Refugiados: como viver depois de sobreviver

O destino de refugiados com alto nível de qualificação e que precisam se sujeitar a empregos básicos na Europa foi o tema do meu projeto de rádio no mestrado.

Está com um mega-sotaque, mas enfim, é o meu primeiro trabalho em alemão, espero que gostem. Clique para ouvir (pode demorar um pouquinho para aparecer o botão)*:



Resumo em português:

Meu protagonista, Mohamed Hagi (54), estudou medicina e trabalhou como pediatra em Mogadíscio, capital da Somália. Aos 28 anos, foi chamado pelo exército para servir como médico de campanha na guerra contra a Etiópia, nos anos 80. Em 1985 ele desertou e se refugiou na Alemanha, onde viveu por mais de oito anos em abrigos para asilados, sem permissão para trabalhar.

Em 1994 ele se casou com uma alemã e conseguiu sua primeira autorização de trabalho. Mas médico ele nunca mais voltou a ser. Trabalhou como auxiliar de cozinha, como operário em fábricas, auxiliar de serviços gerais...

Asilados em geral são proibidos de trabalhar na Alemanha por pelo menos um ano. E para ganhar uma autorização, precisam comprovar que não estão tomando o lugar de um desempregado europeu, o que é quase impossível.

A situação melhorou um pouco de uns tempos para cá. A Universidade de Oldenburg lançou em 2007 um programa de pós-graduação focado em refugiados com nível superior. O curso oferece uma formação adicional para que essas pessoas consigam o reconhecimento de seu diploma e possam trabalhar em sua área. De qualquer forma, nem todos têm acesso.

Mohamed Hagi desistiu de tentar validar seu diploma. Primeiro porque ele nem teria como ir à Somália para buscar seus certificados. Já na chegada ele seria preso. E deserção é punida com morte.

Hoje ele trabalha como caseiro em uma academia de ginástica. Da Somália a única coisa que ficou foi um sino de camelo, feito de madeira. Ele diz que o faz lembrar da infância e de seu avô, que criava camelos. Quando fica estressado ou se sente deprimido, ele contou que badala o sino de madeira para se sentir em casa.

* Atenção: É proibida a utilização total ou parcial do conteúdo deste post. O compartilhamento do arquivo de áudio em redes sociais só é permitido se estiver linkado ao Denke Ich... e respeitar os (meus suados) direitos autorais.


4 comentários:

  1. Fran, nao senti o sotaque :D

    Voce esta falando mto bem o alemao (embora eu nao entenda uma palavra)

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  2. Parabéns pela tese! Achei bem interessante. Estou morando em Munique faz 3 semanas, e gostei do seu blog. Vou visitar mais vezes.

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  3. Ich finde es Toll! Seu Blog já me ajudou muito quando eu ainda estava planejando vir para a Alemanha e, agora que estou aqui há seis meses, continuo aprendendo muito com ele. Sua reportagem ficou ótima e seu alemão está "wunderbar!"Gostaria de parabenizá-la por seus progressos tanto no idioma quanto na profissão e pela ajuda que seu Blog representa para quem deseja se aventurar por estas terras geladas. Sobre o tema da sua pesquisa, nem preciso comentar. Einfach toll.

    Liebe Grüsse aus Kaiserslautern und viel Erfolg!

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    1. Danke schönnnn! :)
      Fico contente que você curta o blog, Adriana, e muito obrigada pelo elogio, cheguei a ficar vermelha, hehe.
      Meu desafio agora é achar tempo pra manter o blog atualizado! Mas tudo tudo tudo vai dar pé.
      Força que o inverno tá quase acabando :)
      Um beijão e viel Spass beim Karneval!

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