Terremoto em Bonn

Estava preparando o Jornal da Noite da Deutsche Welle com a Bettina Riffel e debatíamos indignadas alguma violação de direitos humanos quando senti minha cadeira dar um solavanco e, menos de um segundo depois, ouvi as portas do armário batendo.

Eu e a Bettina, que ainda estávamos no meio do papo inflamado, paramos e eu perguntei: isso foi um terremoto?

Pois foi. No início achei que podia ser só no prédio da DW, mas daí o marido da Bettina mandou um sms dizendo que tinha sentido o tremor em casa também.

A confirmação veio poucos minutos depois: às 21h02 um terremoto de magnitude 4,6 foi registrado no Estado da Renânia do Norte. O epicentro foi próximo à fronteira com a Holanda, a uns 150 km de Bonn.

Cheguei em casa e encontrei mais uma prova do terremoto:

Não fique só no clique. Vá para as ruas!

Viver na Alemanha é trabalhar no dia 7 de setembro. Mas este ano, na verdade, eu queria estar no Brasil hoje não pelo feriado, mas para poder participar dos protestos contra a corrupção.

Depois de conhecer a realidade em outros países, é cada vez mais difícil de engolir o comportamento dos políticos brasileiros, que aceitam a corrupção como combustível da governabilidade e a consideram tão normal quanto as eleições.

Mas como eu não posso estar nos protestos, resolvi participar com ativismo online.

O Manifesto contra a Corrupção no Brasil, no Facebook convocou para hoje uma macha em várias cidades. Se você pode, participe! Quase 40 mil pessoas confirmaram participação no Facebook. O evento é um teste para o poder das redes sociais na mobilização dos brasileiros.

Não fique só no clique! Vá para as ruas!

Só com a nossa mobilização conseguiremos levar para frente a lei da Ficha Limpa. Só com pressão popular poderemos um dia proibir que os parlamentares reajustem seus próprios salários. Só se tomarmos uma atitude poderemos um dia vincular o salário dos parlamentares ao salário mínimo e lembrar os políticos para quem eles trabalham.

Os povos no norte da África tinham dificuldades muito maiores do que as nossas e conseguiram.

O Brasil também pode conseguir, só precisa parar de achar que "as coisas são assim mesmo".

 As coisas só são assim porque nos conformamos. Mude!

Mudando de assunto... credo

Até sair do Brasil, religião para mim era que nem time de futebol: cada um tem a sua e tá tudo bem. No meu caso, fui batizada na igreja católica antes de poder dizer qualquer coisa e assim fiquei, mas nunca precisei pensar muito no assunto.

Aliás, outro dia estava andando na rua em Bremen quando uma moça com a boca tapada pela gola da blusa me parou e fez a difícil pergunta: você acredita em Jesus Cristo? Eu fiquei olhando pra ela com cara de tacho e demorei tanto pra responder que ela virou as costas e foi embora.

Quando uma pessoa se muda para a Alemanha, precisa se inscrever na prefeitura e dizer de onde vem, o que faz, onde mora e... a que religião pertence. Na hora de me registrar, minha convicção religiosa não estava nos seus melhores dias, então achei melhor responder "nenhuma". Assim me livrei da hipocrisia e também - como vim a saber depois - dos 40 euros que a igreja católica descontaria por mês da minha conta bancária. Pois é, na Alemanha não basta ter fé, tem que participar.

Depois que vim morar na Europa, percebi o peso que a religião tem na vida das pessoas. Ser católico, luterano, muçulmano judeu ou o que for faz parte da ideia que as pessoas têm de você.

E de ver o quanto somos diferentes, percebo o quanto somos parecidos.Semestre passado no mestrado tivemos um painel de discussão no seminário Jornalismo em Crise e Conflito. Um dos convidados era o diretor da redação afegã da Deutsche Welle. Ele contou um pouco sobre a história do país e disse: "Quando os Talibãs tomaram o controle e instauraram uma interpretação radical da Sharia (lei islâmica), começou o período mais negro da história do Afeganistão."

Achei interessante - e irônico - que a idade das trevas coincida justamente com os períodos em que alguns homens tentam dominar outros em nome de algum deus, não importa em que século ou de que lado do mundo estejam.

Bonn instala parquímetro
para cobrar imposto de prostitutas

Como vocês já sabem, tudo na Alemanha é muito organizado. Pois a última de Bonn foi reprogramar um parquímetro para funcionar como caixa eletrônico de imposto sexual - pioneirismo nacional.

Antes de começar o expediente, as prostitutas das ruas da cidade precisam ir lá emitir o seu bilhete, no valor de seis euros.


O caixa eletrônico fica na Immenburgstrasse, a única rua de Bonn onde a prostituição é autorizada. E agora também taxada: quem for pego pela fiscalização sem o bilhete, que custa seis euros por noite, paga multa.

Antes de publicarmos a matéria na DW, seis jornais brasileiros já tinham dado a notícia. Ê, Brasil...

Leia o artigo completo na página da Deutsche Welle.