Alemanha multiculti

Outro dia no ônibus vi uma cena que reflete muito do que a Alemanha é hoje.

Uma menina de uns 8 anos estava aprendendo a falar chinês (mandarim) com a mãe. Ela perguntava como se falavam as coisas, se confundia, enrolava a língua, ria de si mesma e continuava conversando em alemão. Filha de chineses, ela provavelmente nasceu na Alemanha, aprendeu alemão na escola e agora está tentando resgatar a cultura dos pais. Coisa que a gente vê aqui em cada esquina.

A imigração na Alemanha foi incentivada primeiro pela constituição (Grundgesetz), promulgada em 1949, que previa asilo para perseguidos políticos - alterada em 1993 por causa do grande número de requerimentos. E depois porque, nas décadas que sucederam o fim da Segunda Guerra, a Alemanha capitalista passou por uma fase de milagre econômico que demandava mão-de-obra estrangeira, já que não havia sobrado muitos homens na Alemanha para trabalhar.

Assim, a Alemanha experimenta hoje um processo pelo qual o Brasil passou no final do século XIX, com o fim da escravatura e a imigração europeia, principalmente alemã e italiana - nossos avós, bisavós e tataravós.

Aqui, a maioria dos imigrantes ainda está na primeira ou segunda geração, como no caso da menina chinesa que eu vi no ônibus. Aí fico pensando que a filha dela será alemã, filha de alemã, e que na próxima geração teremos alemães de todas as caras, como o Brasil.

Acho isso muito bom.

4 comentários:

  1. Fran, mas aqui em Berlim é possível presenciar um problema sério: filhos de imigrantes já na terceira geração que mal falam alemão, ou falam com um sotaque tão forte que não os conseguimos entender.
    Acho esta falta de integração triste, muito triste.

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  2. Isso é verdade, Camila. Mas acho que é um problema particular dos turcos e de Berlim, onde se criaram verdadeiros guetos. Aqui no oeste tem muitos turcos também, além de vários outros povos, e a integração é um pouco menos crítica, eu acho, imagino que as dificuldades não devem ir além da segunda geração. Acho também que tem a ver com questões econômicas. Em Berlim e no leste o sentimento de "tem um turco roubando o meu emprego" deve ser mais forte, já que o índice de desemprego aí é maior. Enfim, são só especulações. A gente vai ter que esperar pra ver o que o filho de vocês vai contar daqui uns 20 anos :-)

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