Mudando de assunto... credo

Até sair do Brasil, religião para mim era que nem time de futebol: cada um tem a sua e tá tudo bem. No meu caso, fui batizada na igreja católica antes de poder dizer qualquer coisa e assim fiquei, mas nunca precisei pensar muito no assunto.

Aliás, outro dia estava andando na rua em Bremen quando uma moça com a boca tapada pela gola da blusa me parou e fez a difícil pergunta: você acredita em Jesus Cristo? Eu fiquei olhando pra ela com cara de tacho e demorei tanto pra responder que ela virou as costas e foi embora.

Quando uma pessoa se muda para a Alemanha, precisa se inscrever na prefeitura e dizer de onde vem, o que faz, onde mora e... a que religião pertence. Na hora de me registrar, minha convicção religiosa não estava nos seus melhores dias, então achei melhor responder "nenhuma". Assim me livrei da hipocrisia e também - como vim a saber depois - dos 40 euros que a igreja católica descontaria por mês da minha conta bancária. Pois é, na Alemanha não basta ter fé, tem que participar.

Depois que vim morar na Europa, percebi o peso que a religião tem na vida das pessoas. Ser católico, luterano, muçulmano judeu ou o que for faz parte da ideia que as pessoas têm de você.

E de ver o quanto somos diferentes, percebo o quanto somos parecidos.Semestre passado no mestrado tivemos um painel de discussão no seminário Jornalismo em Crise e Conflito. Um dos convidados era o diretor da redação afegã da Deutsche Welle. Ele contou um pouco sobre a história do país e disse: "Quando os Talibãs tomaram o controle e instauraram uma interpretação radical da Sharia (lei islâmica), começou o período mais negro da história do Afeganistão."

Achei interessante - e irônico - que a idade das trevas coincida justamente com os períodos em que alguns homens tentam dominar outros em nome de algum deus, não importa em que século ou de que lado do mundo estejam.

2 comentários:

  1. Eu também preferi dizer aqui que nao tenho religiao.Primeiro pq nao sigo nenhuma mesmo e segundo por causa do tal imposto. Alguns funcionários públicos aqui ficaram tipo meio chocados e perguntaram "mas no Brasil as pessoas sao religiosas nao?" e eu disse, "sim, mas eu nao!"

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  2. Isso é interessante mesmo.

    E muito obrigado pela dica.

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