sempre.

    O sinal para atravessar a rua, essencialmente, é uma questão de segurança. Então se a qualquer momento não há segurança, isto é, se vem um carro ou você está numa curva sem saber se pode vir um carro, você não atravessa - e sem que uma luz tenha que lhe dizer o que fazer. É simplesmente uma questão de discernimento.

    Se se ensinasse discernimento em vez de obediência:
    1) O motorista não atravessaria no sinal vermelho, porque ele sabe que está confortavelmente sentado em seu automóvel.
    2) Nenhum pedestre seria atropelado quando o sinal está vermelho para ele (sim, o pedestre deve ser responsabilizado, caso isso aconteça) porque ele não atravessaria quando vêm carros.
    3) As crianças entenderiam que esperam para atravessar por causa do perigo, não porque a luz manda.

    Em um país civilizado como a Alemanha, capaz de fazer as pessoas ficarem paradas na calçada em frente à rua deserta, seria assim tão impossível estabelecer critérios, sem com isso dar margem a achar que se pode sair por aí infringindo outras regras?

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  4. Concordo que o discernimento é prioritário na discussão, muito mais que simplesmente obediência. Obedecer sem saber o porque é perigoso. Da mesma forma, o exemplo é uma das formas mais fáceis de ensinar, já que o inconsciente tende a observar, gravar e repetir involuntariamente aquilo que aprendeu. Tudo uma questão de psicologia gestáltica. É compreensível que para os alemães, olhar um sinal vermelho significa parar. A ligação do meio em relação ao comportamento é clara: Vermelho = pare!
    No entanto, o sinal vermelho poderia significar "hora de discernir", o que é melhor para o outro e para mim?

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  5. Acho muuuuuito bacana essa estória de respeitar os sinais, pricipalmente porque os grandes beneficiados são os pedestres, em desvantagem quando comparados aos motoristas de qualquer coisa que seja!!!
    Meu marido foi atravessar fora da faixa em Amsterdã e um carro que vinha muuuuuuuuito longe buzinou 'de lá' até quando passou por nós, que já estávamos na calçada havia muito!!! :) achei uma onda e aquilo nos serviu muito, nunca mais- pelo menos na europa- cruzamos o sinal vermelho!!! :(

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