O insulto e a redenção

Fim de semana fui a uma grande loja de artigos esportivos em Colônia. Adoro aquela loja. A única coisa que não gosto é a dificuldade de transitar pelos andares, porque as escadas são escondidas, então sobra apenas um elevador panorâmico.

Corri para dentro quando o elevador abriu a porta, semi-lotado, e só então notei o senhor japonês que estava esperando na minha frente. Ele ficou parado me olhando sério, segurando a mão de um menino de uns seis anos.

Senti a maior vergonha do mundo e me ofereci pra sair e dar lugar a eles, mas ele disse que não precisava - além do mais eu já estava causando tumulto suficiente entre os passageiros (se diz passageiro pra elevador?).

Saí da loja uma meia hora depois ainda me martirizando por ter passado na frente do senhor e do menino. Pra amenizar a vergonha, e na esperança de ser perdoada, comentei com meu namorado quando já estávamos no meio da rua:

"Ah, tudo bem, eles eram japoneses. Eles são um povo nobre."

Foi quando um jovem japonês que caminhava à nossa frente - e que eu não tinha visto - se virou, sorriu pra mim e acenou com a cabeça.

Me redimi.