Como secar as mãos com uma toalha de papel

Este vídeo do TED mudou a minha vida. Desde que o assisti, por recomendação do amigo Oscar Schlenker, não gasto mais do que uma toalha de papel para secar as mãos em banheiros públicos.

O segredo: sacudir as mãos para tirar o excesso de água e dobrar a toalha para absorver melhor.



Em tempo: Funciona perfeitamente com as toalhas baratas dos banheiros da DW.

Fácil, né? Faça você também!

Índice de desenvolvimento sanitário

Estive na Suíça uma vez para passar o reveillon. O que mais me impressionou não foi nenhuma chiquice do país, que é um dos mais desenvolvidos do mundo (em grande parte graças a remessas escusas de dinheiro de países subdesenvolvidos – mas isso é assunto para outro post). O que mais me impressionou foi o número de banheiros públicos, e limpos, disponíveis nas estações turísticas. Não importa onde você esteja, sempre vai encontrar um banheiro num raio de, no máximo, 100 metros.

Aí comparei com o Brasil, onde geralmente os banheiros são raros, sujos e sem papel ou sabonete. E pensei que um banheiro não é assim uma coisa tão cara que só se possa ter na Suíça, afinal. Acho que é muito mais uma forma de estabelecer um padrão mínimo aceitável de bem-estar. E evitar constrangimentos pela falta de um toilete na hora do aperto é apenas um desses "luxos".

Marido sai de férias e esquece mulher em casa

A história verídica aconteceu ontem em Bonn. Günther, de 73 anos, dirigiu por horas sem se dar conta de que sua mulher, Gerda, da mesma idade, não estava no banco de trás, como de costume. Ele a esquecera em casa.

Quando foi entrar no carro para a viagem de férias com o marido, Gerda só viu as luzes traseiras. Ela ficou esperando durante horas, certa de que ele voltaria logo para buscá-la.

Mas ele não voltou. Dirigia tranquilo em direção a Schleswig-Holstein. Nisso, os vizinhos acolheram a mulher desesperada, que avisou a polícia – preocupada com o seu Günther. Os policiais de Bonn avisaram seus colegas na cidade de destino, que a princípio não tinham nenhuma pista do marido.

Quando Günther finalmente foi localizado pelo celular, se mostrou muito surpreso. "Ele disse não ter percebido que sua mulher não estava no carro", disse Christoph Schnur, porta-voz da Polícia de Bonn. O aposentado prometeu voltar para buscar sua Gerda.

 Este texto é uma adaptação da matéria publicada no diário popular Express. "Este casal não deve conversar muito", concluiu a autora da matéria. Clique aqui para ler o artigo completo em alemão.

A sabatina da aspirina

Da última vez que fiquei resfriada, fui à farmácia pra comprar um antigripal qualquer. Pedi comprimidos para resfriado e a atendente me perguntou: quais os sintomas?

Eu: "oi?"

Ela pacientemente me explicou que se eu estivesse com febre e dor de cabeça, o melhor seria tomar o remédio X, mas se o problema fosse tosse e dor de garganta, ela indicaria o Y - e disse mais um monte de coisa que eu nunca tinha pensado sobre gripe. Como nunca tive que explicar sintomas de resfriado em farmácia, levei um tempo até encontrar o vocabulário em alemão, e ela acabou por me dar um remédio que também combateria a tosse que "provavelmente viria a seguir".

Com tanto profissionalismo, virei freguesa.


Por que na Alemanha não tem arrastão em bar

A nova moda entre os criminosos de São Paulo é entrar armado em restaurante, de preferência em bairro chique, e assaltar todo mundo. Tem acontecido quase todo dia. O comentário de uma leitora em um post polêmico do Blog do Sakamoto chamou a minha atenção. Ela disse que em países "civilizados", isso não aconteceria. Suposição correta, justificativa errada.

Na Alemanha, arrastões em bares não acontecem por alguns motivos simples. Primeiro, porque na Alemanha os pobres não são tantos nem tão pobres como no Brasil. Segundo, porque na Alemanha os ricos também não são tão ricos quanto no Brasil. Além do mais, a educação de qualidade e a formação profissional são acessíveis a praticamente 100% da população, e a criminalidade é tratada como problema estrutural.

Então não é uma questão de "civilidade", de "boa educação", mas de justiça social. Esse simples fator elimina aquela raiva que faz os mais pobres quererem tomar o que é dos ricos à força, para satisfazer um desejo de vingança pelo desrespeito aos seus direitos fundamentais.

A violência no Brasil é fruto da mentalidade de uma classe rica que considera a pobreza um estorvo e acha que não tem nada a ver com isso; e de uma classe pobre que se acha coitadinha e que, em vez de exercer pressão social nas urnas, ri de si mesma ao votar em "tiriricas" e prefere roubar de quem tem mais - mesmo daqueles que conseguiram o muito que têm com trabalho, não por corrupção. 

E a arena para toda essa tensão é um consumismo esquizofrênico e desproporcional à capacidade financeira dos brasileiros - que acham que precisam de uma TV gigante ou de um iPad, mesmo que ele seja um item supérfluo, inútil e custe cinco vezes mais do que nos Estados Unidos, em cujo padrão de consumo o Brasil erroneamente se inspira.

A crítica não se aplica, é claro, àqueles que, mesmo com alto poder aquisitivo, são conscientes e não perdem a perspectiva sobre a sociedade, e também aos muitos pobres que, apesar das dificuldades, são honestos e trabalham duro para ganhar a vida com dignidade.

O Brasil é violento porque é injusto e ganancioso. E ainda não entendeu que, como na Alemanha, por exemplo, o importante é ser um país rico, e não um país de ricos.

Mudanças sutis no Egito

Assisti a uma palestra da documentarista egípcia Amal Ramsis na semana passada durante o Global Media Forum, e ela contou uma história interessante sobre as transformações no país.

Foto: Rudolf Thome

No centro do Cairo existe um muro, como o Muro de Berlim, cercando o Ministério do Interior. Todos os dias, desde o início da revolução, grafiteiros vão até lá para desenhar mensagens críticas ao governo ou de esperaça para o povo. Pelo menos uma vez por semana, os militares pintam o muro todo de branco outra vez. No dia seguinte, os grafiteiros voltam, agradecem pela pintura e começam a preencher o espaço com arte urbana outra vez.

Só que antes no início da revolução, os grafiteiros desenhavam no muro de madrugada, e os militares pintavam de branco durante o dia. Hoje, sabendo que são protegidos pela população, os grafiteiros desenham de dia, e os militarem pintam de branco de madrugada, escondidos.

 Uma coleção incrível de fotos está disponível no site de Rudolf Thome.