Acho que vou ter que comprar uma TV

Eu não tenho TV em casa, nem no Brasil assistia muito, mas tô achando que vou precisar comprar uma para não perder o pouco do alemão que me deu tanto trabalho pra aprender.

Eu trabalho nas redações brasileira e portuguesa. Quase todos os meus amigos são brasileiros ou portugueses ou africanos de países lusófonos. Com meu namorado eu falo inglês. Com alguns amigos alemães do CouchSurfing, também.

Só falo alemão quando vou comprar coisas, e o pessoal do comércio aqui não é muito comunicativo, pra dizer o mínimo.

Minha saída vai ser algum seriadinho...

O jeito alemão de lavar a louça

No ano passado durante um happy hour do Instituto Goethe, um estudante alemão ofereceu 20 euros para o nosso colega da Coréia do Sul mostrar como ele lava a louça. Fazia parte de um estudo, e eu descobri que lavar a louça é algo tão culturalmente peculiar como gastronomia.

Os alemães, por exemplo, enchem a pia de água e detergente, colocam toda a louça dentro, esfregam com a esponja e colocam para secar, sem exaguar, tudo cheio de espuma. Curiosamente a louça não fica com gosto de sabão. Lembro que a minha bisavó Carolina, que era descentende de alemães, fazia assim também.

Eu sempre achei e continuo achando esquisito.

A saga do removedor de ferrugem

Quando o tiozinho da loja de bicicleta disse que eu ia ter que comprar removedor de ferrugem, já senti o drama. Removedor de ferrugem em alemão é Rostlöser. Chego no supermercado e pergunto, em alemão:

- Vocês têm Rôstlöser? - O tio me olha com cara de tacho.
- Hein?
- Hã... Rôstlöser... pra remover Rost (ferrugem).
- Ahhh, Róstlöser! Não, não temos.

Saio de lá e entro em uma drogaria, que aqui são lojas que têm de tudo, e pergunto, em alemão:

- Vocês têm Róstlöser?
- Hein?
- Róstlöser, pra remover Rost.
- Ahhh, Rôstlöser! Não, não temos.

Floresta Negra, o retorno

Passei de quarta a domingo na Floresta Negra com a Ute e outros colegas da Heinz-Kühn-Stiftung. Aí vão as fotos!

A magrela adormecida

Já faz quase dois meses que herdei uma bicicleta do Johannes Beck e ainda não pude andar. Minha nova velha magrela está com os pneus murchos e o banco, alto demais pra mim, está emperrado por causa da ferrugem.

Nada que o Seu Alvair da mecânica ali do Campeche não resolveria pra mim em 10 minutos, mas você está na Alemanha, lembra?

Numa terça-feira dessas, fui na loja de bicicletas que tem na frente da minha casa. O tiozinho olhou pro ferro do assento enferrujado e disse que teria que serrar uma pecinha, mas que só poderia fazer isso no sábado. E que o banco emperrado não era com ele, eu teria que comprar removedor de ferrugem e desemperrar eu mesma.

Assim a magrela continua lá no porão. A tal pecinha enferrujada que o tio só ia poder serrar no sábado eu arranquei a martelada. Mas o banco nem se mexe. Um tio turco gente boa que tem uma loja aqui perto até me emprestou um removedor de ferrugem, mas não fez nem cócegas. Essa semana vou levar numa outra oficina que me recomendaram, pra ver se tem um pessoal mais disposto.

Que saudade do Seu Alvair.