Mensa, o R.U. alemão

Quando fiz minha matrícula para o mestrado, ganhei a "Revista da Mensa" (que equivale ao nosso Restaurante Universitário) e pensei que tem coisas que só se vê aqui.

Imagine que eles planejam o cardápio de um mês inteiro dos seis R.U. que existem na cidade e arredores. Há sempre duas opções de almoço: uma com carne, outra vegetariana, e a refeição mais cara para estudantes custa 2,50€.

Folheei a revista e pensei, tudo bem que é útil ter o cardápio para saber que dia vai ter aquele prato que você adora, mas também acho meio deprimente saber o que se vai comer na quinta-feira daqui três semanas...

Na UFSC, tínhamos só o menu do dia, que era liberado umas duas horas antes do almoço. Aliás, o Cardápio do RU era o nosso campeão de audiência na finada Unaberta, agência de notícias do curso de Jornalismo.

O preço das coisas

Eu faço as contas e fico abismada com o preço das coisas na Alemanha e como o custo de vida aqui é proporcionalmente mais baixo do que no Brasil - em Florianópolis, pelo menos, que é de onde eu posso falar. A comida, especialmente. Só pra dar alguns exemplos:

1 kg de arroz parboilizado (barato): Floripa = R$ 1,65 / Bonn = 0,89 €
1 litro de leite integral de caixinha: Floripa = R$ 1,69 / Bonn = 0,56 €
500 g de café de boa qualidade: Floripa = R$ 6,99 / Bonn = 4,99 €

E por aí vai. Sem contar outras coisas, como aluguel, energia, telefone celular. No caso dos alimentos, um dos motivos é porque o governo alemão subvenciona alguns produtos importados, para que cheguem às gôndolas do supermercado com o mesmo preço dos produtos nacionais.

No preço dos carros a diferença é ridícula. Um Honda Fit, que no Brasil custa mais de R$ 50 mil, aqui é vendido por 13.000 €. Ou um Mercedes Classe C, que no Brasil custa R$ 120 mil e aqui se compra por 32.000 €.

Daí vem um leitor e diz: "Ah, Francis, mas se eu for comprar aí para trazer para o Brasil, com o câmbio, os impostos e o frete, vai custar a mesma coisa."

Sim, mas não é isso que eu quero dizer. O que quero dizer é que uma pessoa que ganha 1.000 € de salário na Alemanha tem um poder de compra muito maior do que uma pessoa que ganha R$ 1.000 no Brasil.

Isto é, além de os países desenvolvidos serem mais ricos e a renda média da população ser mais alta, essa renda ainda compra muito mais do que a equivalente no Brasil.

Só pra terminar essa reflexão, você sabe qual é a cidade mais cara do mundo? Tóquio? Errou. Tóquio é a segunda. A cidade com o custo de vida mais alto do mundo fica na África. É Luanda, capital de Angola, país onde 70% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Supermercados baratos na Alemanha

Várias pessoas já entraram no meu blog procurando supermercados baratos na Alemanha e não encontraram, coitadas. Então aqui vai um post pra ajudar na pechincha.


Lembrando que, por serem baratos, esses supermercados geralmente não têm muita variedade, mas mesmo assim os produtos normalmente são de boa qualidade. Outras lojas legais para economizar são:

- Promarkt (eletrodomésticos)
- Ikea (móveis)
- Saturn (eletrônicos)
- Mediamarkt (eletrônicos)

A publicidade é gratuita, mesmo. Depois de ter ganho apenas US$ 3,88 em dois anos com os meus blogs, desisti de qualquer ambição financeira na blogosfera.

A volta ao mundo em uma sala de aula














Meus colegas no mestrado vêm dos seguintes países:

Alemanha, Argentina, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, China, Estados Unidos, Etiópia, Indonésia, Kosovo, Nova Zelândia, Paquistão, Quênia, República Checa e Rússia.

E é todo mundo gente boa pra caramba.

A magrela ambulante

Na quinta-feira andei pela primeira vez com a bicicleta que o Johannes Beck me deu no final de abril. Ela estava com o banco emperrado e alto demais para mim, e depois de algumas tentativas frustadas de consertá-la sozinha, da tentativa frustrada de amigos e da preguiça de um dono de loja de bicicletas, a vida acabou embolando e não consegui mais cuidar dela.

Até a semana passada. Fui finalmente na Radstation de Bonn, atrás do Hauptbahnhof, a estação principal de trens, e eles desencantaram a magrela. Ela ficou lá por dois dias e, quando fui buscar, o assento estava novo em folha, e o conserto me custou só 9,50 EUR.

Nossa primeira experiência juntas foi pura adrenalina. Ao sair da oficina, me dei conta de que não tinha levado nem o cadeado, nem as luzes dianteira e traseira, obrigatórias para ciclistas na Alemanha sob pena de multa. Era fim de tarde e pensei: tenho que chegar em casa antes que anoiteça.

Quando chegamos, já tava meio escurinho e uma mulher num carro até buzinou reclamando (typisch deutsch), mas deu tudo certo.

Prost pra magrela.

A vida em 17,68m2

Desde o início do mês moro em uma Studenten Wohnheim, uma moradia de estudantes, em Bonn Castell. Fica do ladinho do rio, a 1,5km do centro e 4km da Deutsche Welle, onde serão as minhas aulas.


Meu novo apê é uma caixinha de fósforos, como disse a minha priminha Fernanda quando o viu pelas fotos, mas é bonitinho. Dentro dos meus 17,68m2 tenho meu próprio banheiro, a mini cozinha com frigobar e fogão de duas bocas, ou melhor, pratos (elétricos), prateleiras suficientes para dois anos de vida de estudante e 2 mesas de estudo. Tem também uma cama, lógico. Pequena, mas tem.

A única janela dá para o leste, e nos dias que tem sol, ele entra em cheio de manhã e se espalha pela casa toda.

Tô contente.